
Festa: 6 de outubro
São Bruno
Fundador da Ordem dos Cartuxos • c. 1030–1101
Bruno nasceu em Colônia por volta de 1030, estudou em Reims e ali ensinou por cerca de vinte anos, entre os mestres mais respeitados do seu tempo. Depois de enfrentar o arcebispo Manassés, em defesa do clero, deixou o mundo. Em 1084, com seis companheiros, instalou-se no vale da Chartreuse, nos Alpes, origem da Ordem dos Cartuxos. Chamado a Roma pelo papa Urbano II, seu antigo aluno, terminou a vida como eremita na Calábria, onde morreu em 6 de outubro de 1101.
01
O caminho de santificação
A Enciclopédia Católica traça com detalhe a primeira parte da vida de Bruno. Educado em Colônia, no colégio de São Cunibert, foi muito jovem para Reims atraído pela fama da escola episcopal. Tornou-se cônego, foi provavelmente ordenado padre por volta de 1055 e, em 1057, assumiu a direção da escola. Ensinou por cerca de vinte anos, e entre seus alunos estavam Odo de Châtillon, o futuro papa Urbano II, e dois futuros bispos, Rangier e Roberto. Em 1075 foi nomeado chanceler da Igreja de Reims.
Foi como chanceler que Bruno enfrentou a crise que mudou sua vida. O arcebispo Manassés de Gournai, descrito pela Enciclopédia como ímpio e violento, era acusado pelo clero. Bruno e dois outros cônegos levaram as queixas ao legado papal, e o concílio de Autun, em 1077, suspendeu o arcebispo, que se vingou destruindo as casas dos acusadores. Uma sentença definitiva, em 1080, o obrigou a fugir. O clero queria Bruno como bispo, mas ele já havia feito, em 1077, com os amigos Raul e Fúlcio, o voto de deixar o mundo. A Enciclopédia rejeita a história popular de que um milagre em Paris o teria convertido.
A vocação de Bruno é a de quem poderia ter ocupado cargos altos e preferiu a solidão. Depois de uma breve passagem junto de São Roberto, em Molesme, procurou Hugo, bispo de Grenoble, que o acolheu com seus seis companheiros e os instalou, em 1084, num vale isolado e coberto de neve, a Chartreuse. A vida dos primeiros cartuxos, de oração, estudo e pobreza, foi registrada pelo cronista Guiberto de Nogent. Bruno não escreveu uma regra formal. Combinou a vida de eremita e a vida comunitária, e o Vatican News resume o essencial: deixou tudo para seguir a vida eremítica.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- c. 1030
Nascimento
Nasce em Colônia e estuda no colégio de São Cunibert, antes de ir para Reims.
- 1057
Diretor da escola de Reims
Assume a direção da escola episcopal e ensina por cerca de vinte anos. Em 1075 torna-se chanceler da Igreja de Reims.
- 1077–1080
Conflito com Manassés
Leva ao legado papal as queixas do clero contra o arcebispo, que é suspenso em Autun (1077) e deposto em 1080. No mesmo período, Bruno faz o voto de deixar o mundo.
- 1084
Chartreuse
Com seis companheiros, instala-se no vale da Chartreuse, perto de Grenoble, com o apoio do bispo Hugo.
- 1090
Chamado por Urbano II
O papa, seu antigo aluno, o chama a Roma como conselheiro. Parte dos monges o acompanha.
- 1091–1095
Calábria
Com a ajuda do conde Rogério, estabelece-se numa região florestal da diocese de Squillace. O mosteiro de Santo Estêvão é construído em 1095, perto do eremitério de Santa Maria.
- 6 out. 1101
Morte
Morre depois de uma profissão de fé diante dos irmãos e é sepultado no cemitério do eremitério de Santa Maria.
03
Do magistério em Reims ao deserto
Mestre e chanceler
Bruno ensinou Escritura e os Padres numa das escolas mais importantes da França. A Enciclopédia Católica diz que o prestígio de seus alunos era notável e que, quando o clero de Reims quis que ele fosse arcebispo, Bruno já havia decidido o contrário. O Vatican News destaca que ele tinha perspectivas de uma alta carreira na hierarquia e as abandonou.
O voto de 1077 e a decisão de 1084
O voto feito com Raul e Fúlcio foi cumprido em 1080, com a partida de Reims. Depois de passar por Molesme e pelo eremitério de Sèche-Fontaine, Bruno percebeu que aquele não era o seu caminho. O bispo Hugo de Grenoble, que, segundo se conta, havia visto em sonho sete estrelas, acolheu o grupo. Entre os seis companheiros estavam Landuíno, dois homens chamados Estêvão e o capelão Hugo, e dois leigos, André e Guerin, que foram os primeiros irmãos conversos.
04
A Calábria e a morte
O serviço ao papa
Eleito em 1088, Urbano II chamou o antigo mestre para a Sé Apostólica. Bruno foi conselheiro discreto, e a Enciclopédia o associa ao apoio às reformas do papa. Quando a Igreja de Reggio o elegeu arcebispo, em 1090, evitou o cargo e fez eleger Rangier, seu antigo aluno. O Vatican News resume que foi a Roma por obediência ao papa, embora relutante.
O eremitério de Santa Maria
Para voltar à solidão, Bruno obteve licença do papa e se instalou numa floresta da diocese de Squillace, onde construiu uma capela de tábuas e cabanas cobertas de barro. O conde Rogério da Sicília, que lhe deu as terras em 1091, tornou-se seu amigo, e Bruno batizou o filho dele, o futuro rei Rogério, em 1097.
A profissão de fé e a morte
Bruno sobreviveu a Urbano II (m. 1099), a Landuíno (m. 1100) e ao conde Rogério (m. 1101). Antes de morrer, fez diante dos irmãos uma profissão de fé na Trindade e na presença real de Cristo na Eucaristia, contra os erros de Roscelino e Berengário. Segundo a Enciclopédia, foram relatados milagres no seu túmulo, e o rolo de notícia de sua morte percorreu a Europa e recebeu respostas de 178 comunidades, que louvaram sua ciência, sua oração, sua mortificação e sua devoção a Nossa Senhora.
05
Culto, escritos e a Ordem
Reconhecimento do culto
Bruno nunca foi canonizado por um processo formal, segundo a Enciclopédia Católica. O papa Leão X aprovou o seu culto para os cartuxos em 1514, e Gregório XV o estendeu à Igreja universal em 17 de fevereiro de 1623. Em 14 de março de 1674, Clemente X elevou a festa a um grau superior. Na Calábria, a devoção continua viva, com a procissão das relíquias até o eremitério de Santa Maria no tempo de Pentecostes.
A Ordem dos Cartuxos
Bruno deixou duas fundações. A da Calábria durou cerca de um século e se fundiu com os cistercienses em 1191. A de Dauphiné, onde os monges vivem sobretudo na solidão, mas sob uma disciplina comum, espalhou-se pela Europa, chegou a cerca de 250 mosteiros e continua hoje. Os Estatutos cartuxos designam a Mãe de Deus como primeira e principal padroeira de todas as casas da Ordem.
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