Como usar este exame
O exame de consciência é um momento de oração, não de tortura. Comece pedindo luz ao Espírito Santo: “Senhor, iluminai-me para que eu me veja como Vós me vedes”. Depois percorra as perguntas com calma, uma de cada vez, e anote o que for preciso para não esquecer na hora de se confessar.
As perguntas seguem os Dez Mandamentos e os preceitos da Igreja, como no Catecismo. Não é preciso responder a todas, nem confessar tudo o que aparecer aqui: confesse o que realmente pesa na sua consciência. Se uma pergunta não se aplica à sua vida, passe adiante. Se você tem escrúpulos e se angustia com tudo, converse com o seu confessor.
Pecado grave e pecado leve
Para que um pecado seja mortal, são necessárias três condições ao mesmo tempo: matéria grave, plena consciência e consentimento deliberado (Catecismo, n. 1857). Os pecados graves precisam ser confessados com o número aproximado de vezes e as circunstâncias que mudam a gravidade (n. 1456). Os pecados leves (veniais) não precisam ser todos confessados, mas a Igreja recomenda confessá-los (n. 1458). Na dúvida sobre a gravidade, diga ao padre: ele ajuda.
Antes de começar
- Já escondi ou calei de propósito algum pecado grave numa confissão anterior? Se sim, isso precisa ser dito primeiro.
- Cumpri a penitência que o sacerdote me deu?
- Examino a minha consciência com seriedade, ou só por costume?
1º mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas
- Tenho rezado todos os dias, ou deixei a oração para quando sobra tempo?
- Coloquei alguém ou alguma coisa (dinheiro, trabalho, prazer, uma pessoa, o celular) no lugar de Deus?
- Duvidei da fé de propósito, ou a escondi por vergonha ou medo do que pensariam de mim?
- Procurei conhecer melhor a minha fé: o Evangelho, o Catecismo, a doutrina da Igreja?
- Recorri a horóscopo, tarô, cartomante, mesa branca, simpatia ou a qualquer prática de adivinhação ou magia?
- Participei de cultos ou grupos que se opõem à fé católica, de modo que a pusessem em risco?
- Desconfiei da misericórdia de Deus, achando que meu pecado não tem perdão? Ou abusei dela, pecando porque “Deus perdoa”?
- Recebi um sacramento de modo irreverente ou sem estar preparado?
Catecismo, n. 2083–2141.
2º mandamento: Não pronunciar o nome de Deus em vão
- Usei o nome de Deus, de Jesus, de Maria ou dos santos com leviandade, em piadas ou na raiva?
- Blasfemei ou me revoltei contra Deus?
- Jurei em falso ou jurei sem necessidade?
- Deixei de cumprir uma promessa ou um voto feito a Deus?
- Falei com desrespeito das coisas sagradas, da Igreja ou dos sacerdotes?
Catecismo, n. 2142–2167.
3º mandamento: Guardar domingos e festas
- Faltei à Missa de domingo ou de festa de guarda sem motivo sério?
- Cheguei muito atrasado, saí antes do fim ou participei distraído de propósito?
- Trabalhei ou fiz trabalhar sem necessidade, a ponto de não ter tempo para Deus e para a família?
- Fiz do domingo só um dia de consumo e diversão, sem descanso e sem oração?
- Comunguei estando em pecado grave, sem me confessar antes?
Catecismo, n. 2168–2195.
4º mandamento: Honrar pai e mãe
- Desrespeitei meus pais ou os deixei sozinhos, mesmo podendo ajudar?
- Se tenho filhos: cuidei deles, de sua educação, de sua formação na fé e do meu exemplo?
- Tratei mal meu cônjuge ou fui infiel aos compromissos do casamento?
- Fui desobediente ou desrespeitoso com quem tem autoridade legítima (professores, chefes, autoridades)?
- Se tenho autoridade (em casa, no trabalho): abusei dela, fui injusto ou negligente?
- Deixei de cumprir deveres de cidadão: votar com consciência, pagar tributos, respeitar as leis justas?
Catecismo, n. 2196–2257.
5º mandamento: Não matar
- Fiz mal a alguém no corpo, por violência, brigas ou imprudência no trânsito?
- Guardei ódio, desejo de vingança, ressentimento ou me recusei a perdoar?
- Humilhei, ameacei, xinguei ou tratei alguém com desprezo?
- Fui cúmplice de aborto, de eutanásia ou de qualquer atentado contra a vida, aconselhando-o, pagando-o ou calando-me?
- Prejudiquei minha saúde com excesso de bebida, de comida, drogas ou vícios?
- Dei mau exemplo que levou alguém a pecar (escândalo)?
Catecismo, n. 2258–2330.
6º mandamento: Não pecar contra a castidade
- Cedi a pensamentos e desejos impuros, alimentando-os de propósito?
- Vi ou busquei pornografia ou conteúdo que me leva à impureza?
- Pequei sozinho ou com outra pessoa contra a castidade? Há quanto tempo, e com que frequência?
- Se sou casado: fui fiel? Cuidei do meu cônjuge ou o usei para o meu prazer?
- Se sou solteiro ou namoro: vivi o namoro com respeito, ou fui ocasião de pecado para o outro?
- Fui imodesto no modo de olhar, de falar ou de me vestir, a ponto de provocar o pecado?
- Se sou casado: vivi a abertura à vida e o amor conjugal segundo o ensinamento da Igreja, sem recorrer à contracepção ou à esterilização (Catecismo, n. 2366–2372)?
Catecismo, n. 2331–2400.
7º mandamento: Não roubar
- Furtei, fiquei com o que não era meu ou não devolvi o que peguei emprestado ou achei?
- Deixei de pagar o que devo (dívidas, salário justo, impostos)?
- Fui desonesto no trabalho ou nos negócios, prejudicando clientes, patrões ou colegas?
- Pirateei, copiei ou usei o que não me pertence sem autorização?
- Desperdicei dinheiro, tempo ou bens, fui avarento ou me neguei a ajudar quem passa necessidade?
- Ajudei os pobres segundo as minhas possibilidades?
Catecismo, n. 2401–2463.
8º mandamento: Não levantar falso testemunho
- Menti, enganei ou escondi a verdade para me favorecer ou para prejudicar alguém?
- Falei mal dos outros (maledicência), inventei ou espalhei boatos (calúnia)?
- Revelei segredos que não devia ou espalhei erros dos outros sem necessidade?
- Julguei os outros com precipitação e pensei mal sem ter motivo?
- Se prejudiquei a fama de alguém, tentei reparar o dano?
- Fui falso ou hipócrita, mostrando uma coisa e vivendo outra?
Catecismo, n. 2464–2513.
9º e 10º mandamentos: Não desejar a mulher do próximo e não cobiçar as coisas alheias
- Cobicei a pessoa de outro, desejando-a com o coração?
- Alimentei inveja pelo que os outros têm, são ou conseguiram?
- Fiquei triste com o bem do outro, ou me alegrei com o mal dele?
- Vivi preso ao dinheiro e ao consumo, achando que a felicidade vem das coisas?
- Guardei o coração, vigiando olhos, imaginação e pensamentos?
Catecismo, n. 2514–2557.
Os cinco preceitos da Igreja
- Participei da Missa aos domingos e nas festas de guarda? (1º preceito)
- Confessei os meus pecados graves ao menos uma vez por ano? (2º preceito)
- Comunguei ao menos uma vez por ano, pela Páscoa, em estado de graça? (3º preceito)
- Guardei os dias de jejum e de abstinência, como a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, e a penitência das sextas-feiras? (4º preceito)
- Ajudei a Igreja nas suas necessidades materiais, conforme as minhas possibilidades? (5º preceito)
Catecismo, n. 2041–2043.
Os pecados de omissão
Pecamos também pelo bem que deixamos de fazer.
- Deixei de fazer o bem que podia e devia fazer?
- Ignorei quem precisava de mim: um doente, um idoso, um pobre, um familiar?
- Deixei de perdoar ou de pedir perdão?
- Adiei a confissão ou a Missa por preguiça?
- Faltei aos meus deveres de estado (de pai, mãe, filho, esposo, estudante, profissional)?
Depois do exame
- Arrependa-se. Dor sincera por ter ofendido a Deus, com a decisão de não pecar mais e de evitar as ocasiões de pecado (Catecismo, n. 1451–1453).
- Confesse-se a um sacerdote, dizendo os pecados com simplicidade. Veja o passo a passo em Como se confessar.
- Cumpra a penitência e agradeça a Deus pelo perdão.
Reze o ato de contrição, que está em Como se confessar e em Orações.
E para as crianças?
Há um exame próprio, com perguntas na linguagem delas: Exame de consciência para crianças.
Material preparado a partir do Catecismo da Igreja Católica (n. 1450–1460, 1776–1794, 1857–1859, 2041–2043 e 2052–2557). Não substitui o sacerdote: ele é quem ajuda a discernir e dá a absolvição.