
Festa: 7 de dezembro
Santo Ambrósio
Bispo de Milão e doutor da Igreja • c. 340–397
Ambrósio nasceu por volta de 340, provavelmente em Tréveris, de família cristã romana. Era governador da Ligúria e da Emília, com sede em Milão, quando o povo o aclamou bispo, em 374, ainda catecúmeno. Batizado e consagrado em 7 de dezembro, defendeu a fé católica contra o arianismo e a liberdade da Igreja diante dos imperadores. Morreu em Milão, em 4 de abril de 397.
01
O caminho de santificação
Bento XVI, na catequese de 24 de outubro de 2007, lembra que Ambrósio nasceu por volta de 340 em Tréveris, onde o pai era prefeito das Gálias, e que a mãe o levou a Roma, para lhe dar formação retórica e jurídica. Por volta de 370 foi enviado a governar a Emília e a Ligúria, com sede em Milão. A Enciclopédia Católica ressalva que o local de nascimento é disputado entre Tréveris, Arles e Lião. Quando morreu o bispo ariano Auxêncio, Ambrósio atuou para apaziguar as facções, e o povo, ainda catecúmeno, o aclamou bispo. Foi batizado e, segundo a Enciclopédia, sagrado em 7 de dezembro de 374, oito dias depois.
Como bispo, Ambrósio estudou a Escritura com empenho, sobretudo através de Orígenes, e levou ao mundo latino a meditação bíblica que o Papa associa ao início da lectio divina no Ocidente. Suas catequeses a catecúmenos e neófitos, como Sobre os mistérios, nasceram dessa escuta orante. O centro de sua pregação, resumido por Bento XVI, é a frase ‘Cristo é tudo para nós’. O Vatican News o chama de pastor ideal, firme diante das heresias, autor de hinos e textos litúrgicos e promotor da mariologia. A Enciclopédia diz que a autenticidade de todos os hinos que lhe são atribuídos é discutida, razão pela qual não se pode listar com segurança quais lhe pertencem.
Diante do poder, a Enciclopédia conta que, em 385–386, a corte, sob a influência de Justina, mãe de Valentiniano II, exigiu uma basílica para o culto ariano; Ambrósio resistiu. Após o massacre de cerca de sete mil pessoas em Tessalônica, afastou-se da liturgia imperial e escreveu ao imperador Teodósio, que fez penitência pública. A Enciclopédia ressalva que o relato de humilhação do imperador no pórtico, transmitido por Teodoreto, é considerado exagerado pela crítica moderna. Quanto à morte, Bento XVI diz que ocorreu na noite de 3 para 4 de abril de 397, na alvorada do Sábado Santo, depois de receber o Corpo do Senhor das mãos de Honorato, bispo de Vercelli.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- c. 340
Nascimento
Nasce provavelmente em Tréveris; a Enciclopédia Católica registra que o local é disputado.
- c. 370
Governador
É enviado a governar a Emília e a Ligúria, com sede em Milão.
- 374
Bispo de Milão
Aclamado pelo povo ainda catecúmeno, é batizado e sagrado bispo em 7 de dezembro.
- 385–386
Crise das basílicas
Resiste à exigência da corte por uma basílica para o culto ariano.
- Após Tessalônica
Teodósio
Escreve ao imperador, que faz penitência pública; o ano não consta nas fontes consultadas.
- 4 abr. 397
Morte
Morre em Milão na alvorada do Sábado Santo, segundo Bento XVI.
03
Do governo civil ao episcopado
Origem e formação
Ambrósio era filho de um prefeito das Gálias e de família cristã. Segundo Bento XVI, estudou retórica e direito em Roma. A Enciclopédia Católica acrescenta que tinha uma irmã, Marcelina, que se tornou religiosa, e um irmão, Sátiro, que cuidou de seus bens depois da ordenação.
A eleição de 374
Governador consular da Ligúria e da Emília, tornou-se bispo depois da morte do ariano Auxêncio, que ocupava a sé havia cerca de vinte anos. A assembleia o aclamou apesar de ele ser catecúmeno, e o imperador Valentiniano confirmou a escolha. O batismo foi ministrado por um bispo católico, e a sagração ocorreu em 7 de dezembro de 374.
04
Pregador e catequista
A Escritura
Bento XVI mostra que o novo bispo, culturalmente preparado mas pouco versado nas Escrituras, estudou a Bíblia com empenho. Os comentários e tratados de Ambrósio, entre eles o Exame sobre Lucas, Sobre os deveres dos ministros, Sobre as virgens, Sobre a penitência e Sobre os mistérios, são citados pela Enciclopédia entre as obras principais.
Santo Agostinho
Agostinho, professor de retórica em Milão, foi convertido em parte pela pregação de Ambrósio, segundo a Enciclopédia. Bento XVI acrescenta, citando as Confissões, que o que o tocou foi sobretudo o testemunho do bispo e de uma Igreja que rezava unida. O texto antigo dizia que Ambrósio o batizou na Vigília Pascal de 387; as fontes consultadas não o confirmam, e a afirmação foi retirada.
05
Liberdade da Igreja
O conflito com a corte
Em 385–386 a corte exigiu uma basílica para os arianos. A Enciclopédia lembra o discurso Contra Auxêncio sobre a entrega das basílicas e a resistência do bispo, e afirma que ele ajudou a formar o canto eclesiástico durante a crise.
Teodósio
Após o massacre de Tessalônica, Ambrósio escreveu ao imperador, que fez penitência pública. A Enciclopédia faz a ressalva a respeito do relato de Teodoreto. O texto antigo dizia que o bispo exigiu a penitência, o que a fonte não afirma nesses termos.
06
Morte e reconhecimento
Sepultura e dia da morte
A Enciclopédia dá a morte em 4 de abril de 397, em Milão, e a sepultura na basílica que construiu, junto aos mártires Gervásio e Protásio. Bento XVI situa-a na noite de 3 para 4 de abril, na alvorada do Sábado Santo.
Doutor da Igreja
A Enciclopédia lembra que ele é um dos grandes doutores da Igreja latina, ao lado de Jerônimo, Agostinho e Gregório Magno. A data de 1298, que o texto antigo atribuía a Bonifácio VIII, não foi confirmada nas fontes abertas e foi retirada.
07