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Memória e testemunho

Santo do dia

Uma biografia breve, cronológica e conferida em fontes institucionais.

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Arte do Santo do dia, com cruz dourada sobre fundo azul

Santo do dia • 21 de setembro

São Mateus

Apóstolo e evangelista • Século I

Mateus era cobrador de impostos, provavelmente em Cafarnaum, quando Jesus o chamou. Marcos e Lucas dão a ele também o nome de Levi. Ele passou a seguir Jesus, entrou na lista dos Doze e, segundo a tradição mais antiga da Igreja, deixou o primeiro Evangelho. O que se conta de sua vida depois da Ascensão vem de tradições posteriores, e as fontes não concordam entre si sobre onde ele pregou nem sobre como morreu.

01

O caminho de santificação

O Vatican News lembra que Levi ofereceu um grande banquete a Jesus e que a presença de publicanos e pecadores à mesa escandalizou escribas e fariseus. Jesus respondeu que veio chamar os pecadores, e não os justos (cf. Mc 2,15-17). Mateus, um homem que a sociedade do seu tempo olhava com desprezo, foi chamado e deixou tudo.

Na audiência geral de 30 de agosto de 2006, Bento XVI explicou por que esse chamado era tão estranho aos olhos de todos. O publicano lidava com dinheiro tido por impuro e colaborava com uma autoridade estrangeira, cujos tributos podiam ser fixados de modo arbitrário. Para o Papa, a resposta imediata de Mateus quer dizer que ele abandonou o que lhe garantia lucro, muitas vezes injusto, e entrou numa vida nova, em comunhão com Jesus.

Dos anos seguintes, os Evangelhos não contam nada em particular sobre ele. Seu nome está em todas as listas dos Doze, e os Atos o incluem entre os apóstolos reunidos em Jerusalém depois da Ascensão (At 1,13). A santidade que a Igreja celebra neste dia é, antes de tudo, a de quem foi alcançado pela misericórdia e respondeu sem demora. O que vem depois pertence a tradições que o próprio Vatican News considera pouco críveis em alguns pontos.

02

Vida e reconhecimento, em ordem cronológica

  1. Século I

    O chamado

    Jesus vê Mateus sentado no posto de cobrança e o chama; ele se levanta e o segue (Mt 9,9). Marcos e Lucas contam a mesma cena e o chamam de Levi (Mc 2,14; Lc 5,27).

  2. Século I

    O banquete em sua casa

    Levi recebe Jesus e os discípulos, com publicanos e pecadores à mesa, e os fariseus protestam (Mc 2,15-17).

  3. Século I

    Entre os Doze

    Seu nome está em todas as listas dos apóstolos (Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13). Só o primeiro Evangelho acrescenta a ele o título de “o publicano”.

  4. c. 130

    Papias de Hierápolis

    Segundo Papias, citado por Eusébio, Mateus reuniu as palavras do Senhor em língua hebraica.

  5. Século IV

    Eusébio de Cesareia

    Eusébio escreve que Mateus pregou primeiro aos hebreus e que, ao partir para outros povos, deixou o Evangelho por escrito em sua língua materna.

  6. 21 set.

    Festa

    A Igreja celebra a festa de São Mateus, apóstolo e evangelista. A Enciclopédia Católica (1911) registra que a Igreja grega o celebra em 16 de novembro.

03

O que a Escritura diz

O Novo Testamento conta pouco sobre Mateus. Esta seção reúne só o que está nos textos bíblicos; as referências valem como indicação de leitura, sem citação do texto.

Dois nomes para o mesmo homem

O primeiro Evangelho conta o chamado de um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança (Mt 9,9). Marcos e Lucas relatam a mesma cena e dão a ele o nome de Levi (Mc 2,14; Lc 5,27). Bento XVI lembra que o nome Mateus significa em hebraico “dom de Deus”. A Enciclopédia Católica considera provável que Levi fosse o nome de origem e que Mateus fosse o nome pelo qual ele ficou conhecido entre os cristãos. A Escritura não explica por que o mesmo homem aparece com dois nomes.

O ofício e o lugar

Mateus era cobrador de impostos. Bento XVI observa que o relato vem logo depois de um episódio em Cafarnaum e perto do mar da Galileia, e daí se pode deduzir que ele cobrava ali. A Enciclopédia Católica diz que ele recolhia tributos para Herodes Antipas. Os publicanos eram tidos por pecadores públicos, porque lidavam com dinheiro considerado impuro e serviam a um poder estrangeiro.

O banquete e a resposta de Jesus

Depois do chamado houve uma refeição com publicanos e pecadores, e os fariseus se escandalizaram. Jesus respondeu que quem precisa de médico são os doentes e que ele veio chamar os pecadores (Mc 2,15-17). Bento XVI resume a cena numa frase: Jesus não exclui ninguém da própria amizade.

Entre os Doze

Mateus está em todas as listas dos apóstolos (Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15; At 1,13), em sétimo ou oitavo lugar, como nota a Enciclopédia Católica. Só o primeiro Evangelho o apresenta como “o publicano”. Os Atos o contam entre os apóstolos que, depois da Ascensão, voltaram a Jerusalém e perseveravam na oração com Nossa Senhora e os irmãos (At 1,13-14).

04

O Evangelho que a tradição lhe atribui

A autoria do primeiro Evangelho não vem da Escritura, mas da tradição antiga, que os testemunhos abaixo documentam.

O testemunho de Papias

Bento XVI recorda que a Igreja antiga concorda em atribuir a Mateus o primeiro Evangelho, já desde Papias, bispo de Hierápolis por volta do ano 130. Papias escreveu, segundo Eusébio de Cesareia, que Mateus reuniu as palavras do Senhor em língua hebraica e que cada um as interpretou como podia.

O testemunho de Eusébio

Eusébio acrescenta que Mateus pregou primeiro aos hebreus e que, quando decidiu ir a outros povos, escreveu o Evangelho na sua língua materna, para suprir por escrito a sua ausência. A Enciclopédia Católica cita também Ireneu, para quem Mateus pregou entre os hebreus, e Clemente de Alexandria, que fala em quinze anos de pregação ali.

Para quem o Evangelho foi escrito

O Vatican News explica que o Evangelho de Mateus se dirige a cristãos de origem judaica e mostra que Jesus é o Messias que cumpre as promessas do Antigo Testamento. O Martirológio Romano, na versão da Conferência Episcopal Italiana, diz o mesmo: Jesus Cristo, filho de Davi e filho de Abraão, leva a cumprimento a promessa do Antigo Testamento.

05

Missão e morte nas tradições posteriores

Tudo o que segue é tradição posterior à Escritura, e as fontes consultadas divergem.

Onde teria pregado

A Enciclopédia Católica diz que os escritores antigos não concordam sobre os países evangelizados por Mateus. Quase todos citam a Etiópia ao sul do mar Cáspio, e não a da África. Alguns falam também da Pérsia, do reino dos partos, da Macedônia e da Síria.

Como teria morrido

A Enciclopédia Católica afirma que Heracleão, citado por Clemente de Alexandria, negava que Mateus tivesse morrido mártir, mas que isso contraria todos os outros testemunhos antigos. A mesma obra reconhece que se discute o lugar e o tipo de suplício, e que não se sabe se foi queimado, apedrejado ou decapitado. O Vatican News vai em outra direção: diz que, segundo algumas fontes, Mateus morreu de causas naturais, e que as tradições que o levam à Etiópia são consideradas pouco críveis. A versão atual do Martirológio Romano, na CEI, não menciona o lugar nem a forma de sua morte.

Escritos que não são dele

A Enciclopédia Católica registra que o relato do martírio de Mateus nos escritos apócrifos gregos do chamado “Martírio de São Mateus no Ponto” não tem nenhum valor histórico. O mesmo vale para o texto latino “Do nascimento da bem-aventurada Maria e da infância do Salvador”, atribuído a Mateus: é uma adaptação do Protoevangelho de Tiago, composta no meio ou no fim do século VI.

06

Culto e relíquias

A festa

A Igreja latina celebra a festa de São Mateus em 21 de setembro. A Enciclopédia Católica (1911) informa que a Igreja grega o celebra em 16 de novembro.

As relíquias em Salerno

Segundo o Vatican News, as relíquias de Mateus estão na cripta da catedral de Salerno, onde o santo é festejado em 21 de setembro com uma solene procissão. As fontes consultadas não esclarecem como as relíquias chegaram até lá.

O símbolo do homem

Na tradição cristã, os quatro seres do Apocalipse (águia, boi, leão e homem) representam os evangelistas, e a Mateus corresponde o de aspecto humano, como explica o Vatican News. A Enciclopédia Católica descreve o símbolo como um homem alado.

07

O que as fontes deixam incerto

A língua do Evangelho

O Vatican News diz que o Evangelho de Mateus foi escrito, quase com certeza, em aramaico. Papias e Eusébio falam em língua hebraica. Bento XVI observa que o texto original, em hebraico ou aramaico, já não existe e que o Evangelho que a Igreja ouve é o grego, no qual se continua a ouvir a voz de Mateus. As fontes consultadas não dizem como o texto grego se relaciona com o que Mateus teria escrito.

O fim da vida

As fontes consultadas não permitem afirmar onde, quando e como Mateus morreu. A única afirmação comum é que ele foi um dos Doze e que o primeiro Evangelho está ligado ao seu nome.

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Fontes consultadas

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