
Festa: 10 de novembro
São Leão Magno
Papa e doutor da Igreja • c. 400–461
Leão foi bispo de Roma de 440 a 461, num tempo de crise do Império Romano e de debates sobre a pessoa de Cristo. Sua carta dogmática a Flaviano, de Constantinopla, o Tomo a Flaviano, foi acolhida pelo Concílio de Calcedônia, em 451, como expressão da fé católica: Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Em 452 persuadiu Átila a deixar a Itália e, em 455, intercedeu junto aos vândalos de Genserico. Bento XIV o declarou doutor da Igreja em 1754.
01
O caminho de santificação
Leão era diácono da Igreja de Roma, sob o papa Celestino I, quando Sisto III morreu, em agosto de 440. Segundo Bento XVI, foi eleito enquanto cumpria uma missão de paz na Gália, e a Enciclopédia Católica registra que Sisto III morreu em 19 de agosto, com Leão ausente de Roma. Foi consagrado em 29 de setembro de 440 e governou a Igreja por mais de vinte anos. O percurso mostra um homem que a Igreja de Roma já conhecia como servidor de confiança antes de ser pastor.
O centro do seu ensinamento é a pessoa de Cristo e a unidade da Igreja em torno de Pedro. Bento XVI, na catequese de 5 de março de 2008, lembra a convicção de Leão de que o que foi confiado a um só apóstolo é comunicado a todos, e por isso o sucessor de Pedro tem a tarefa singular de servir à unidade. Leão não separava essa firmeza de um pensamento sobre a liturgia: para ele, a Páscoa devia ser vivida não só como lembrança do passado, mas como acontecimento do presente.
Leão também agiu como pastor da cidade em tempos de medo. Quando os hunos e, depois, os vândalos ameaçaram a Itália, foi ele quem interveio junto aos chefes invasores. Nem sempre conseguiu o que pedia, e as fontes dizem isso com clareza: em 455 não impediu o saque de Roma. O que fica é a imagem de um papa que não deixou o povo sozinho quando estava em perigo.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- 19 ago. 440
Morte de Sisto III
Segundo a Enciclopédia Católica, Leão estava na Gália quando o papa Sisto III morreu.
- 29 set. 440
Consagração
É consagrado bispo de Roma, segundo Bento XVI e a Enciclopédia Católica.
- 449
Tomo a Flaviano e sínodo de Éfeso
Escreve a carta sobre as duas naturezas de Cristo. Leão chamou de “Latrocínio de Éfeso” o sínodo de 449, que rejeitou.
- 451
Calcedônia
Cerca de 350 bispos reunidos em Calcedônia acolhem a carta de Leão e proclamam que Pedro falou pela boca de Leão.
- 452
Átila
Perto de Mântua, convence o líder dos hunos a interromper a invasão da Itália.
- 455
Os vândalos
Não consegue impedir o saque de Roma, mas obtém que as basílicas de São Pedro, São Paulo e São João sejam poupadas.
- 10 nov. 461
Morte
Morre em Roma e é sepultado junto ao túmulo de São Pedro.
- 1754
Doutor da Igreja
Bento XIV o proclama doutor da Igreja.
03
O Tomo a Flaviano e o Concílio de Calcedônia
A carta sobre o mistério de Cristo
Em 449, Leão escreveu a Flaviano, bispo de Constantinopla, uma carta doutrinal que a tradição conhece como Tomo a Flaviano. A Enciclopédia Católica a descreve como a exposição da união das naturezas divina e humana em Cristo. Bento XVI explica que o texto reafirma essa união na única pessoa de Cristo e recusa a heresia de Êutiques.
Éfeso e Calcedônia
A Enciclopédia Católica diz que Leão deu o nome de “Latrocínio de Éfeso” ao sínodo de 449, contra o qual se opôs. Dois anos depois, em 451, sob o imperador Marciano, reuniu-se o Concílio de Calcedônia. Bento XVI conta que cerca de 350 bispos acolheram a carta de Leão e proclamaram que Pedro falara pela boca de Leão. A Enciclopédia acrescenta que Leão confirmou os decretos do concílio, mas recusou o cânon que elevava a posição do patriarcado de Constantinopla.
04
Átila, os vândalos e o cuidado com Roma
O encontro com Átila (452)
Segundo Bento XVI, em 452 Leão encontrou o chefe dos hunos em Mântua e o convenceu a interromper a invasão da Itália. A Enciclopédia Católica situa o encontro às margens do rio Míncio, perto de Mântua, e diz que Leão obteve de Átila a promessa de se retirar. As fontes consultadas não descrevem a conversa, e não convém acrescentar pormenores que elas não trazem.
Os vândalos (455)
Em 455, Roma foi saqueada pelos vândalos de Genserico, e o saque durou cerca de duas semanas, segundo Bento XVI. Leão não pôde impedi-lo, mas obteve que as basílicas de São Pedro, São Paulo e São João fossem poupadas. A Enciclopédia Católica diz que, por sua intercessão, Genserico prometeu poupar a cidade e a vida de seus habitantes. As duas fontes concordam que Leão interveio e diferem no que realçam.
05
Escritos, sepultura e culto
Sermões e cartas
Bento XVI fala de cerca de cem sermões e cerca de cento e cinquenta cartas. A Enciclopédia Católica traz números mais exatos: 96 sermões autênticos e 143 cartas de Leão, além de trinta cartas que lhe foram dirigidas. Os números diferem porque um é aproximado e o outro, de contagem crítica.
Sepultamento e título de doutor
Leão morreu em 10 de novembro de 461. A Enciclopédia Católica diz que foi sepultado no vestíbulo de São Pedro e que o papa Sérgio transferiu seus restos para dentro da basílica em 688; hoje repousam sob o altar a ele dedicado. Bento XIV o declarou doutor da Igreja em 1754.
06
O que as fontes deixam em aberto
Nascimento e data da festa
A Enciclopédia Católica afirma que a data e o lugar do nascimento de Leão são desconhecidos; o Liber Pontificalis o diz toscano. O ano aproximado de 400 serve apenas de referência. A Enciclopédia indica 11 de abril como festa na Igreja latina, o que reflete o calendário anterior; o Calendário Romano atual celebra Leão em 10 de novembro, dia de sua morte.
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