
Festa: 4 de novembro
São Carlos Borromeu
Arcebispo de Milão e reformador da Igreja • 1538–1584
Carlos Borromeu nasceu em 2 de outubro de 1538, em Arona, às margens do Lago Maior, de família nobre. Sobrinho do papa Pio IV, foi chamado a Roma ainda jovem e teve parte importante na retomada e na conclusão do Concílio de Trento. Em 1565 foi viver em Milão como arcebispo, o primeiro a residir ali em cerca de oitenta anos, segundo a Enciclopédia Católica. Visitou a diocese, fundou seminários, cuidou da catequese e, na peste de 1576, ficou ao lado do povo. Morreu em 3 de novembro de 1584, aos 46 anos, e foi canonizado em 1610.
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O caminho de santificação
A morte do irmão mais velho, Frederico, em 28 de novembro de 1562, foi decisiva. A Enciclopédia Católica conta que Carlos resolveu então se dedicar com mais rigor às coisas espirituais, apesar da pressão da família, e até de uma sugestão do papa, para que deixasse o estado eclesiástico e se casasse. O Vatican News resume: muitos o aconselharam a abandonar o cargo e chefiar a família, e ele decidiu seguir a vocação sacerdotal.
Para Carlos, a reforma da Igreja precisava começar pelos pastores. No primeiro concílio provincial, em Milão, ele disse que os bispos deviam caminhar à frente, e que os fiéis os seguiriam com mais facilidade. O Vatican News recorda a frase que ele repetia: as almas devem ser conquistadas de joelhos. Seu lema episcopal era Humilitas, a palavra que aparece coroada no escudo dos Borromeu.
Na peste de 1576, a Enciclopédia Católica conta que ele fez seu testamento, em 9 de setembro, e depois se entregou inteiramente ao povo. Visitou casas de doentes e o hospital de São Gregório, onde estavam os casos mais graves, e fez procissões descalço, com uma corda no pescoço. O Vatican News acrescenta que ele empregou todos os seus bens para ajudar os enfermos. Os dois pontos que mais se destacam nessa vida, portanto, são a disciplina que ele pediu primeiro a si mesmo e a presença junto de quem sofria.
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Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- 2 out. 1538
Nascimento
Nasce no castelo de Arona, segundo filho do conde Giberto Borromeu e de Margarida de Médici. Aos doze anos recebe a tonsura e o título de abade comendatário de uma abadia beneditina local.
- 1559
Doutor em direito
Conclui em Pavia o doutorado em direito civil e canônico (in utroque jure).
- 31 jan. 1560
Cardeal
Pio IV, seu tio, o cria cardeal e lhe confia a administração dos Estados Pontifícios, como secretário de Estado. Em 8 de fevereiro é nomeado administrador da arquidiocese de Milão.
- 28 nov. 1562
Morte do irmão
Morre o conde Frederico, irmão mais velho de Carlos.
- 1563
Ordenação e fim de Trento
É ordenado padre e consagrado bispo, segundo o Vatican News. O Concílio de Trento termina em 3 e 4 de dezembro de 1563.
- 11 nov. 1564
Seminário
É aberto em Milão o seminário, sob a direção de jesuítas enviados por Carlos.
- 23 set. 1565
Entrada em Milão
Faz a entrada solene em Milão como arcebispo residente. Em 15 de outubro abre o primeiro concílio provincial.
- 26 out. 1569
Atentado
Um membro da ordem dos Humilhados atira contra ele durante a oração da tarde, na capela.
- 1576–1577
A peste
Durante a peste de Milão, visita doentes, organiza o socorro e conduz procissões de penitência.
- 1578
Turim
Faz a peregrinação a Turim para rezar diante do Santo Sudário e funda os Oblatos de Santo Ambrósio.
- 3 nov. 1584
Morte
Morre em Milão, aos 46 anos.
- 1 nov. 1610
Canonização
Paulo V o canoniza solenemente e fixa a festa em 4 de novembro.
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De Arona a Roma
Família e estudos
A Enciclopédia Católica conta que Carlos era o segundo filho, e o terceiro de seis irmãos, do conde Giberto Borromeu e de Margarida de Médici, irmã do cardeal que se tornou o papa Pio IV. A mãe morreu por volta de 1547. Estudou em Pavia e, com a morte do pai em 1558, assumiu os negócios da família. Em 1559 concluiu o doutorado em direito civil e canônico.
Cardeal e secretário de Estado
Em janeiro de 1560, o tio Pio IV o chamou a Roma. Carlos foi criado cardeal em 31 de janeiro, recebeu a administração dos Estados Pontifícios e foi nomeado administrador da arquidiocese de Milão. Em Roma, ainda segundo a Enciclopédia, a paciência e a dedicação dele contribuíram muito para que o Concílio de Trento fosse reaberto e concluído.
Trento e o Catecismo
O Vatican News diz que Carlos foi ordenado padre em 1563, aos 25 anos, e consagrado bispo logo depois. Acrescenta que ele foi um dos principais promotores da reforma do Concílio e colaborou na redação do Catecismo Tridentino. O Martirológio Romano, na versão da CEI, destaca que, como bispo de Milão, ele convocou sínodos, criou seminários para a formação do clero, visitou várias vezes todo o seu rebanho e emanou muitos decretos para a salvação das almas.
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O arcebispo em Milão
A chegada
O Concílio de Trento obrigava os pastores a residir em suas dioceses, e Carlos fez a entrada solene em Milão em 23 de setembro de 1565, aos 27 anos de idade. Na semana seguinte pregou na catedral. O primeiro concílio provincial terminou em 3 de novembro, e já em 1564 seu vigário, Nicolau Ormaneto, tinha convocado um sínodo diocesano com 1.200 padres e aberto o seminário.
Reforma do clero e da diocese
O Vatican News registra que ele fez três visitas pastorais em todo o território, dividiu a arquidiocese em circunscrições, fundou seminários, mandou construir igrejas, escolas, colégios e hospitais, fundou a Congregação dos Oblatos, de padres seculares, e deu aos pobres a riqueza da família. A Enciclopédia Católica diz que ele cuidou também do tribunal diocesano, dos cônegos da catedral e dos presos.
A catequese das crianças
A Enciclopédia Católica destaca a Confraria da Doutrina Cristã, criada para instruir as crianças de modo sistemático, e a considera o início do que hoje se chama escola dominical. Informa ainda que, em 1567, Carlos visitou vales suíços de sua jurisdição, viajando muitas vezes a pé ou em mula, por terrenos difíceis.
O Sudário e os Oblatos
Em 1578 ele fez a primeira peregrinação a Turim para venerar o Santo Sudário. O Vatican News diz que a viagem foi a pé, em quatro dias, em jejum e oração. No mesmo ano, em 16 de agosto, começou a fundação da congregação de padres seculares sob o patrocínio de Nossa Senhora e Santo Ambrósio, os Oblatos de Santo Ambrósio, como informa a Enciclopédia.
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Conflitos e o atentado de 1569
Disputas de jurisdição
A Enciclopédia Católica conta que, a partir de 1567, autoridades do rei da Espanha contestaram a jurisdição do arcebispo em Milão. As disputas chegaram ao papa, que decidiu a favor do arcebispo. Houve também conflito com os cônegos da igreja de Santa Maria della Scala, que Carlos absolveu publicamente em 5 de fevereiro de 1570.
O tiro na capela
Em 26 de outubro de 1569, enquanto Carlos rezava com a casa na capela, um membro dos Humilhados, ordem da qual ele era protetor e que resistia às reformas, atirou contra ele. A Enciclopédia diz que a bala não perfurou as vestes, embora tenha deixado um inchaço, e que ele fez sinal para que continuassem a oração. Ele pediu que não se processassem os culpados, mas quatro conspiradores foram condenados à morte. O Vatican News fala em tiro de mosquete pelas costas, enquanto ele rezava.
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A peste de Milão
Presença entre os doentes
Segundo a Enciclopédia Católica, a peste chegou a Milão em agosto de 1576, quando Carlos estava em Lodi, para o funeral do bispo. Ele voltou na hora, fez o testamento e visitou pessoalmente as casas atingidas. No início só com dificuldade conseguiu que o clero secular o ajudasse, mas as palavras dele acabaram por convencê-los. O Vatican News situa a epidemia entre 1576 e 1577.
Penitência e promessa
Carlos caminhou em procissão, descalço e com uma corda no pescoço, algumas vezes levando a relíquia do Santo Prego. Os milaneses fizeram o voto de construir uma igreja em honra de São Sebastião, se fossem livrados da peste, e cumpriram a promessa. Carlos escreveu então o Memoriale, dirigido aos bispos de sua província, sobre as lições do flagelo. No início de 1578, a peste tinha desaparecido.
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Morte, canonização e culto
A última viagem
A Enciclopédia Católica conta que ele passou os últimos meses de 1584 em visitas, subiu ao Monte Varallo para se preparar para a morte e, em 24 de outubro, teve febre. Continuou celebrando missa e dando a comunhão até o fim. Morreu em Milão em 3 de novembro, e o Martirológio Romano o celebra em 4 de novembro, “no dia seguinte” à sua morte.
Beatificação e canonização
O Vatican News diz que Carlos foi beatificado em 1602, por Clemente VIII, e canonizado em 1610, por Paulo V. A Enciclopédia Católica descreve que a devoção a ele se espalhou logo depois da morte e que o processo foi enviado à Congregação dos Ritos em 1604. Em 1º de novembro de 1610, Paulo V o canonizou solenemente e fixou a festa em 4 de novembro.
O repouso em Milão
Segundo o Vatican News, os restos mortais de São Carlos repousam na cripta da catedral de Milão, no chamado Scurolo, uma urna cercada por painéis de prata que contam episódios de sua vida.
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O que as fontes deixam incerto
Quando começou a ser arcebispo de Milão
A Enciclopédia Católica mostra que Carlos foi nomeado administrador da arquidiocese já em fevereiro de 1560, mas só foi viver em Milão em setembro de 1565, e que seus vigários governaram por ele nesse intervalo. O Vatican News fala em 1565 para a posse como arcebispo. Por isso este perfil dá 1565 como início da residência em Milão.
Detalhes do atentado
O Vatican News diz que ele foi atingido pelas costas por um tiro de mosquete, enquanto rezava. A Enciclopédia Católica descreve que a bala o atingiu ajoelhado diante do altar, sem atravessar as vestes. As fontes consultadas não esclarecem essa diferença.
A data da beatificação
Só o Vatican News traz a data de 1602 para a beatificação. A Enciclopédia Católica descreve o caminho do processo e a canonização em 1610, mas não dá data para a beatificação.
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