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Santos e beatos

Biografias escritas pelo Vigília da Fé e conferidas em fontes institucionais.

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Arte do Santo do dia, com cruz dourada sobre fundo azul

Festa: 13 de setembro

São João Crisóstomo

Bispo e Doutor da Igreja • c. 349–407

João nasceu em Antioquia, na Síria, foi pregador da Escritura e, a partir de 397, bispo de Constantinopla. O nome Crisóstomo, que quer dizer boca de ouro, lembra a eloquência com que explicava a Bíblia, defendia os pobres e exigia coerência de clérigos e ricos. Deposto em 403 por um sínodo promovido por Teófilo de Alexandria, foi exilado e morreu em 14 de setembro de 407, a caminho de um novo lugar de degredo, em Comana, no Ponto.

01

O caminho de santificação

Bento XVI, na catequese de 19 de setembro de 2007, conta que João foi criado pela mãe, Antusa, que lhe deu fé profunda, depois de ficar órfão de pai ainda pequeno. Estudou retórica com o pagão Libânio, foi batizado em 368 e passou a viver a ascese na comunidade de Antioquia, sob a orientação de Diodoro de Tarso. Viveu depois alguns anos como eremita no monte Sílpio, adoeceu e voltou à cidade. Ele mesmo afirmou preferir o serviço pastoral à vida monástica.

Ordenado diácono em 381 e presbítero em 386, tornou-se pregador célebre. Em 387, na crise da revolta das estátuas, proferiu homilias de penitência e conversão que a tradição guardou. Bento XVI destaca que, para ele, o conhecimento da verdade tem de se traduzir em vida reta, e que a palavra de Deus se dirige a todos, não só a monges e a letrados. Deixou comentários sobre Mateus e sobre as cartas de São Paulo, nascidos de uma pregação diária.

Como bispo da capital imperial, a partir de 397, tornou-se reformador. Segundo Bento XVI, pediu austeridade ao clero, aos monges, às viúvas e aos ricos, e criou instituições de caridade. Para ele, não bastava dar esmola; era preciso uma estrutura social que respeitasse a dignidade de cada pessoa, inclusive do escravo e do pobre. Foi também um pastor da liturgia, que ele quis esplêndida e participada. A frase “Glória a Deus por tudo”, que Bento XVI cita ao fim da catequese de 26 de setembro, são, segundo a Enciclopédia Católica, as suas últimas palavras, registradas em grego.

02

Vida e reconhecimento, em ordem cronológica

  1. c. 349 (ou c. 347)

    Nascimento

    Nasce em Antioquia. Bento XVI dá c. 349; a Enciclopédia Católica, c. 347.

  2. 368

    Batismo

    Segundo Bento XVI, é batizado; a Enciclopédia Católica diz apenas que o batismo ocorreu cerca de três anos depois do encontro com o bispo Melécio, por volta de 367.

  3. 381 e 386

    Diácono e presbítero

    Ordenado diácono em 381 (data dada como muito provável pela Enciclopédia Católica) e presbítero em 386.

  4. 387

    Revolta das estátuas

    Prega a série de homilias sobre as estátuas, depois do tumulto contra o imperador Teodósio.

  5. 397–398

    Bispo de Constantinopla

    Nomeado em 397; a Enciclopédia Católica informa que foi consagrado em 26 de fevereiro de 398, por Teófilo de Alexandria.

  6. 403

    Deposição

    Teófilo de Alexandria promove um sínodo que depõe João; o exílio é ordenado e, depois, interrompido.

  7. 404

    Segundo exílio

    Segundo a Enciclopédia Católica, o segundo exílio é ordenado em 404 e executado em 24 de junho daquele ano.

  8. 14 set. 407

    Morte

    Morre em Comana, no Ponto, a caminho de um novo lugar de exílio.

  9. 27 jan. 438

    Traslado

    Seus restos são levados a Constantinopla, para a igreja dos Apóstolos, segundo a Enciclopédia Católica.

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O pregador de Antioquia

Formação e vocação

A Enciclopédia Católica registra que o pai de João, Segundo, oficial do exército, morreu logo depois de seu nascimento, e que a mãe, Antusa, viúva aos 20 anos, criou ele e a irmã mais velha. Estudou com Andrágato e com o orador pagão Libânio. A Enciclopédia afirma que a ideia de que João teria sido hostil à cultura clássica é um mal-entendido. Por volta de 367 conheceu o bispo Melécio e voltou-se à vida ascética; foi batizado cerca de três anos depois e instituído leitor.

Pregação diária

Entre 386 e 398, aproximadamente, João pregou comentários consecutivos às Escrituras. As homilias sobre as estátuas, de 387, nasceram do medo que tomou a cidade depois do tumulto contra o imperador Teodósio e mostram um pregador que sabe consolar e também exigir conversão. Bento XVI diz que ele preparava catecúmenos para o Batismo e que seus sermões acompanhavam a vida inteira do fiel, da infância ao matrimônio, chamando a família de “pequena Igreja”.

04

Bispo de Constantinopla e exílio

A reforma

Com a morte de Nectário em 27 de setembro de 397, João foi chamado a governar a Igreja da capital. A Enciclopédia diz que ele impôs austeridade à própria casa, disciplina ao clero e atenção aos monges e às viúvas, e criticou o luxo das elites. Bento XVI acrescenta que foi chamado de “Esmoler” por sua atenção aos pobres. A Enciclopédia situa o rompimento com a imperatriz Eudóxia por volta de 401, mas afirma que é impossível determinar com exatidão quando começou.

Deposição e morte

Em junho de 403, Teófilo de Alexandria chegou a Constantinopla com 29 bispos sufragâneos e promoveu o sínodo que depôs João. Pouco depois ele foi chamado de volta, mas a hostilidade continuou. O segundo exílio foi ordenado em 404. Foi levado a Cucusa, na Armênia, depois a Arabisso e, no verão de 407, a Pítio. Morreu no caminho, em Comana, no Ponto, em 14 de setembro de 407. Bento XVI recorda que o papa Inocêncio I defendeu a inocência de João, mas não pôde ajudá-lo.

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Reabilitação, título e liturgia

O título e a memória

Segundo a Enciclopédia Católica, o epíteto Crisóstomo, “boca de ouro”, está atestado já na constituição do papa Vigílio, de 553. Os restos de João foram levados a Constantinopla em 27 de janeiro de 438. A Enciclopédia o chama de Doutor da Igreja; a memória é celebrada em 13 de setembro, véspera do aniversário da morte.

A liturgia que leva o seu nome

A liturgia bizantina que leva o nome de São João Crisóstomo continua a ser celebrada no rito bizantino. A Enciclopédia Católica faz uma ressalva: ele talvez tenha modificado o texto antigo, mas não o compôs.

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Divergências entre as fontes

Datas e títulos

As fontes institucionais não concordam em todos os pontos. O nascimento é dado como c. 349 por Bento XVI e c. 347 pela Enciclopédia Católica. Bento XVI diz que João foi nomeado bispo em 397, e a Enciclopédia, que foi consagrado em 26 de fevereiro de 398. Bento XVI fala de dois exílios seguidos entre 403 e 407, e a Enciclopédia detalha uma deposição em 403, a volta e o segundo exílio de 404. Há ainda dúvida sobre a autenticidade de algumas obras atribuídas a ele, como a Carta a Cesário e a Obra incompleta sobre Mateus.

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Fontes consultadas

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