
Festa: 11 de novembro
São Martinho de Tours
Bispo, monge e pai da Igreja na Gália • c. 316–397
Martinho nasceu por volta de 316, em Sabária, na Panônia (atual Hungria), filho de um tribuno militar, e foi alistado no exército romano. Ainda catecúmeno, repartiu o manto com um mendigo em Amiens e foi batizado. Deixou as armas, uniu-se a Santo Hilário de Poitiers, viveu como monge em Ligugé e foi feito bispo de Tours em 371 ou 372. Morreu em Candes, em 397 segundo a data que a Enciclopédia Católica considera mais provável.
01
O caminho de santificação
O gesto da capa resume uma vida. O Vatican News conta que, numa noite de inverno, Martinho, ainda soldado, deu metade do manto a um mendigo e depois sonhou com Jesus vestido com aquela metade. O Martirológio Romano da CEI diz que ele reconheceu Cristo no pobre. Foi batizado na Páscoa seguinte.
Como bispo, Martinho continuou a viver com simplicidade. A Enciclopédia Católica descreve a cela que ele manteve do outro lado do Loire, que se tornou o mosteiro de Marmoutier, e o Martirológio da CEI lembra que ele fundou mosteiros e paróquias nos povoados, instruiu e reconciliou o clero e evangelizou o campo. O Vatican News o chama de Apóstolo da Gália.
Martinho também errou e voltou atrás. Em Tréveris, ele intercedeu pela vida de Prisciliano, herege espanhol, que o imperador Máximo mandou executar a pedido do bispo Itácio. Martinho ficou profundamente abalado e se recusou a comungar com Itácio. Mais tarde cedeu para obter o perdão de dois rebeldes, e depois se recriminou amargamente por isso, segundo a Enciclopédia Católica.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- c. 316
Nascimento
Nasce em Sabária, na Panônia; o Vatican News dá 316 ou 317.
- c. 335
A capa
Em Amiens, ainda soldado, divide a capa com um mendigo; o Vatican News dá a data como aproximada.
- 361
Ligugé
Depois de Hilário voltar à Gália, Martinho se junta a ele em Poitiers e funda uma comunidade em Ligugé.
- 371–372
Bispo de Tours
Com a morte do bispo Lidório, o povo o aclama bispo; é consagrado em 4 de julho.
- 397
Morte
Morre em Candes, onde fora resolver um cisma entre o clero local.
- 470
Basílica
Seus sucessores, Britius e Perpétuo, constroem uma basílica sobre o túmulo, em Tours.
03
Soldado, monge e bispo
Da Panônia a Amiens
A Enciclopédia Católica conta que o pai de Martinho era tribuno militar e que a família se mudou para Pavia, na Itália. Martinho foi alistado no exército ainda adolescente e sentiu-se atraído pelo cristianismo, então difundido nos quartéis. Seu regimento foi enviado a Amiens. Ali, num dia frio, às portas da cidade, ele encontrou um mendigo seminu, cortou a capa em duas partes e deu uma ao pobre. Mais tarde foi dispensado do serviço militar em Worms, às margens do Reno.
Hilário, Ligugé e Milão
Martinho foi procurar os discípulos do bispo Hilário de Poitiers, firme opositor da heresia ariana. A Enciclopédia conta que, quando visitou os pais na Lombardia, a hostilidade ariana levou o bispo Auxêncio de Milão a mandar maltratá-lo. O Vatican News diz que, durante o exílio de Hilário, ele se retirou para um mosteiro perto de Milão. Quando Hilário pôde voltar à Gália, em 361, Martinho se reuniu a ele e fundou a comunidade de Ligugé, que cresceu e deu origem à abadia beneditina. Passou cerca de dez anos ali, pregando às populações rurais ainda ligadas à idolatria.
Eleito bispo de Tours
Quando o bispo de Tours morreu, o clero queria Martinho, mas ele recusou. Um cidadão chamado Rusticius o atraiu à cidade dizendo que a esposa estava doente, e, chegando a Tours, o povo o aclamou bispo, apesar da oposição de alguns eclesiásticos. A Enciclopédia Católica indica o ano de 371 ou 372, e o Vatican News, 371.
04
O túmulo de Tours e a memória de Martinho
A vida escrita por Sulpício Severo
Sulpício Severo foi amigo e discípulo de Martinho. A Enciclopédia Católica explica que a Vida de São Martinho foi escrita enquanto o santo ainda vivia e publicada só depois de sua morte, que foi muito popular na Idade Média e que é cheia de acontecimentos milagrosos. Esses relatos são tradição que a Igreja conserva, e a Vigília não os apresenta como fatos verificados.
Sepultura e peregrinação
O corpo foi levado de Candes a Tours e colocado num sarcófago de pedra. Sobre o túmulo, ergueu-se uma basílica em 470, substituída por outra, maior, em 1014. Até 1562, o santuário foi um dos grandes lugares de peregrinação da França. Naquele ano os protestantes o saquearam e destruíram o túmulo e as relíquias, e em 1793 os revolucionários demoliram a igreja, deixando de pé apenas duas torres. O túmulo foi localizado em escavações de dezembro de 1860, e os fragmentos estão hoje numa basílica menor, construída pelo arcebispo de Tours.
05
Datas e pontos em aberto
Datas que as fontes discutem
O Vatican News dá o nascimento como 316 ou 317. A Enciclopédia Católica situa a morte em 400, segundo alguns autores, mas considera 397 mais provável, e dá a Martinho cerca de 81 anos, enquanto o Vatican News diz cerca de 80. O Vatican News afirma que, em 397, Martinho viajou a Candes para resolver um cisma no clero local e morreu ali, deitado no chão nu, como queria. O Vatican News não menciona Ligugé; a Enciclopédia Católica e o Martirológio da CEI o fazem.
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