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Memória e testemunho

Santo do dia

Uma biografia breve, cronológica e conferida em fontes institucionais.

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Arte do Santo do dia, com cruz dourada sobre fundo azul

Santo do dia • 2 de novembro

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos

Dia de oração pelos que morreram • Comemoração do Calendário Romano Geral

No dia seguinte à solenidade de Todos os Santos, a Igreja reza por todos os fiéis que morreram e ainda precisam de purificação para entrar na alegria do céu. A prática se apoia na Escritura e na oração pelos mortos que os cristãos conhecem desde cedo, e ganhou dia próprio na Idade Média, a partir de Cluny. O Catecismo (n. 1030 a 1032) ensina que a Igreja ajuda os falecidos sobretudo com a Eucaristia. O Vatican News resume o sentido do dia: o destino do ser humano não é voltar ao pó, mas chegar à visão eterna de Deus.

01

O caminho de santificação

O Catecismo ensina que os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas ainda imperfeitamente purificados, estão seguros da salvação eterna e passam, depois da morte, por uma purificação para alcançar a santidade necessária à alegria do céu (n. 1030). A Igreja chama de purgatório essa purificação final dos eleitos, que é diferente do castigo dos condenados, e formulou essa doutrina sobretudo nos concílios de Florença e de Trento (n. 1031). O Catecismo cita ainda uma passagem de Gregório Magno, sobre a possibilidade de certas faltas serem perdoadas no século futuro. A comemoração do dia 2 de novembro é o momento em que a Igreja medita e reza por essa verdade.

O fundamento da oração pelos mortos está na própria Escritura. O Catecismo (n. 1032) cita 2Mc 12,46, onde Judas Macabeu manda oferecer um sacrifício pelos que morreram, para que fossem livres do pecado. Desde o início, afirma o Catecismo, a Igreja honra a memória dos mortos e oferece orações em favor deles, sobretudo o sacrifício eucarístico. Também recomenda esmolas, indulgências e obras de penitência em favor dos falecidos, e lembra a exortação de São João Crisóstomo de ajudá-los e de rezar por eles, como Jó fez por seus filhos. O Vatican News parte de Jo 6,37-40, em que Jesus diz que a vontade do Pai é não perder nenhum dos que lhe foram dados e ressuscitá-los no último dia.

O Papa Bento XVI, na audiência de 2 de novembro de 2011, recorda que rezar nos cemitérios é uma forma de viver o artigo do Credo sobre a comunhão dos santos. Citando o Evangelho de João, em que Jesus se diz a ressurreição e a vida, o Papa lembra que a morte iluminada pela Ressurreição é um caminho de esperança, porque por trás do presente não existe o nada. O Vatican News acrescenta que o dia não é só recordação de quem partiu: é um convite a confiar em Deus, que não esquece ninguém, e a rezar para que os falecidos alcancem a visão eterna dele.

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Vida e reconhecimento, em ordem cronológica

  1. Século II

    Oração pelos mortos

    O Vatican News registra indícios de que os cristãos rezavam e celebravam a Eucaristia pelos mortos no terceiro dia depois do sepultamento, no aniversário da morte e no sétimo e no trigésimo dia.

  2. Século VI

    Mosteiros beneditinos

    A Enciclopédia Católica diz que os mosteiros beneditinos faziam, em Pentecostes, a comemoração dos monges falecidos.

  3. 809

    Amalário de Metz

    Segundo o Vatican News, o bispo Amalário de Metz insere a memória dos falecidos no dia seguinte a Todos os Santos.

  4. 998 ou depois de 1030

    Odilo de Cluny

    O Vatican News dá 998 para a decisão de Odilo; a Enciclopédia Católica considera que a data provavelmente foi depois de 1030.

  5. 1915

    Bento XV

    O Vatican News registra que o Papa permitiu aos sacerdotes celebrar várias Missas nesse dia, com intenção própria em apenas uma delas.

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O que a Escritura e o Magistério ensinam

As referências abaixo são resumos do Catecismo e do Vatican News, sem citação de tradução bíblica.

Judas Macabeu (2Mc 12)

O Catecismo (n. 1032) apoia a oração pelos mortos no gesto de Judas Macabeu, que fez oferecer sacrifício para que os soldados mortos fossem libertados do pecado. Esse texto sustenta a prática judaica e cristã de rezar pelos falecidos.

Cristo, ressurreição e vida

O Vatican News parte de Jo 6,37-40: a vontade do Pai é que Jesus não perca nenhum dos que lhe foram dados. Bento XVI recorda Jo 11,25-26, em que Jesus afirma ser a ressurreição e a vida, e Lc 23,43, a promessa ao bom ladrão. A esperança cristã diante da morte nasce dessas palavras de Cristo.

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Da oração antiga ao dia 2 de novembro

Os primeiros séculos

Segundo o Vatican News, desde o século II há indícios de oração e de Eucaristia pelos mortos em datas fixas depois do sepultamento. A Enciclopédia Católica lembra que os irmãos falecidos eram registrados nos dípticos da Igreja. No século VI, os mosteiros beneditinos recordavam em Pentecostes os monges mortos, e na Espanha do tempo de Santo Isidoro havia observância semelhante no sábado antes da Sexagésima ou de Pentecostes.

Odilo e Cluny

O Vatican News afirma que, por ordem do abade Odilo de Cluny, em 998 o dia 2 de novembro foi fixado em todos os mosteiros sob a jurisdição dele. A Enciclopédia Católica considera que Odilo não instituiu a comemoração em 998 e a situa provavelmente depois de 1030. As fontes divergem, e o perfil mantém as duas datas sem escolher uma. A mesma Enciclopédia diz que o costume se espalhou para outras congregações beneditinas e para os cartuxos e foi logo adotado em toda a Igreja.

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Como a Igreja celebra

O Ofício e a Missa

A Enciclopédia Católica, de 1912, diz que o clero recitava o Ofício dos Defuntos e que as Missas eram de Réquiem. Segundo essa fonte, quando o dia 2 caía em domingo, a comemoração passava para o dia 3. As fontes consultadas não descrevem a regra atual, e este perfil não afirma nada sobre ela.

Mais de uma Missa

O Vatican News registra que, em 1915, Bento XV permitiu que todos os sacerdotes celebrassem várias Missas nesse dia, com a intenção de aplicação em apenas uma. A Enciclopédia, anterior a 1915, diz que na Espanha, em Portugal e na América Latina já se celebravam três Missas e não atribui o costume a nenhum Papa. As fontes consultadas não confirmam que a concessão de Bento XV tenha sido de três Missas.

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O que as fontes deixam em aberto

A data de Odilo

O Vatican News e a Enciclopédia divergem sobre o ano da decisão de Odilo. A Enciclopédia, em outro artigo, afirma que a data provavelmente não foi 998, mas posterior a 1030; as fontes consultadas não trazem o documento original de Odilo.

O Papa Bento XV

As fontes consultadas confirmam a permissão de celebrar várias Missas em 1915, mas não trazem o texto do documento nem a data exata. A permissão de três Missas e o documento Incruentum altaris não foram conferidos aqui.

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Fontes consultadas

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