Por que rezamos pelos mortos
A morte não rompe a comunhão entre os que pertencem a Cristo. Desde os primeiros séculos, a Igreja guarda a memória dos defuntos e reza por eles, seguindo o que já dizia a Escritura: é um pensamento santo e salutar rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados (2Mc 12,46).
O Catecismo acrescenta que a nossa oração pode não só ajudá-los, mas também tornar mais eficaz a intercessão deles em nosso favor (n. 958). Quem reza por um falecido não está apenas recordando o passado: continua a amar alguém que está nas mãos de Deus.
Chorar com esperança
Diante do túmulo de Lázaro, Jesus chorou (Jo 11,35). A fé não proíbe a saudade nem a dor da perda. Mas São Paulo pede aos cristãos que não se entristeçam como os que não têm esperança, porque cremos que Jesus morreu e ressuscitou (1Ts 4,13-14).
O luto cristão é atravessado por essa promessa: a morte não tem a última palavra. Rezar pelos nossos mortos é também uma forma de confessar a fé na ressurreição.
O que a Igreja chama de purgatório
A Igreja ensina que os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas ainda não totalmente purificados, já estão seguros da salvação e passam por uma purificação para entrar na alegria do céu. Essa purificação final dos eleitos recebe o nome de purgatório e é completamente distinta do castigo dos condenados (Catecismo, n. 1030–1031).
Por isso a oração pelos falecidos não nasce do medo, mas da caridade: pedimos a Deus que complete neles a obra que começou no Batismo.
Como ajudar os nossos falecidos
O Catecismo recomenda, antes de tudo, o Sacrifício eucarístico, e também a esmola, as indulgências e as obras de penitência em favor dos defuntos (n. 1032). Na prática:
- Missa: peça na sua paróquia que uma Missa seja celebrada pela pessoa falecida e, se puder, participe dela.
- Oração: lembre o nome dela no Terço, na oração da noite ou na oração em família.
- Caridade: faça uma doação ou um serviço a quem precisa, oferecendo-o por ela.
- Visita ao cemitério: mais do que levar flores, reze junto ao túmulo.
Indulgências em Finados
A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados. Ela pode ser aplicada aos falecidos, que também fazem parte da comunhão dos santos (Catecismo, n. 1471 e 1479).
Segundo as normas habituais da Igreja, pode-se obter indulgência plenária, aplicável somente aos falecidos:
- visitando um cemitério e rezando pelos mortos, ainda que só mentalmente, em cada um dos dias de 1 a 8 de novembro;
- no dia de Finados, visitando uma igreja ou oratório e rezando ali o Pai-Nosso e o Creio.
Em ambos os casos, pedem-se as condições de costume: confissão sacramental, comunhão eucarística, oração nas intenções do Papa e disposição de afastar-se de todo pecado. Algumas dioceses divulgam orientações próprias a cada ano; confirme na sua paróquia.
Oração tradicional pelos falecidos
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Pode ser rezada diante do túmulo, ao fim do Terço ou sempre que você se lembrar de alguém que já partiu.
Oração pelos nossos falecidos
Oração por quem está de luto
Para rezar no cemitério
- Faça o sinal da cruz.
- Diga em voz baixa o nome da pessoa e agradeça a Deus pela vida dela.
- Reze um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.
- Termine com a oração “Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno”.
- Permaneça alguns instantes em silêncio antes de sair.
Em casa, você pode rezar o Terço do dia oferecendo cada dezena por um falecido da família, ou ler com calma o Salmo 130 (129), “Das profundezas clamo a vós, Senhor”.
Vigília da Fé