
Festa: 9 de novembro
Dedicação da Basílica do Latrão
Catedral do papa, mãe de todas as igrejas • Festa do Calendário Romano Geral
A Basílica de São João de Latrão é a catedral do bispo de Roma. Uma inscrição em suas paredes a chama mãe e cabeça de todas as igrejas da cidade e do mundo. A festa de 9 de novembro recorda a dedicação dessa igreja, ligada ao tempo de Constantino e do papa Silvestre, e celebra a comunhão da Igreja com a Sé de Pedro. Começou como festa local de Roma e, a partir de 1565, passou a ser observada em todas as igrejas de rito romano, segundo Bento XVI.
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O caminho de santificação
Bento XVI explicou, no Angelus de 9 de novembro de 2008, que o sentido da festa vai além de um edifício. A igreja de pedra simboliza a Igreja viva, a comunidade cristã que a primeira Carta de Pedro descreve como edifício espiritual feito de pedras vivas sobre Cristo, a pedra angular. São Paulo diz aos coríntios que o templo de Deus é santo, e esse templo são eles. No Evangelho de João, Jesus diz à samaritana que o Pai quer adoradores em espírito e verdade, e o Papa lê aí o desejo de Deus de ter um templo espiritual.
Na mesma ocasião, Bento XVI ligou a festa ao ministério do bispo de Roma. A residência dos papas no Latrão se explica porque o papa é bispo de Roma, e a festa expressa o amor à Igreja de Roma, que, nas palavras de Inácio de Antioquia, “preside na caridade” toda a comunhão católica. O Papa pediu ainda que cada comunidade cuide dos seus lugares de culto como patrimônio religioso e histórico, e que viva em unidade fraterna sincera, para que seja sacrifício espiritual agradável a Deus.
A liturgia do dia confirma essa leitura. O Lecionário da festa propõe a purificação do Templo, em João 2,13-22, em que Jesus fala do santuário de seu corpo. O edifício é bom e deve ser respeitado; mas o templo definitivo é Cristo e, por meio dele, o povo reunido em torno da Palavra e da Eucaristia.
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Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- 313
Edito de Constantino e concílio contra os donatistas
Depois do edito que dá liberdade religiosa aos cristãos, o imperador Constantino cede ao papa o terreno do Latrão; segundo a Enciclopédia Católica, um concílio contra os donatistas se reúne no palácio em 313.
- c. 324
Dedicação
Segundo Bento XVI, o papa Silvestre dedica a basílica por volta de 324; a Enciclopédia diz que foi dedicada primeiro ao Salvador.
- c. 460
Restauração por Leão Magno
A basílica, despojada de seus tesouros pelos vândalos, é restaurada por São Leão Magno; mais tarde, por Adriano I.
- 896
Terremoto
Um terremoto quase destrói a basílica; novos incêndios e reconstruções se seguem, até o século XIV.
- 1565
Festa para o rito romano
Segundo Bento XVI, a festa, até então só de Roma, passa a ser celebrada em todas as igrejas de rito romano.
03
Do palácio de Constantino à catedral do papa
A origem imperial
As fontes divergem em pormenores. Bento XVI diz que a basílica foi a primeira igreja construída depois do edito de Constantino de 313, que Constantino deu a propriedade ao papa Melquíades e que Silvestre a dedicou por volta de 324. A Enciclopédia Católica explica que o palácio do Latrão passou ao imperador pela esposa Fausta, que Constantino o entregou à Igreja sob o papa Melquíades, no máximo por volta de 311, e que um concílio contra os donatistas se reuniu ali em 313. Ambas as fontes concordam no essencial: o terreno imperial foi dado ao bispo de Roma, e ali se levantaram a basílica, o batistério e a residência papal.
O Salvador e os dois Joões
A Enciclopédia Católica afirma que a igreja foi dedicada primeiro ao Salvador, a Basilica Salvatoris, e que a dedicação a São João veio depois, ligada a um mosteiro beneditino vizinho de São João Batista e São João Evangelista; esse nome acabou prevalecendo no uso. A mesma Enciclopédia observa que Constantino, ao contrário do que se repete, não foi batizado por Silvestre no batistério do Latrão, e sim perto do fim da vida por Eusébio de Nicomédia.
Destruições, Avinhão e os concílios
A Enciclopédia Católica registra que os vândalos despojaram a basílica, que Leão Magno a restaurou por volta de 460 e Adriano I de novo mais tarde, que um terremoto a abalou em 896 e que incêndios exigiram reconstruções sob Clemente V, João XXII e Urbano V. Durante o período dos papas em Avinhão, Roma decaiu, e o Latrão caiu em abandono; quando os papas voltaram, Martinho V e seus sucessores iniciaram grandes obras, mas escolheram o Vaticano como residência. No palácio reuniu-se, na Idade Média, a série de concílios chamados do Latrão.
04
Como a Igreja celebra a festa
Mãe e cabeça de todas as igrejas
A inscrição que a Enciclopédia Católica cita nas paredes da basílica, omnium urbis et orbis ecclesiarum mater et caput, explica o título pelo qual a festa é lembrada. Não se trata de superioridade de um prédio sobre os outros, e sim da condição de catedral do bispo de Roma. Bento XVI aproveita esse ponto para falar da unidade: cada Igreja local, unida à Sé de Pedro, vive numa só comunhão.
Uma festa que chegou a todos
Segundo Bento XVI, a data foi observada primeiro só em Roma, e a partir de 1565 se estendeu a todas as igrejas de rito romano. As fontes consultadas não trazem o ato preciso que a fixou em 9 de novembro nem a razão da data, e por isso este perfil não afirma nada além disso. Em 2026, 9 de novembro cai numa segunda-feira.
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