
Festa: 10 de dezembro
Nossa Senhora de Loreto
Padroeira dos aviadores • Memória facultativa desde 2019
Em Loreto, na região italiana das Marcas, os fiéis veneram há séculos a Santa Casa, que a tradição identifica com a casa de Nazaré onde a Virgem Maria recebeu o anúncio do anjo. Esta memória não celebra a vida de um santo, mas o mistério da Encarnação, lembrado num santuário ligado de modo especial à Sé Apostólica. Em 2019, o papa Francisco a inscreveu no Calendário Romano Geral, em 10 de dezembro, como memória facultativa.
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O caminho de santificação
O centro da devoção de Loreto é o mistério da Encarnação. O decreto de 2019, da Congregação para o Culto Divino, apresenta o santuário como lugar que recorda a Anunciação e a resposta de Nossa Senhora ao chamado de Deus. Diz que, coberta pela sombra do Espírito, a humilde serva do Senhor tornou-se morada da divindade, e espera que a memória ajude todos, em especial as famílias, os jovens e os religiosos, a imitar as virtudes da Virgem Mãe, discípula perfeita do Evangelho.
São João Paulo II tratou do mesmo ponto no Breve Mysterium Incarnationis, de 8 de setembro de 1994, escrito para o sétimo centenário da tradição lauretana. Ali afirma que o santuário recebe fiéis de todo o mundo cristão que vêm recordar o Verbo feito homem no seio da Virgem Maria, e que Deus, por intercessão da Virgem, continua a conceder nesse lugar dons para a saúde da alma e do corpo. A devoção a Nossa Senhora, nessa leitura, não faz sombra a Cristo: nasce da fé em quem ela trouxe ao mundo.
O decreto lembra ainda que Loreto foi comparada a Nazaré por mostrar as virtudes da Sagrada Família, que santos e beatos ali discerniram a própria vocação, que doentes buscaram conforto e que os fiéis rezaram a Ladainha de Loreto. A vida comum de uma família, com trabalho, oração e obediência a Deus, foi o lugar escolhido para a vinda do Salvador.
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Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- 1291 e 1294
A tradição da Santa Casa
Segundo a inscrição do século XVI conservada em Loreto, a casa teria sido levada de Nazaré a Tersato, na Ilíria, em 1291, e em 1294 à região de Recanati, fixando-se enfim na colina de Loreto. É relato de tradição, e as fontes consultadas não dão o dia da chegada.
- 11 jul. 1587
Ladainha Lauretana
Sisto V aprova formalmente a Ladainha pela bula Reddituri.
- 24 mar. 1920
Padroeira dos aviadores
Bento XV proclama Nossa Senhora de Loreto padroeira de todos os aviadores, por breve pontifício.
- 7 out. 2019
Memória no Calendário Romano
Decreto da Congregação para o Culto Divino, por vontade do papa Francisco, inscreve a memória facultativa em 10 de dezembro.
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O mistério que Loreto recorda
A devoção lauretana remete a duas passagens do Novo Testamento, citadas aqui apenas por referência.
A Anunciação
Lucas 1,26-38 conta que o anjo Gabriel foi enviado a uma virgem de Nazaré, chamada Maria, e que ela deu seu consentimento ao plano de Deus. É essa cena que o decreto de 2019 coloca no centro da memória de 10 de dezembro. O texto bíblico não fala de casa nem de santuário; a ligação entre Nazaré e Loreto pertence à tradição posterior.
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A Santa Casa: o que a tradição diz e o que os documentos permitem afirmar
A Enciclopédia Católica (1912) e a Santa Sé tratam o tema com cuidados diferentes, e é útil distingui-los.
A tradição
A inscrição do século XVI na fachada oriental da basílica conta que anjos transportaram a casa da Palestina para Tersato, na Ilíria, em 1291, no pontificado de Nicolau IV. Em 1294, nos primeiros anos de Bonifácio VIII, a casa teria passado para um bosque perto de Recanati, na Marca de Ancona, e, depois de mudar de lugar três vezes em cerca de um ano, ficou na colina de Loreto. Dentro da basílica, a casa guarda uma estátua escurecida pelo tempo, da Virgem com o Menino.
A discussão histórica
O artigo da Enciclopédia Católica, assinado por Herbert Thurston, expõe as dificuldades levantadas pelo cônego Chevalier em 1906: antes de 1291, os peregrinos em Nazaré eram levados a uma gruta e não a uma casa; as crônicas e relatos de peregrinos orientais não registram nenhuma remoção; havia em Loreto uma igreja dedicada à Virgem já nos séculos XII e XIII; e nenhum escritor menciona a translação antes de 1472. O artigo conclui que a devoção pode subsistir sem a certeza histórica da translação e sugere, como hipótese, que uma imagem venerada tenha sido levada de Tersato a uma capela de Loreto. As fontes institucionais consultadas não permitem confirmar nem excluir essa hipótese, e o artigo tem mais de um século: não deve ser tomado como palavra final.
A aprovação pontifícia
O mesmo artigo registra que Júlio II, em 1507, foi o primeiro papa a mencionar a translação, em termos prudentes, e que Paulo II, em 1464, já falava de uma fundação milagrosa da igreja. Registra também Ofício e Missa próprios concedidos em 1699 e a investigação ordenada por Bento XIV em 1751, que não encontrou alicerces sob a casa. O decreto de 2019 prefere falar da veneração da Santa Casa, que remonta à Idade Média, e do vínculo antigo do santuário com a Sé Apostólica, sem se pronunciar sobre o modo como a casa chegou a Loreto.
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A Ladainha Lauretana
A ladainha mais rezada depois do terço leva o nome do santuário onde se tornou costume.
Origem
Segundo a Enciclopédia Católica, há pouca documentação sobre a origem da ladainha. A crítica histórica a situa no fim do século XV ou no início do XVI. O texto mais antigo conhecido, impresso em Dillingen, na Alemanha, é de cerca de 1557 ou 1558. O artigo julga provável que o texto de Loreto tenha se tornado costume na Santa Casa por volta do fim do século XV, embora nenhum manuscrito dessa fase tenha chegado até nós.
Aprovação e acréscimos
A primeira aprovação definitiva é de Sisto V, pela bula Reddituri, de 11 de julho de 1587, que também recomendou aos pregadores difundi-la. Clemente VIII, em 1601, confirmou a ladainha e proibiu novas ladainhas sem aprovação. Depois vieram invocações acrescentadas por decisão da Santa Sé, como "Rainha do Santo Rosário", prescrita por Leão XIII em 1883.
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Padroeira dos aviadores e memória universal
O patronato de 1920
Segundo um subsídio pastoral da diocese de Crema, Bento XV, acolhendo o desejo dos pilotos da Primeira Guerra Mundial, proclamou Nossa Senhora de Loreto celeste padroeira de todos os aviadores pelo breve pontifício de 24 de março de 1920, e aprovou uma fórmula de bênção dos aviões para o Ritual Romano. O Vatican News acrescenta que os aviadores daquele tempo chamavam seus aparelhos de "casa voadora", em alusão à tradição da Santa Casa.
O decreto de 7 de outubro de 2019
O decreto, assinado pelo cardeal Robert Sarah e pelo arcebispo Arthur Roche (Prot. 404/19), estabelece que a memória facultativa da Bem-aventurada Virgem Maria de Loreto seja inscrita no Calendário Romano em 10 de dezembro, dia em que a festa é celebrada em Loreto, e que conste de todos os calendários e livros litúrgicos da Missa e da Liturgia das Horas. O texto lembra que os viajantes do ar consideram há muito tempo Nossa Senhora de Loreto sua protetora no céu.
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Fontes consultadas
- Vatican News — santoral de 10 de dezembro ↗
- Santa Sé — Decreto sobre a celebração da Bem-aventurada Virgem Maria de Loreto (7 de outubro de 2019) ↗
- Enciclopédia Católica — Santa Casa di Loreto (Holy House of Loreto) ↗
- Enciclopédia Católica — Litany of Loreto ↗
- São João Paulo II — Breve Mysterium Incarnationis (8 de setembro de 1994) ↗
- Vatican News — Giubileo lauretano (3 de dezembro de 2019) ↗
- Diocese de Crema — Subsídio pastoral sobre a Bem-aventurada Virgem de Loreto ↗