
Festa: 14 de dezembro
São João da Cruz
Presbítero e doutor da Igreja • 1542–1591
Juan de Yepes nasceu em 1542 em Fontiveros, perto de Ávila, de uma família que a pobreza marcou desde a morte do pai. Entrou no Carmelo em Medina del Campo, estudou em Salamanca, foi ordenado em 1567 e, ao conhecer Santa Teresa de Jesus, tornou-se o primeiro frade da reforma dos carmelitas descalços. Preso em Toledo por religiosos da observância antiga, compôs ali parte do Cântico espiritual. Morreu em dezembro de 1591 e foi proclamado doutor da Igreja por Pio XI em 1926.
01
O caminho de santificação
Bento XVI dedicou a São João da Cruz a audiência geral de 16 de fevereiro de 2011. Ali conta que o pai, de origem nobre, foi deserdado por casar com uma tecelã humilde, e que a família viveu na pobreza. Aos nove anos João foi com a mãe e o irmão para Medina del Campo, estudou no colégio dos Doutrinos, serviu como enfermeiro no hospital e, aos 18 anos, passou três anos no colégio dos jesuítas, estudando humanidades, retórica e línguas clássicas. Sentiu então o chamado ao Carmelo, onde iniciou o noviciado em 1563, com o nome de João de São Matias, e estudou em Salamanca de 1564 a 1567.
O encontro com Teresa de Jesus em Medina del Campo mudou o rumo. Ela propunha reformar também o ramo masculino do Carmelo, e João aderiu com firmeza. Em 28 de dezembro de 1568 abriu-se em Duruelo, lugar solitário da província de Ávila, a primeira casa de carmelitas descalços, e João, que ali renovou os votos pela Regra primitiva, passou a chamar-se João da Cruz. O Vatican News dá 28 de novembro para essa abertura; a audiência de Bento XVI, na Santa Sé, dá 28 de dezembro, e é a data usada aqui. Em 1572, a pedido de Teresa, tornou-se confessor e vigário no mosteiro da Encarnação, em Ávila, onde ela era priora, e ali escreveu suas primeiras obras.
Em 1577, por uma acusação injusta, foi sequestrado e preso por religiosos da observância antiga, em Toledo, onde passou meses sob privações e maus-tratos. O Vatican News fala em nove meses. Foi nessa prisão, segundo Bento XVI, que compôs o Cântico espiritual. Na noite de 16 para 17 de agosto de 1578, conforme a audiência, conseguiu fugir e refugiou-se no mosteiro das carmelitas descalças da cidade; o Vatican News dá 14 de agosto, e as fontes divergem quanto ao dia. Para o papa, a vida dele foi dura e concreta, e não uma fuga para o misticismo; ele escreveu algumas de suas páginas mais belas no sofrimento.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- 24 jun. 1542
Nascimento
Nasce em Fontiveros, perto de Ávila. O Vatican News dá a data de 24 de junho; a audiência de Bento XVI dá apenas o ano.
- 1563–1567
Carmelo e Salamanca
Inicia o noviciado em Medina del Campo, com o nome de João de São Matias, estuda em Salamanca e é ordenado sacerdote em 1567.
- 28 dez. 1568
Duruelo
Abre-se a primeira casa de carmelitas descalços, e ele passa a chamar-se João da Cruz. O Vatican News dá 28 de novembro.
- 1577–1578
Prisão em Toledo
Preso por carmelitas da observância antiga, compõe o Cântico espiritual e foge na noite de 16 para 17 de agosto de 1578 (14 de agosto, segundo o Vatican News).
- 13–14 dez. 1591
Morte
Morre, segundo Bento XVI, na noite entre 13 e 14 de dezembro, durante o canto das Matinas, num convento solitário perto de Jaén; seus restos mortais foram levados para Segóvia.
- 1675, 1726, 1926
Reconhecimento
Clemente X o beatifica em 1675, Bento XIII o canoniza em 27 de dezembro de 1726 e Pio XI o proclama doutor da Igreja em 24 de agosto de 1926.
03
A noite escura e o caminho do amor
Purificação ativa e passiva
Bento XVI resume a doutrina assim: o caminho da alma começa pela purificação dos sentidos e continua pelas virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade, que purificam a inteligência, a memória e a vontade. Na Noite escura, descreve-se a ação do próprio Deus: o esforço humano consegue refrear inclinações más, mas não arrancá-las inteiramente, e Deus purifica o espírito de modo radical. O papa lembra a imagem do fogo: o Espírito Santo consome a impureza, e as provações, vividas como noite, preparam a união amorosa com Deus.
Despojamento e união
A purificação, observa o papa, não é simplesmente carecer das criaturas, mas retirar os apegos desordenados a elas; as criaturas são boas, mas nada diante de Deus, e Cristo é o único caminho definitivo para o Pai. No Cântico espiritual, a alma percorre a posse alegre de Deus até amá-Lo com o mesmo amor com que é amada; na Chama viva de amor, a imagem é a da lenha que, ao arder, torna-se chama. Esse ensinamento, diz Bento XVI, não é peso extra para o cristão, mas luz e força para carregar o peso da vida.
04
As obras e a morte
Os escritos
As quatro obras maiores, segundo Bento XVI e o Vatican News, são a Subida do Monte Carmelo, a Noite escura, o Cântico espiritual e a Chama viva de amor. O papa o considera um dos maiores poetas líricos da língua espanhola. Os tratados em prosa foram concluídos nos cerca de dez anos que passou na Andaluzia, sobretudo em Granada, onde exerceu cargos de governo, até vigário provincial.
O fim da vida
Enviado à nova província do México, retirou-se, segundo Bento XVI, a um convento solitário perto de Jaén, onde adoeceu gravemente. Morreu na noite de 13 para 14 de dezembro de 1591, durante as Matinas, dizendo aos irmãos que iria cantar o Ofício no céu naquele dia. A audiência não dá o nome do lugar da morte.
05
Reconhecimento pela Igreja
Beato, santo e doutor
Bento XVI registra a beatificação por Clemente X, em 1675, a canonização por Bento XIII, em 1726, e a proclamação como doutor da Igreja por Pio XI, em 1926. O Vatican News, em 2026, em que se lembram os dois centenários, dá as datas de 27 de dezembro de 1726 e de 24 de agosto de 1926, e chama-o Doctor mysticus, o doutor místico, título tradicional.
06