
Festa: 17 de outubro
Santo Inácio de Antioquia
Bispo e mártir • século I–II (m. c. 107)
Inácio foi bispo de Antioquia, na Síria, entre o fim do século I e o começo do II. Condenado por ser cristão, foi levado acorrentado a Roma, onde morreu no martírio, por volta do ano 107, segundo Bento XVI e o Vatican News. Durante a viagem escreveu sete cartas, a Igrejas da Ásia Menor, à Igreja de Roma e ao bispo Policarpo. São textos muito antigos, de uma Igreja que ainda tinha conhecido os Apóstolos. Nelas ele pede aos cristãos de Roma que não impeçam o seu martírio e insiste na unidade em torno do bispo. A Escritura só fala da Igreja de Antioquia; a vida de Inácio vem de suas cartas e da tradição antiga.
01
O caminho de santificação
Bento XVI disse que nenhum Padre da Igreja exprimiu com a intensidade de Inácio o desejo de união com Cristo. Na Carta aos Romanos, ele suplica que não o impeçam de morrer, porque tem pressa de se unir a Jesus Cristo e quer ser imitador da Paixão do seu Deus. O Papa viu nessas palavras duas correntes, a de São Paulo, que tende à união com Cristo, e a de São João, centrada na vida em Cristo.
O outro eixo de suas cartas é a unidade. Bento XVI o chama de “doutor da unidade”: unidade de Deus, de Cristo, da Igreja e dos fiéis. Inácio compara o colégio dos presbíteros, unido ao bispo, às cordas de uma cítara, e pede que nada se faça na Igreja sem o bispo. O Papa nota que ele une a estrutura hierárquica da comunidade e a unidade de todos os fiéis em Cristo, sem opor uma à outra.
Inácio também insiste que Jesus Cristo é verdadeiro homem. O Vatican News lembra que as cartas trazem diretrizes para combater o docetismo, a ideia de que o Filho de Deus teria sido homem só na aparência. Bento XVI cita a Carta aos Esmirnenses, em que Inácio afirma que Cristo realmente nasceu de uma virgem e realmente foi crucificado por nós. O bispo que escreve acorrentado, ameaçado pelas feras, é o mesmo que ensina o bispo Policarpo a exercer o seu ministério.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- Século I
Antioquia na Escritura
Em Antioquia os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez (At 11,26). Segundo a tradição, o apóstolo Pedro foi o primeiro bispo da cidade.
- c. 70–107
Bispo de Antioquia
Bento XVI o apresenta como o terceiro bispo de Antioquia, entre os anos 70 e 107. O Vatican News fala em 69 como ano de início do episcopado.
- Reinado de Trajano
Condenação
Preso por não negar a fé em Cristo, é condenado às feras e levado acorrentado a Roma, segundo o Martirológio Romano e o Vatican News.
- Em Esmirna
Quatro cartas
Na cidade do bispo Policarpo, escreve às Igrejas de Éfeso, Magnésia e Trales e à Igreja de Roma.
- Em Trôade
Três cartas
De Trôade escreve às Igrejas de Filadélfia e de Esmirna e ao bispo Policarpo.
- c. 107
Martírio em Roma
Bento XVI diz que foi lançado às feras no Anfiteatro Flávio. O Vatican News indica o ano de 107; a Enciclopédia Católica, entre 98 e 117.
- 17 out.
Memória
O Martirológio Romano inscreve a memória de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir, em 17 de outubro.
03
Antioquia na Escritura
Inácio não é personagem do Novo Testamento. A Escritura mostra a Igreja que ele serviu, e tudo o que se sabe dele vem das suas cartas e da tradição.
A Igreja de Antioquia
Bento XVI lembra que Roma, Alexandria e Antioquia eram as três grandes metrópoles do Império Romano. Em Antioquia surgiu, como mostram os Atos dos Apóstolos, uma comunidade cristã florescente, onde os discípulos receberam pela primeira vez o nome de cristãos (At 11,26). A tradição diz que seu primeiro bispo foi o apóstolo Pedro.
Uma lenda que não se sustenta
A Enciclopédia Católica registra que alguns escritores antigos deram crédito à lenda de que Inácio seria a criança que Jesus tomou nos braços (Mc 9,35), mas diz que isso foi aceito, aparentemente, sem boa razão. A mesma obra considera muito provável que, junto com Policarpo, ele tenha ouvido o apóstolo João.
04
O bispo e a viagem a Roma
O que segue vem da tradição antiga e das próprias cartas de Inácio, e não do Novo Testamento.
Bispo de Antioquia
O Martirológio Romano, na versão da CEI, diz que Inácio foi discípulo de São João Apóstolo e que governou a Igreja de Antioquia como segundo bispo depois de São Pedro. A Enciclopédia Católica conta Pedro como primeiro e diz que Inácio foi o terceiro bispo, sucessor imediato de Evódio, segundo Eusébio de Cesareia. Bento XVI também o chama de terceiro bispo de Antioquia.
Condenado às feras
O Martirológio Romano afirma que Inácio foi condenado às feras sob o imperador Trajano e levado a Roma. Na Carta aos Romanos, que Bento XVI cita, ele chama os soldados que o guardavam de “dez leopardos”, por causa da ferocidade deles. O Vatican News acrescenta que, no caminho, ele sofreu maus-tratos dos guardas.
As sete cartas
Na primeira etapa, em Esmirna, onde era bispo Policarpo, discípulo de São João, Inácio escreveu às Igrejas de Éfeso, de Magnésia, de Trales e de Roma. Depois, de Trôade, escreveu às Igrejas de Filadélfia e de Esmirna e ao bispo Policarpo. Bento XVI segue nisso o relato de Eusébio de Cesareia e diz que as cartas chegaram até nós como um tesouro da Igreja do primeiro século.
O que as cartas ensinam
O Vatican News resume o conteúdo das cartas: declarações de amor a Cristo e à Igreja, o testemunho do ministério em três graus, de bispos, presbíteros e diáconos, e diretrizes contra o docetismo. Bento XVI acrescenta que Inácio é o primeiro na literatura cristã a chamar a Igreja de “católica”, isto é, universal.
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Culto e memória
O mártir venerado
A Enciclopédia Católica conta que os restos do mártir foram levados de volta a Antioquia e sepultados fora das portas da cidade. Mais tarde, o imperador Teodósio II os transferiu para o antigo templo da Fortuna, convertido em igreja sob o patrocínio do mártir. Segundo a mesma obra, em 637 foram levados para a igreja de São Clemente, em Roma, onde estariam até hoje. É informação de 1910, e as fontes consultadas não dizem se algo mudou desde então.
A data da memória
A Enciclopédia Católica (1910) registra a festa de Santo Inácio em 1º de fevereiro. Hoje a Igreja celebra a sua memória em 17 de outubro, como indicam o Martirológio Romano e o Vatican News.
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O que as fontes deixam incerto
O ano da morte
O Vatican News e Bento XVI indicam o ano de 107. A Enciclopédia Católica diz apenas que ele morreu em Roma entre 98 e 117. A mesma obra diz que ele nasceu na Síria por volta do ano 50; as outras fontes não dão data de nascimento.
As origens e a conversão
O Vatican News diz que Inácio descendia de uma família pagã não romana e que se converteu em idade avançada, graças à pregação de São João. Esse texto, em português, fala também em Inácio como bispo de “Alexandria”, mas o restante do próprio texto e todas as outras fontes tratam de Antioquia. As demais fontes não dão informação sobre a família nem sobre a conversão.
As atas do martírio
A Enciclopédia Católica explica que existe um texto antigo, o “Martírio de Inácio”, que se apresenta como relato de testemunhas, mas reconhece que foi muito alterado ao longo do tempo. Segundo esse texto, Inácio teria comparecido diante de Trajano em Antioquia. As fontes consultadas não permitem dizer quanto dessa narração é histórico.
Quais cartas são dele
A Enciclopédia Católica diz que a crítica moderna considera autênticas as sete cartas mencionadas por Eusébio. Outras cartas que circularam com o nome de Inácio são consideradas falsas ou alteradas.
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