
Festa: 12 de dezembro
Nossa Senhora de Guadalupe
Padroeira da América • Festa no Brasil
A devoção a Nossa Senhora de Guadalupe nasceu da tradição das aparições da Virgem a Juan Diego, índio recém-convertido, no monte Tepeyac, perto da Cidade do México, em dezembro de 1531. Segundo essa tradição, ela pediu que ali se erguesse um templo e deixou sua imagem no manto do vidente como sinal para o bispo. A Santa Sé vê no acontecimento um marco da evangelização do continente: João Paulo II chamou o santuário de coração mariano da América e, na exortação Ecclesia in America, registrou a invocação de Nossa Senhora de Guadalupe como Padroeira de toda a América e Estrela da primeira e da nova evangelização. Esta página trata da devoção e da história do culto, e não de uma biografia.
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O caminho de santificação
O Vatican News descreve a Virgem de Guadalupe como Estrela da Evangelização dos povos e socorro dos indígenas e dos pobres, e a chama de grande missionária que levou o Evangelho ao continente americano. A frase resume o sentido que a Igreja dá à devoção: Nossa Senhora vai ao encontro de um povo conquistado e o conduz a Cristo.
Na Ecclesia in America (n. 11), João Paulo II recorda que Nossa Senhora apareceu ao indígena Juan Diego no monte Tepeyac, em 1531, e que o fato teve efeito decisivo na evangelização. Ele chama a devoção guadalupana de exemplo impressionante de evangelização perfeitamente inculturada e observa que a imagem tem rosto mestiço. Na homilia de 23 de janeiro de 1999, na Basílica de Guadalupe, o Papa pôs aos pés da Virgem mestiça do Tepeyac a exortação apostólica e confiou à Mãe e Rainha do continente o futuro da sua evangelização.
A tradição apresenta Juan Diego como neófito de cerca de 55 anos. A Enciclopédia Católica conta que o bispo Zumárraga não acreditou logo no mensageiro, interrogou-o com cuidado, mandou vigiá-lo e só então pediu um sinal, e que Juan Diego aceitou de boa vontade pedir à Virgem o sinal que o bispo quisesse. É nesse quadro que a tradição situa as rosas colhidas fora de época e a imagem que apareceu no manto. A santidade proposta é a de um homem simples, ouvido por Nossa Senhora e capaz de levar a mensagem a quem tinha autoridade para decidir.
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Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- 9 a 12 dez. 1531
Aparições, segundo a tradição
A Enciclopédia Católica, expondo o relato tradicional, situa o primeiro encontro de Juan Diego com a Virgem no sábado, 9 de dezembro de 1531, e o último na terça-feira, 12 de dezembro.
- 1556
Inquérito canônico
Segundo a Enciclopédia Católica, o arcebispo Montúfar, sucessor de Zumárraga, abriu um inquérito canônico sobre a tradição das aparições.
- 1754
Benedito XIV
Segundo a Enciclopédia Católica, Benedito XIV declarou Nossa Senhora de Guadalupe padroeira nacional, fixou o dia 12 de dezembro como dia santo de guarda, com oitava, e mandou compor Missa e Ofício próprios. No mesmo ano, o santuário foi agregado à Basílica de São João de Latrão.
- 23 jan. 1999
João Paulo II no Tepeyac
Na Basílica de Guadalupe, o Papa apresenta a Ecclesia in America à Virgem mestiça do Tepeyac, Estrela do Novo Mundo.
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A tradição das aparições e sua transmissão
O núcleo desta seção vem da Enciclopédia Católica (verbete Shrine of Guadalupe, de 1910), que expõe o relato tradicional e as provas documentais que invoca.
O relato
Segundo a tradição, Juan Diego caminhava para a missa na Cidade do México quando a Virgem lhe apareceu no Tepeyac e pediu um templo naquele lugar. Em 12 de dezembro, quando o tio dele, Bernardino, estava com febre, a Virgem o encontrou outra vez, prometeu a cura e pediu que levasse ao bispo rosas colhidas nas rochas, embora não fosse a estação. Ao abrir o manto diante de Zumárraga, as rosas caíram e a imagem de Nossa Senhora apareceu no tecido. A obra registra que a Virgem se identificou como Santa Maria de Guadalupe.
O que a Enciclopédia diz da imagem
O manto é de fibra vegetal, provavelmente de maguey, formado por duas tiras unidas por uma costura que atravessa a figura. A Enciclopédia descreve as cores principais e conta que pintores estranharam o tecido sem preparo e a mistura de técnicas. É uma descrição de 1910, e a obra não apresenta verificação independente moderna.
Limites das fontes
A mesma Enciclopédia informa que a tradição foi sustentada por depoimentos jurados em inquéritos e por testamentos de contemporâneos de Juan Diego, e que inquéritos foram enviados a Roma em 1663, 1666, 1723 e 1750. Cita também uma carta de Zumárraga aos franciscanos da Espanha, sem reproduzi-la. As fontes consultadas aqui não permitem afirmar mais do que isso, e este perfil não repete pormenores que elas não confirmam.
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O culto, o santuário e a Santa Sé
Do Tepeyac a Roma
Desde 1531 ou 1532 as peregrinações ao Tepeyac continuam quase sem interrupção, segundo a Enciclopédia Católica. Parte do santuário primitivo ainda forma a sacristia paroquial. Por volta de 1750 o santuário tornou-se colegiado, e em 1754 foi agregado a São João de Latrão. A Enciclopédia informa ainda que Leão XIII aprovou um segundo noturno histórico para o Ofício e mandou coroar a imagem em seu nome, e que São Pio X concedeu aos sacerdotes mexicanos a missa de Guadalupe no dia 12 de cada mês.
Padroeira de toda a América
Na Ecclesia in America (n. 11), João Paulo II registra que a Assembleia Especial do Sínodo invocou Nossa Senhora de Guadalupe como Padroeira de toda a América e Estrela da primeira e da nova evangelização. Ele acolhe a proposta de celebrar em todo o continente, a cada 12 de dezembro, a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, Mãe e Evangelizadora da América, e afirma que ela é venerada como Rainha de toda a América. A exortação (n. 15) lembra que Santa Rosa de Lima foi proclamada padroeira principal da América por Clemente X, em 1670. As fontes consultadas não registram um decreto único que fixe o título de Guadalupe.
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Como a Igreja celebra a festa
No calendário
A festa cai em 12 de dezembro, no Advento, e é assim apresentada pelo Vatican News. Segundo a Enciclopédia Católica, Benedito XIV deu-lhe dia santo de guarda, oitava, Missa e Ofício próprios para o México. Na Ecclesia in America, o Papa acolhe a proposta de estendê-la, nessa data, a todo o continente.
O sentido da oração
Na homilia de 1999, João Paulo II pede a Nossa Senhora que acompanhe a Igreja na América para que anuncie sempre o Evangelho e renove seu espírito missionário, e a invoca como Rainha da Paz, pedindo que salve as nações e os povos do continente. A festa pede ao fiel o mesmo movimento: acolher Cristo, que Nossa Senhora traz, e levá-lo aos outros.
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