
Festa: 13 de outubro
São Eduardo, o Confessor
Rei da Inglaterra lembrado pela fé e pela justiça • c. 1002–1066
Eduardo passou grande parte da juventude no exílio, na Normandia, e tornou-se rei da Inglaterra em 1042, depois da morte de Hardeknut. Governou em tempo relativamente pacífico, aliviou impostos, deu esmolas e substituiu a peregrinação a Roma, que não pôde fazer, pela reconstrução da abadia de São Pedro em Westminster, onde foi sepultado. Foi canonizado por Alexandre III em 1161, e a festa de 13 de outubro lembra a trasladação de seu corpo, em 1163.
01
O caminho de santificação
A Enciclopédia Católica descreve um homem formado pelo infortúnio. Filho do rei Etelredo II e de Ema, filha do duque Ricardo da Normandia, Eduardo foi mandado ainda criança para a corte do tio, na Normandia, enquanto os dinamarqueses dominavam a Inglaterra. Ali cresceu, segundo o artigo, devotado à Missa, ao Ofício e à companhia de religiosos. O texto resume a lição dessa época dizendo que o infortúnio precoce lhe ensinou a insensatez da ambição. É uma leitura do autor de 1909, não uma declaração do próprio Eduardo, mas combina com o que se sabe do reinado.
Quando assumiu o trono, a Enciclopédia diz que o rei foi aclamado até pelos colonos dinamarqueses. Casou-se, a pedido dos nobres, com Edite, filha do conde Godwin, depois de exigir dela o consentimento para viverem como irmãos, por causa de um voto de castidade que fizera. O artigo acrescenta que ele aboliu o Danegeld, imposto cobrado sem necessidade, e que sustentou os pobres e as obras religiosas com os próprios bens, sem criar tributos novos. As fontes consultadas não dão a data do casamento.
A santidade de Eduardo aparece, portanto, no exercício comum do poder: paz mantida sem derramamento de sangue, leis que o povo continuou pedindo que fossem restauradas e atenção aos necessitados. Não se trata de uma vida sem sombras. A mesma Enciclopédia lembra que a ambição de Godwin e de seus filhos foi contida sem guerra, o que sugere um rei prudente. Quem governa, em casa ou no trabalho, pode aprender com ele que autoridade e fé não se confundem, mas que a autoridade cristã se mede pelo cuidado dos mais fracos.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- c. 1002–1005
Nascimento
Nasce em Islip, filho de Etelredo II e de Ema da Normandia. A Enciclopédia Católica dá o ano de 1003; as fontes consultadas não esclarecem o dia, e o ano exato é incerto.
- c. 1013
Exílio na Normandia
Aos dez anos de idade, aproximadamente, é enviado com o irmão Alfredo à corte do duque da Normandia.
- 1042
Rei da Inglaterra
Com a morte súbita de Hardeknut, é aclamado rei, aos quarenta anos de idade, segundo a Enciclopédia Católica.
- 1065
Dedicação da igreja de Westminster
O coro e os transeptos da nova igreja são terminados e consagrados poucos dias antes da morte do rei.
- 5 jan. 1066
Morte
Morre e é sepultado na abadia de Westminster.
- 1161 e 13 out. 1163
Canonização e trasladação
Alexandre III o canoniza em 1161; em 13 de outubro de 1163, São Tomás de Canterbury traslada solenemente seu corpo, na presença de Henrique II.
03
O reinado e o voto de peregrinação
Paz e leis
Segundo a Enciclopédia Católica, o reinado foi em grande parte pacífico. Uma invasão ameaçada por Sweyn da Noruega foi evitada quando Sweyn da Dinamarca o atacou, e Eduardo guerreou apenas para repelir uma incursão galesa e para ajudar Malcolm III da Escócia contra Macbeth. O artigo diz que as "boas leis de Santo Eduardo" foram tão estimadas que gerações posteriores exigiram repetidamente sua reedição quando se sentiam oprimidas. Trata-se de uma memória popular das leis, e o artigo não descreve o conteúdo delas.
O voto e a abadia
A Enciclopédia relata que Eduardo havia prometido peregrinar ao túmulo de São Pedro, em Roma, mas não podia deixar o reino sem prejuízo do povo. O papa comutou o voto na condição de que ele construísse ou restaurasse uma abadia em honra de São Pedro, o que ele cumpriu em Westminster, sendo abade, na época, seu amigo Edwin. Segundo o artigo sobre Westminster na mesma Enciclopédia, os edifícios antigos foram demolidos para dar lugar ao novo coro e aos transeptos, terminados e consagrados em 1065, poucos dias antes da morte do rei. O dia exato da consagração não consta das fontes católicas consultadas.
04
A fama de santidade e a cura dos doentes
O toque contra a escrófula
A Enciclopédia Católica diz que Eduardo foi o primeiro rei inglês a tocar os doentes de escrófula, o chamado mal do rei, e que muitos teriam sido curados. Convém ler a afirmação como o artigo a apresenta: um testemunho da fama que o rei teve depois da morte, e não um fato atestado por documentos contemporâneos citados no texto.
A morte e o sepultamento
Eduardo morreu em 5 de janeiro de 1066, poucos dias depois da consagração da igreja que mandara construir, e foi sepultado nela. A Enciclopédia não nomeia o sucessor nem descreve o primeiro túmulo, e as fontes consultadas não informam em que lugar exato ele morreu.
05
A canonização e a trasladação de 1163
Canonização
A Enciclopédia Católica registra que o papa Alexandre III o canonizou em 1161. Não há, nas fontes consultadas, a data do dia.
Trasladação e festa
A festa de 13 de outubro lembra o dia em que, em 1163, São Tomás de Canterbury trasladou solenemente o corpo de Eduardo, que a Enciclopédia descreve como incorrupto, na presença do rei Henrique II. É a data que o calendário conserva. O artigo sobre Westminster acrescenta que a nave da igreja só foi terminada por volta de 1163, quando as relíquias foram trasladadas.
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