
Festa: 11 de dezembro
São Dâmaso I
Papa • c. 305–384
Dâmaso foi papa de 366 a 384. Eleito em meio a uma disputa violenta com partidários de outro candidato, governou por quase dezoito anos, defendeu com firmeza a primazia de Pedro e cuidou da memória dos mártires de Roma, mandando gravar inscrições em seus túmulos. Pediu a São Jerônimo a revisão da Bíblia em latim, trabalho que deu origem à Vulgata.
01
O caminho de santificação
O Vatican News lembra que, graças a Dâmaso, a memória de tantos mártires não caiu no esquecimento: cada túmulo encontrado em seu tempo recebeu uma inscrição que contava os feitos do falecido.
A Enciclopédia Católica o apresenta como defensor da fé em sínodos que condenaram o apolinarismo e o macedonianismo, e como papa que sustentou a primazia da Sé de Roma com base nas palavras de Jesus a Pedro, em Mateus 16,18, e não em decisões de concílios.
Dâmaso começou o pontificado sob violência. Partidários do falecido papa Libério não o aceitaram, elegeram o diácono Ursino, e a disputa deixou mortos. Anos depois, em 378, ele ainda teve de se defender de uma acusação grave diante do imperador, até que um sínodo de quarenta e quatro bispos o declarou inocente. Num governo cheio de brigas, ele encontrou tempo para restaurar catacumbas e mandar gravar versos para os que haviam morrido pela fé muito antes. Isso diz algo sobre ele: mesmo cercado de problemas do presente, escolheu cuidar de quem já não podia pedir nada.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- c. 304
Nascimento
Nasce provavelmente em Roma, filho de Antônio, provavelmente espanhol, e de Laurência, e cresce a serviço da igreja de São Lourenço.
- out. 366
Eleição
É eleito papa por grande maioria, mas um grupo de partidários do falecido Libério elege o diácono Ursino, e a disputa se torna violenta.
- 367
Ursino banido
O imperador Valentiniano reconhece Dâmaso e manda Ursino para Colônia.
- 368–369
Sínodos
Sínodos romanos condenam o apolinarismo e o macedonianismo.
- 374
Sínodo romano
Segundo a Enciclopédia Católica, ele proclama um cânon do Novo Testamento no sínodo desse ano.
- 378
Acusação refutada
O imperador Graciano o declara inocente de uma acusação, e um sínodo de quarenta e quatro bispos o confirma.
- 379
Vigário em Tessalônica
Nomeia Ascólio, bispo de Tessalônica, como vigário apostólico no Ilírico.
- 381
Concílio de Constantinopla
Envia legados ao concílio.
- 11 dez. 384
Morte
Morre em Roma, segundo a Enciclopédia Católica.
03
Uma eleição disputada
A principal fonte sobre a disputa, segundo a Enciclopédia Católica, é parcial contra Dâmaso, e por isso exige cautela.
Dâmaso e Ursino
Em outubro de 366, Dâmaso foi eleito por ampla maioria. Os partidários de Libério, o papa anterior, não o aceitaram e fizeram consagrar Ursino. Houve violência e sangue, e dois presbíteros adversários escreveram uma petição às autoridades, o Libellus Precum, que descreve o conflito de seu ponto de vista.
A decisão do imperador
Valentiniano reconheceu Dâmaso e baniu Ursino para Colônia, em 367. Ursino pôde depois voltar a Milão, mas não a Roma nem aos seus arredores.
A acusação de 378
Os adversários continuaram a persegui-lo. Em 378 fizeram contra ele uma acusação de adultério na corte imperial. Graciano o inocentou e um sínodo romano de quarenta e quatro bispos excomungou os acusadores.
04
Fé, doutrina e autoridade
Sínodos contra as heresias
Nos sínodos de 368 e 369, Dâmaso condenou o apolinarismo e o macedonianismo. Em 369 ou 370 excomungou também Auxêncio, bispo ariano de Milão, que ocupou a sede até 374, quando Santo Ambrósio o sucedeu.
O Concílio de Constantinopla
Em 381, Dâmaso enviou legados ao concílio de Constantinopla. Ele também recebeu, sem sucesso, o apelo de Prisciliano, condenado no Concílio de Saragossa, em 380.
A primazia de Pedro
Dâmaso sustentou que a supremacia da Sé romana tinha fundamento nas palavras de Cristo, e não em decretos de concílios. Em 379, quando o Ilírico foi separado do Império do Ocidente, nomeou Ascólio, de Tessalônica, vigário apostólico.
O cânon do Novo Testamento
A Enciclopédia Católica lhe atribui a proclamação de um cânon do Novo Testamento no sínodo romano de 374.
05
Os mártires, as catacumbas e a Bíblia latina
Os epigramas
Dâmaso escreveu versos curtos em honra de mártires e de santos. Seu amigo Fúrio Dionísio Filócalo gravou os textos em letras elegantes, hoje chamadas letras damasianas.
Obras em Roma
Restaurou a igreja de São Lourenço, hoje São Lourenço em Dâmaso, e construiu a Platônia na basílica de São Sebastião, na Via Ápia. Construiu também um batistério no Vaticano e drenou a região próxima ao túmulo de São Pedro.
Jerônimo e a Vulgata
Jerônimo foi por algum tempo seu secretário de confiança. Dâmaso o estimulou a rever a Bíblia latina, trabalho que mais tarde se tornou a Vulgata. O Vatican News resume que ele encomendou a Jerônimo a tradução da Bíblia para o latim.
O sepultamento
Segundo o Liber Pontificalis, Dâmaso foi sepultado numa pequena igreja que construiu na Via Ardeatina, junto da mãe e da irmã. O local foi redescoberto em 1902–1903. A inscrição encontrada diz que Laurência viveu sessenta anos como viúva a serviço de Deus e morreu em seu octogésimo nono ano de vida.
06
O que as fontes deixam em aberto
Origem e nascimento
A Enciclopédia Católica diz que Dâmaso nasceu por volta de 304 e provavelmente em Roma, e que o pai era provavelmente espanhol. Nem o ano exato nem o lugar de nascimento são certos.
Escritos que se perderam ou são duvidosos
Jerônimo diz que Dâmaso escreveu sobre a virgindade em prosa e verso, mas essa obra se perdeu. Algumas cartas atribuídas a ele são falsas, e certos decretos papais atribuídos a seu sucessor Sirício podem pertencer ao seu pontificado.
07