
Festa: 18 de dezembro
São Malaquias
Profeta • século V a.C.
Malaquias é o nome que encabeça o último livro dos doze profetas menores do Antigo Testamento. Quase nada se sabe dele além do que o livro mostra: pregou depois da volta do exílio na Babilônia, com o Templo já reconstruído, num tempo em que o culto tinha esfriado. Anunciou o mensageiro que prepararia o caminho do Senhor e a vinda do profeta Elias antes do dia do Senhor, e o Novo Testamento aplica essas palavras a João Batista. A Enciclopédia Católica considera mais provável que “Malaquias”, que quer dizer “mensageiro de Javé”, seja o nome do autor, ou um título que funcionava como nome.
01
O caminho de santificação
O Vatican News resume a pregação de Malaquias: ao voltar do exílio, ele denunciou uma religiosidade exterior, que nada tinha a ver com Deus e com a justiça, e convidou o povo ao encontro com o Senhor. A Enciclopédia Católica descreve os alvos concretos do profeta: sacerdotes que ofereciam animais defeituosos no culto e ensinavam mal a Lei, divisões dentro do povo, casamentos com estrangeiros e abuso do divórcio, além da negligência no pagamento dos dízimos.
Malaquias anuncia também uma oferta pura, apresentada ao nome de Deus entre todas as nações (Ml 1,10-11). O Martirológio Romano, na versão da Conferência Episcopal Italiana, lembra que sempre e em todo lugar se deve oferecer ao nome do Senhor uma oblação pura. A Enciclopédia Católica diz que a Antiguidade cristã entendeu essa passagem como referência ao sacrifício eucarístico, e remete ao Concílio de Trento (sessão XXII).
Da pessoa de Malaquias, a Enciclopédia diz que tudo o que se sabe se resume no teor de sua pregação e no tempo aproximado em que ele viveu. O que ele deixa à Igreja é, portanto, a sua mensagem: pede fidelidade concreta no culto, na família e na vida do povo, e anuncia que o Senhor virá ao seu Templo (Ml 3,1) para purificar o povo.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- séc. VI–V a.C.
Depois do exílio
O Vatican News situa Malaquias entre os séculos VI e V a.C., na volta do exílio babilônico.
- c. 450 a.C.
O livro
A Enciclopédia Católica data a composição do livro por volta de 450 a.C., pouco antes da primeira missão de Neemias (445 a.C.), com o Templo de pé e o culto já relaxado.
- Ml 3,1
O mensageiro
Deus promete enviar o mensageiro que prepara o caminho, e depois o Senhor virá ao seu Templo.
- Ml 3,23–24
Elias
O livro termina anunciando a vinda do profeta Elias antes do dia do Senhor (Ml 4,5-6 na Vulgata).
- Novo Testamento
O cumprimento
Jesus aplica a profecia a João Batista (Mt 11,10.14; Mt 17,11-12), e o anúncio a Zacarias também a evoca (Lc 1,17).
- 18 dez.
Memória
O Martirológio Romano inscreve a memória de São Malaquias, profeta, em 18 de dezembro.
03
O profeta e o livro
Tudo o que se afirma sobre Malaquias vem do próprio livro. As referências abaixo servem de indicação de leitura.
O último dos doze profetas menores
A Enciclopédia Católica explica que o Livro de Malaquias fecha a coleção dos doze profetas menores, e por isso o autor foi considerado, por muito tempo, o último dos profetas canônicos do Antigo Testamento. O livro tem três capítulos no texto hebraico e quatro na Septuaginta e na Vulgata, porque o final do terceiro hebraico forma um capítulo à parte.
Quando e para quem pregou
Para situar a época, a Enciclopédia observa que o livro fala do governador (peha), título dos governadores persas, e que o Templo já existia, mas o culto estava relaxado. Os abusos denunciados são os mesmos que a reforma de Neemias enfrentou, e por isso o livro teria sido escrito por volta de 450 a.C.
As queixas contra os sacerdotes e o povo
Na primeira parte do livro (Ml 1,2 – 2,16), o profeta acusa os sacerdotes de oferecer vítimas defeituosas e de falhar no ensino da Lei. Depois acusa o povo de divisões internas, de casamentos com estrangeiros que desprezavam a própria identidade e do abuso do divórcio.
O dia da justiça
Na segunda parte (Ml 2,17 – 3,24), o povo se queixa de que os maus prosperam e os justos sofrem. Deus responde que virá purificar os filhos de Levi e a nação inteira, que o povo será abençoado se for fiel, sobretudo no dízimo, e que no dia da justiça de Deus os bons serão recompensados. Segundo a Enciclopédia, o livro termina com dois epílogos: a lembrança de Moisés e da Lei dada no Horeb, e o anúncio da vinda de Elias.
04
O mensageiro, Elias e a oferta pura
O mensageiro que prepara o caminho
Em Ml 3,1, Deus anuncia que enviará o seu mensageiro para preparar o caminho diante dele. Em seguida, o Senhor que o povo procura virá ao seu Templo. A Enciclopédia Católica nota que o texto liga a vinda do mensageiro à do próprio Senhor.
Elias antes do dia do Senhor
No segundo epílogo do livro (Ml 3,23-24 no texto hebraico; Ml 4,5-6 na Vulgata), o mensageiro é identificado com o profeta Elias, que virá antes do dia do Senhor.
O cumprimento em João Batista
A Enciclopédia Católica lembra que várias passagens do Novo Testamento aplicam as duas profecias a João Batista, precursor de Jesus (Mt 11,10.14; Mt 17,11-12; Mc 9,10-13; Lc 1,17). O Vatican News diz o mesmo: Malaquias profetizava a vinda do mensageiro de Deus, João Batista.
A oferta pura
A Enciclopédia Católica reconhece que a passagem de Ml 1,10-11 tem dificuldades de construção, mas conclui que o sentido é messiânico: o profeta anuncia uma nova oferta, universal, que sucede os sacrifícios do Templo. Os cristãos da Antiguidade entenderam essa oferta como a Eucaristia. A mesma obra afirma que o texto de Malaquias, sozinho, não basta para determinar a forma exata do sacrifício anunciado.
05
A memória na Igreja
A memória de 18 de dezembro
O Martirológio Romano, na versão da CEI, lembra Malaquias, profeta, que depois da volta da Babilônia anunciou o grande dia do Senhor e a sua vinda ao Templo, e que sempre e em toda parte se deve oferecer ao seu nome uma oblação pura. A memória cai nos dias finais do Advento, e a fonte consultada não diz desde quando é celebrada.
Um santo do Antigo Testamento
As fontes consultadas não registram processo de canonização nem culto em local determinado. A Igreja o recorda entre os profetas do Antigo Testamento, por causa da mensagem de seu livro.
06
O que as fontes deixam incerto
O nome
A Septuaginta traduziu a palavra de Ml 1,1 como “seu mensageiro”, sem ver ali um nome próprio. A Enciclopédia Católica considera mais provável que seja o nome do autor, ou um título equivalente a nome, abreviação de “mensageiro de Javé”. Também registra que as escolas judaicas identificaram cedo o profeta com o escriba Esdras, e que essa identificação não tem valor histórico.
A época
O Vatican News diz que Malaquias viveu entre os séculos VI e V a.C. A Enciclopédia Católica situa o livro por volta de 450 a.C. e rejeita a hipótese de uma data no século II a.C. As duas fontes concordam com o essencial, que é a volta do exílio e o Templo reconstruído.
A vida do profeta
As fontes consultadas não dizem nada sobre a origem, a família, o lugar de nascimento ou o fim da vida de Malaquias.
O final do livro
A Enciclopédia Católica diz que muitos críticos veem os dois epílogos como acréscimo de outra mão, mas lembra que dessa observação sozinha não se pode tirar nenhuma conclusão segura. A unidade do livro, no conjunto, é considerada fora de dúvida.
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