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Devoções
5 de novembro a 8 de dezembro

Consagração a Nossa Senhora

O caminho de 33 dias ensinado por São Luís Maria Grignion de Montfort para entregar-se inteiramente a Jesus pelas mãos de Maria.

Ver os 33 diasFórmula de consagração
Nossa Senhora de mãos postas, sobre as nuvens e a lua, com uma coroa de estrelas

O que é a consagração

São Luís Maria Grignion de Montfort (1673–1716), sacerdote francês, ensinou no seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem um caminho para viver com mais fidelidade as promessas do Batismo: entregar-se inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos de Maria, assim como o próprio Filho de Deus quis vir a nós por meio dela.

Ele chama essa entrega de “santa escravidão de amor”. A palavra é forte de propósito: quem se consagra não guarda nada para si, nem mesmo o mérito das boas obras, e confia a Nossa Senhora o cuidado de tudo. São João Paulo II tirou dessa espiritualidade o lema do seu pontificado, Totus tuus, “todo teu”.

Os 33 dias até a Imaculada Conceição

São Luís propõe doze dias para se desapegar do espírito do mundo e três semanas para se encher de Jesus Cristo por meio da Virgem Maria. Começando em 5 de novembro, a consagração cai em 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição.

12 dias · 5 a 16 de novembro

Esvaziar-se do espírito do mundo. São Luís pede ao menos doze dias para se desapegar daquilo que, no modo de pensar do mundo, é contrário a Jesus Cristo: a busca de aparência, de conforto a qualquer preço, de aprovação dos outros.

Para fazer: Leia cada dia um trecho do Sermão da Montanha (Mt 5–7) e pergunte: onde eu penso mais como o mundo do que como o Evangelho?

Orações. Sugestão do site: Vinde, Espírito Santo, a Ave-Maria e o Magnificat (Lc 1,46-55).

1ª semana · 17 a 23 de novembro

Conhecer a si mesmo. Toda a oração da semana pede o conhecimento de si mesmo e o arrependimento dos pecados, em espírito de humildade. São Luís sugere repetir: Senhor, que eu veja (cf. Lc 18,41).

Para fazer: Faça com calma o exame de consciência e marque a sua confissão para a terceira semana.

Orações. Indicadas por São Luís: a Ladainha do Espírito Santo e o hino Ave, Estrela do Mar. Durante o dia, repita: Vinde, Espírito Santo.

2ª semana · 24 a 30 de novembro

Conhecer Nossa Senhora. Agora o pedido é conhecer a Santíssima Virgem: o seu lugar no plano de Deus, a sua fé, a sua maternidade. São Luís acrescenta o Terço todos os dias.

Para fazer: Leia as passagens do Evangelho em que Maria aparece: Lc 1–2, Jo 2,1-11 e Jo 19,25-27.

Orações. Indicadas por São Luís: as da semana anterior e o Terço todos os dias. Se quiser, acrescente a Ladainha de Nossa Senhora.

3ª semana · 1º a 7 de dezembro

Conhecer Jesus Cristo. A última semana é para conhecer Jesus. São Luís sugere repetir com Santo Agostinho: Senhor, que eu vos conheça.

Para fazer: Leia cada dia um capítulo da Paixão (Jo 13–19). Confesse-se nesta semana.

Orações. Indicadas por São Luís: as das semanas anteriores e a Ladainha do Santo Nome de Jesus.

8 de dezembro · Imaculada Conceição

No fim das três semanas, São Luís pede que a pessoa se confesse e comungue com a intenção de se entregar a Jesus Cristo pelas mãos de Maria. Depois da Comunhão, reza a fórmula de consagração, que deve escrever ou mandar escrever e assinar no mesmo dia.

Ele sugere também oferecer nesse dia algum pequeno tributo a Jesus e a Maria: um jejum, uma mortificação, uma esmola, uma vela. Basta que seja dado de bom coração.

Se perder esta data, escolha outra festa de Nossa Senhora e comece 33 dias antes. A consagração se renova todo ano, no mesmo dia, com as mesmas práticas durante três semanas.

As orações do caminho

São Luís indica, para as três semanas, a Ladainha do Espírito Santo e o hino Ave, Estrela do Mar (Ave maris stella), que estão nos livros de oração. No site você encontra:

Fórmula de consagração

Esta é a fórmula de São Luís para o dia da consagração. Onde está “N.”, diga o seu nome.

Ó Sabedoria eterna e encarnada! Ó amabilíssimo e adorável Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Filho único do Pai eterno e de Maria sempre virgem: eu vos adoro profundamente no seio e nos esplendores do vosso Pai, desde toda a eternidade, e no seio virginal de Maria, vossa digníssima Mãe, no tempo da vossa encarnação. Eu vos dou graças porque vos aniquilastes a vós mesmo, tomando a forma de escravo, para me tirar da cruel escravidão do demônio. Eu vos louvo e glorifico porque quisestes submeter-vos em tudo a Maria, vossa santa Mãe, para fazer de mim, por meio dela, o vosso escravo fiel. Mas, ai de mim, ingrato e infiel como sou, não cumpri as promessas que tão solenemente vos fiz no meu Batismo; não cumpri as minhas obrigações; não mereço ser chamado vosso filho nem vosso escravo. E, como não há nada em mim que não mereça a vossa rejeição e a vossa ira, não ouso mais, por mim mesmo, aproximar-me da vossa santíssima e augusta Majestade. Por isso recorro à intercessão da vossa santíssima Mãe, que me destes como medianeira junto de vós. É por meio dela que espero obter de vós a contrição e o perdão dos meus pecados, e a aquisição e a conservação da sabedoria. Eu vos saúdo, pois, ó Maria imaculada, tabernáculo vivo da divindade, onde a Sabedoria eterna escondida quer ser adorada pelos anjos e pelos homens. Eu vos saúdo, ó Rainha do céu e da terra, a cujo império está submetido tudo o que está abaixo de Deus. Eu vos saúdo, ó refúgio seguro dos pecadores, cuja misericórdia não falta a ninguém. Atendei o desejo que tenho da divina sabedoria e recebei para isso as promessas e as ofertas que a minha pequenez vos apresenta. Eu, N., pecador infiel, renovo e ratifico hoje em vossas mãos as promessas do meu Batismo. Renuncio para sempre a Satanás, às suas pompas e às suas obras, e me dou inteiramente a Jesus Cristo, a Sabedoria encarnada, para levar a minha cruz atrás dele todos os dias da minha vida e para lhe ser mais fiel do que fui até agora. Eu vos escolho hoje, na presença de toda a corte celeste, por minha Mãe e Senhora. Entrego-vos e consagro-vos, como escravo, o meu corpo e a minha alma, os meus bens interiores e exteriores e o próprio valor das minhas boas obras passadas, presentes e futuras, deixando-vos inteiro e pleno direito de dispor de mim e de tudo o que me pertence, sem exceção, segundo o vosso agrado, para a maior glória de Deus, no tempo e na eternidade. Recebei, ó Virgem benigna, esta pequena oferta da minha escravidão, em honra e em união com a submissão que a Sabedoria eterna quis ter à vossa maternidade; em homenagem ao poder que ambos tendes sobre este pequeno verme e miserável pecador; e em ação de graças pelos privilégios com que a Santíssima Trindade vos favoreceu. Declaro que quero, de agora em diante, como vosso verdadeiro escravo, procurar a vossa honra e obedecer-vos em todas as coisas. Ó Mãe admirável, apresentai-me ao vosso querido Filho como escravo para sempre, para que, tendo-me resgatado por vós, por vós me receba. Ó Mãe de misericórdia, alcançai-me a graça de obter a verdadeira sabedoria de Deus e de ser contado, para isso, entre aqueles que amais, ensinais, conduzis, alimentais e protegeis como vossos filhos e vossos escravos. Ó Virgem fiel, tornai-me em todas as coisas um discípulo, imitador e escravo tão perfeito da Sabedoria encarnada, Jesus Cristo, vosso Filho, que eu chegue, por vossa intercessão e a vosso exemplo, à plenitude da sua idade na terra e da sua glória no céu. Amém.

Tradução do Vigília da Fé a partir do original francês de São Luís Maria Grignion de Montfort, publicado ao fim do Tratado.

Depois da consagração

São Luís diz que a consagração pode ser renovada todos os meses e até todos os dias, com poucas palavras:

Sou todo vosso, e tudo o que tenho vos pertence, ó meu amável Jesus, por Maria, vossa santa Mãe.

Ele recomenda ainda a “coroinha” de Nossa Senhora (três Pai-Nossos e doze Ave-Marias, em honra dos privilégios de Maria) e o costume de fazer todas as coisas por Maria, com Maria, em Maria e para Maria, a fim de fazê-las mais perfeitamente por Jesus, com Jesus, em Jesus e para Jesus.