
Festa: 17 de setembro
Santa Hildegarda de Bingen
Abadessa, escritora, compositora e Doutora da Igreja • 1098–1179
Hildegarda nasceu em 1098, na região do Reno, de família numerosa e nobre, e foi dedicada a Deus desde o nascimento. Aos oito anos foi confiada à reclusa Judite de Spanheim, no mosteiro beneditino de São Disibodo. Tornou-se superiora em 1136, fundou uma segunda comunidade perto de Bingen e, depois de procurar o conselho de São Bernardo e de obter a autorização do Papa Eugênio III em 1147, pôs por escrito suas visões e passou a falar em público. Escreveu obras de teologia, compôs hinos e antífonas e morreu em 1179, aos 81 anos. Bento XVI a proclamou Doutora da Igreja em 7 de outubro de 2012.
01
O caminho de santificação
A catequese de Bento XVI de 1º de setembro de 2010 conta que Hildegarda recebeu o véu do bispo Otão de Bamberg e que, quando Judite morreu, em 1136, as irmãs a escolheram para sucedê-la. Como cresceu o número de mulheres que queriam entrar, ela fundou outra comunidade em Bingen, dedicada a São Rupert, onde passou o resto da vida. A Enciclopédia Católica situa essa mudança por volta de 1147 e 1148 e acrescenta que, por volta de 1165, ela fundou ainda um convento em Eibingen, do outro lado do Reno.
Hildegarda não divulgou suas visões por impulso. O Papa lembra que ela ditou o que via ao monge Volmar, seu conselheiro espiritual, e à secretária, a monja Richardis de Strade, e que escreveu a São Bernardo de Claraval para saber se suas visões vinham de Deus. Bernardo a tranquilizou e a encorajou. Em 1147, o Papa Eugênio III, presidindo um sínodo em Trier, leu um texto que ela ditara, apresentado pelo arcebispo Henrique de Mogúncia, e a autorizou a escrever e a falar em público. A Enciclopédia Católica registra que o clero de Mogúncia e o bispo Alberão de Verdun também examinaram as visões; ao mesmo tempo, considera provavelmente inexata a visita de Bernardo que Tritêmio menciona. A catequese do Papa fala apenas de uma consulta a Bernardo.
Os contemporâneos a chamavam de profetisa teutônica. Bento XVI cita o princípio que explica essa autoridade: cada dom distribuído pelo Espírito Santo é destinado à edificação da Igreja. Ela aconselhou clérigos e nobres, manteve correspondência extensa e, já idosa, viajou para pregar. Segundo a catequese de 8 de setembro de 2010, exortava sobretudo comunidades monásticas e o clero a viver conforme a própria vocação.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- 1098
Nascimento
Nasce em Bermersheim, perto de Alzey, segundo a catequese de Bento XVI; a Enciclopédia Católica fala em Böckelheim, no Nahe, uma divergência que as fontes não resolvem.
- c. 1106
Com Judite
Aos oito anos é confiada à reclusa Judite de Spanheim, no mosteiro de São Disibodo.
- 1136
Superiora
Com a morte de Judite, as irmãs a escolhem para sucedê-la.
- 1141
Scivias
Segundo a Enciclopédia Católica, começa então a obra Scivias, que levou cerca de dez anos.
- 1147
Autorização de Eugênio III
O Papa, em Trier, autoriza que escreva suas visões e fale em público.
- c. 1147–1148
Bingen
Passa com um grupo de irmãs para o mosteiro de São Rupert, em Bingen.
- 1179
Morte
Morre aos 81 anos, na Rupertsberg, perto de Bingen.
- 7 out. 2012
Doutora da Igreja
Bento XVI a proclama Doutora da Igreja universal, por carta apostólica.
03
A obra: visões, música e ciências
Esta seção segue as catequeses de Bento XVI e a Enciclopédia Católica.
Os escritos de teologia
Segundo a catequese de 8 de setembro de 2010, o Scivias resume a história da salvação, da criação ao fim dos tempos, em 35 visões, e a parte central trata das núpcias entre Deus e a humanidade, realizadas na Encarnação e na Cruz. A Enciclopédia Católica descreve a obra em três livros com 6, 7 e 13 visões; a soma, 26, não coincide com o número do Papa, e as fontes não esclarecem a diferença. O Liber vitae meritorum trata da luta entre virtudes e vícios. O Liber divinorum operum, que o Papa chama de obra-prima, traz cinco visões inspiradas no Prólogo do Evangelho de João e um forte cristocentrismo.
Música e ciências naturais
Hildegarda compôs hinos, antífonas e cânticos, reunidos na Symphonia, e para ela toda a criação é uma sinfonia do Espírito Santo. A Enciclopédia informa que se conservam cerca de setenta hinos com melodia e cita também obras sobre plantas, elementos e o corpo humano, o Liber Simplicis Medicinae e o Liber Compositae Medicinae. Bento XVI diz apenas que ela se ocupou de medicina e ciências naturais, e este perfil não avalia o valor dessas obras.
Reforma da Igreja e teologia
Segundo o Papa, Hildegarda censurou com firmeza os cátaros alemães, que queriam subverter a natureza da Igreja, lembrando-lhes que a renovação verdadeira se obtém menos com a mudança de estruturas do que com um sincero espírito de penitência. Na mesma catequese, Bento XVI diz que a teologia também pode receber uma contribuição peculiar das mulheres.
04
Culto e proclamação como Doutora da Igreja
Culto antigo, sem canonização formal
A Enciclopédia Católica, de 1908, diz que nunca houve canonização formal: Gregório IX e Inocêncio IV ordenaram um inquérito, repetido sob Clemente V e João XXII. O nome dela consta do Martirológio Romano, e as relíquias, levadas depois da destruição do convento da Rupertsberg em 1632, foram reconhecidas oficialmente em 1857.
Doutora da Igreja, 2012
Bento XVI anunciou a decisão em Pentecostes, 27 de maio de 2012, e a proclamou Doutora da Igreja universal em 7 de outubro de 2012, por carta apostólica. O texto diz que a doutrina dela é eminente pela profundidade e pela retidão das interpretações e que sua antropologia parte do relato bíblico da criação, vendo o ser humano como homo viator a caminho de Deus. Apresenta-a como mestra da centralidade da Eucaristia e da reforma como conversão do coração.
05