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Santos e beatos

Biografias escritas pelo Vigília da Fé e conferidas em fontes institucionais.

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Arte do Santo do dia, com cruz dourada sobre fundo azul

Festa: 4 de dezembro

São João Damasceno

Presbítero e doutor da Igreja • c. 675–c. 749

João nasceu em Damasco, por volta de 676 segundo a Enciclopédia Católica, numa rica família cristã ligada ao califado. Deixou a corte, entrou no mosteiro de São Sabas, perto de Jerusalém, e ali foi ordenado sacerdote. Escreveu uma grande síntese da doutrina cristã e discursos em defesa das imagens sagradas, no tempo em que o imperador de Bizâncio as combatia. Leão XIII o proclamou doutor da Igreja em 1890.

01

O caminho de santificação

Bento XVI, na catequese de 6 de maio de 2009, apresenta João como filho de uma rica família cristã. Ele deixou a corte do califa para ser monge no mosteiro de São Sabas, por volta do ano 700, e ali permaneceu. A Enciclopédia Católica acrescenta que o pai, provavelmente chamado Mansur, era o chefe financeiro do califa, e que João teve como preceptor um monge siciliano, Cosme, cuja liberdade o pai obteve depois de ele ter sido capturado numa incursão à Itália. Foi o patriarca de Jerusalém, João V, quem o ordenou sacerdote. A passagem do cargo na corte para a cela do mosteiro é o gesto central dessa vida: quem podia fazer carreira entre os poderosos escolheu a oração e o estudo.

A Enciclopédia Católica situa em 726 o primeiro edito do imperador Leão III contra as imagens, e João respondeu por escrito. O argumento que Bento XVI destaca é o da Encarnação: Deus se fez visível em Jesus Cristo, e por isso a Igreja pode representá-lo. A catequese recorda a frase de João: ‘Não venero a matéria, mas o criador da matéria’. Honrar uma imagem, para ele, era honrar quem a imagem representa, e não adorar a madeira ou a tinta.

Essa defesa lhe custou a condenação por um concílio. O sínodo iconoclasta de Hieria, em 754, condenou os seus escritos, e a Enciclopédia Católica diz que o atingiu pelo nome. Só o segundo Concílio de Niceia, em 787, o reabilitou e confirmou a veneração das imagens. As fontes consultadas não dizem que ele tenha chegado a ver essa reabilitação, e não fixam a data da sua morte.

02

Vida e reconhecimento, em ordem cronológica

  1. c. 676

    Nascimento

    Nasce em Damasco, então sob domínio árabe. A Enciclopédia Católica dá c. 676; o ano do perfil é aproximado.

  2. c. 700

    Mosteiro de São Sabas

    Deixa a corte e entra no mosteiro perto de Jerusalém, segundo Bento XVI.

  3. 726

    Primeiro edito contra as imagens

    O imperador Leão III publica o edito, e João responde por escrito.

  4. 754

    Concílio de Hieria

    O sínodo iconoclasta condena os seus escritos.

  5. 787

    Niceia II

    O sétimo concílio ecumênico reabilita João e confirma a veneração das imagens.

  6. 1890

    Doutor da Igreja

    Leão XIII o proclama doutor da Igreja.

03

Da corte de Damasco ao mosteiro

Família e formação

Segundo a Enciclopédia Católica, o pai de João, provavelmente de nome Mansur, era cristão e chefe financeiro do califa Abdul Malek. Mansur conseguiu a liberdade de Cosme, um monge siciliano capturado numa incursão à Itália, e o fez mestre dos filhos. Bento XVI diz apenas que João nasceu numa rica família cristã e que o pai tinha um cargo econômico no califado. A Enciclopédia lembra que o próprio João chegou a ser conselheiro principal do califa, antes de deixar o cargo.

O mosteiro

João entrou no mosteiro de São Sabas, na região de Jerusalém, por volta de 700. A Enciclopédia Católica diz que o patriarca João V o ordenou sacerdote. Bento XVI conta que ele permaneceu no mosteiro e que dali escreveu os textos pelos quais ficou conhecido em toda a Igreja.

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A disputa sobre as imagens

O edito de Leão III

A Enciclopédia Católica situa em 726 o primeiro edito do imperador Leão III contra as imagens e em 730 um segundo, e diz que João se opôs por escrito a ambos. Bento XVI cita os ‘Discursos contra os que caluniam as santas imagens’ como a obra em que ele defendeu a veneração das imagens.

O argumento da Encarnação

Segundo Bento XVI, a base do raciocínio de João é que, em Jesus Cristo, Deus assumiu a natureza humana e se deixou ver. Negar a imagem seria, no fundo, enfraquecer a Encarnação. A catequese cita a expressão de João sobre o ‘grande mar do amor de Deus pelo homem’ para dizer o que a Encarnação significa. A veneração prestada à imagem passa a quem ela representa, e não à matéria de que é feita.

Condenação e reabilitação

O concílio de Hieria, em 754, condenou os escritos de João. A Enciclopédia Católica diz que o sétimo concílio ecumênico, Niceia II, em 787, reparou amplamente as ofensas feitas a ele, e Bento XVI recorda que esse concílio o reabilitou.

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Obra e reconhecimento

Os escritos

Bento XVI cita os discursos sobre as imagens, as homilias e a ‘Fé ortodoxa’. A Enciclopédia Católica descreve a obra principal, a ‘Fonte do conhecimento’, em três partes: a Dialética, o tratado sobre as heresias e a ‘Exposição exata da fé ortodoxa’. Diz ainda que ele escreveu homilias e hinos.

Doutor da Igreja

Leão XIII o proclamou doutor da Igreja em 1890, segundo Bento XVI. O Vatican News traz a memória no dia 4 de dezembro.

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O que as fontes deixam incerto

Datas do nascimento e da morte

As fontes consultadas divergem ou silenciam. Bento XVI não dá a data de nascimento nem a de morte. A Enciclopédia Católica dá o nascimento por volta de 676 e situa a morte em data incerta, entre 754 e 787. O perfil mantém ‘c. 675–c. 749’, e as fontes consultadas não permitem fixar o ano da morte.

A mão cortada

Uma biografia antiga conta que o califa mandou cortar a mão de João e que Nossa Senhora a restituiu. A Enciclopédia Católica diz que essa vida tem uma acentuada tendência legendária. O site não afirma o episódio como fato.

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Fontes consultadas

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