
Santo do dia • 25 de setembro
São Cléofas
Discípulo de Emaús e testemunha do Ressuscitado • século I
Cléofas é o discípulo que Lucas nomeia entre os dois que, no dia da Ressurreição, caminhavam de Jerusalém para Emaús e encontraram Jesus sem reconhecê-lo (Lc 24,13-35). Do próprio Cléofas o Evangelho diz apenas o nome e as palavras que pronuncia. A Enciclopédia Católica é direta: não há dados confiáveis sobre ele além disso, e o nome consta do martirológio em 25 de setembro. Por isso, este perfil se apoia no texto de Lucas e no modo como a Igreja o lê, sem acrescentar uma biografia que as fontes não dão.
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O caminho de santificação
Em Lucas 24, dois discípulos deixam Jerusalém no mesmo dia em que o túmulo foi encontrado vazio. Conversam sobre tudo o que aconteceu, e Jesus se aproxima e caminha com eles, sem que o reconheçam. Quando ele pergunta o que os preocupa, é Cléofas quem responde (v. 18), espantado de que o forasteiro pareça ignorar os acontecimentos dos últimos dias em Jerusalém. A decepção aparece na frase que Bento XVI destaca no Regina Caeli de 6 de abril de 2008: «nós esperávamos» (Lc 24,21).
Bento XVI vê nesse drama um espelho da situação de muitos cristãos de hoje, em que a fé entra em crise. Ele sublinha que Jesus não se impõe: acompanha, escuta e explica as Escrituras. Os dois discípulos pedem ao viajante que fique com eles, e ele aceita. À mesa, ao partir o pão, os olhos deles se abrem, e Jesus desaparece da vista deles. O Papa associa o gesto à Eucaristia e à escuta da Palavra nas Escrituras, as duas partes da Missa, e afirma que Cristo parte o pão por nós e se entrega como nosso pão.
O que Lucas conta em seguida mostra a direção que a fé pascal dá aos passos. Os dois voltam a Jerusalém sem demora, encontram os Onze e os companheiros reunidos e contam o que lhes aconteceu no caminho e como reconheceram o Senhor ao partir o pão. A santidade de Cléofas, nas fontes, é a de quem escuta, pergunta, pede que o Senhor fique e depois anuncia aos irmãos.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- Dia da Ressurreição
O caminho
Cléofas e outro discípulo deixam Jerusalém para Emaús e conversam sobre a paixão de Jesus (Lc 24,13-14).
- No caminho
O forasteiro
Jesus se aproxima; Cléofas responde à pergunta dele e expressa a decepção dos dois (Lc 24,18-21).
- Ao entardecer
Fica conosco
Os discípulos pedem que o viajante fique; ao partir o pão, reconhecem Jesus (Lc 24,29-31).
- Na mesma hora
Volta a Jerusalém
Voltam ao grupo dos Onze e contam o que viveram (Lc 24,33-35).
- 25 de setembro
Memória
A Enciclopédia Católica registra o nome de Cléofas no martirológio em 25 de setembro.
03
Cléofas no Evangelho de Lucas
O único testemunho direto sobre Cléofas é Lc 24,13-35. O texto latino está disponível no site do Vaticano (Nova Vulgata) e o português deve ser lido na tradução litúrgica da CNBB.
Um nome, uma fala
Lucas dá o nome de apenas um dos dois discípulos. A Enciclopédia Católica explica que Cleopas é forma grega abreviada de Cleopatros. O outro discípulo não é nomeado, e o texto não diz de onde os dois eram nem quais eram suas ocupações.
Cléofas e Clopas
A Enciclopédia lembra que Cleopas (Lc 24,18) e Clopas (Jo 19,25) são nomes gregos diferentes, e diz que a identificação de Clopas com o semítico Alfeu é questão ainda aberta. Por isso, este perfil não identifica o discípulo de Emaús com o Clopas de Jo 19,25.
Onde fica Emaús
Bento XVI observa que a localidade de Emaús não foi identificada com certeza. Para ele, isso permite pensar que Emaús representa todos os lugares, e que o caminho de Emaús é o caminho de todo cristão. As fontes consultadas aqui não decidem entre as localizações propostas.
04
A memória de 25 de setembro
No martirológio
A Enciclopédia Católica diz que o nome de Cléofas está inscrito no martirológio em 25 de setembro e remete aos Acta Sanctorum. O verbete avisa que não há dados confiáveis sobre a vida dele e foi escrito em 1908.
O que a Igreja reza com Emaús
Na leitura de Bento XVI, o episódio liga a Palavra e a Eucaristia: o Senhor explica as Escrituras e se dá a conhecer ao partir o pão. A memória de Cléofas aponta, assim, para a Missa.
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