Liturgia • Oração • Evangelização Envie seu pedido de oração

Santos e beatos

Biografias escritas pelo Vigília da Fé e conferidas em fontes institucionais.

← Todos os santos
Arte do Santo do dia, com cruz dourada sobre fundo azul

Festa: 14 de novembro

São Serapião

Mercedário e mártir • c. 1179–1240

Serapião foi um dos primeiros religiosos da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, fundada por São Pedro Nolasco para resgatar cristãos cativos. O Vatican News e a própria ordem concordam que nasceu por volta de 1178 ou 1179, nas ilhas britânicas, que viveu como soldado, segundo a ordem, antes de ingressar nela, que recebeu o hábito mercedário em 1222 e que morreu martirizado em Argel em 14 de novembro de 1240, depois de ficar como refém para garantir o resgate de cativos. As fontes divergem sobre sua origem exata e sobre vários detalhes, e este perfil registra as divergências.

01

O caminho de santificação

A tradição da ordem conta que Serapião trocou as armas pela caridade. A página dos mercedários do Chile diz que ele passou de cavaleiro de guerra a "cavaleiro da fé", entregando a vida para libertar cativos, e que a luta e a violência não bastaram para estabelecer a justiça. Sua conversão é apresentada como a dos primeiros discípulos: em vez de combater os inimigos, passou a oferecer a vida pelos cativos, como Cristo a ofereceu por todos.

Os mercedários assumiam o risco de dar a própria liberdade pelos cativos. A página da ordem diz que Serapião e seu companheiro Berenguer de Bañeres fizeram um resgate em Argel e que ele ficou como refém por alguns prisioneiros em perigo de renegar a fé, enquanto o companheiro viajou a Barcelona para buscar o dinheiro. É a forma concreta do compromisso da ordem: ficar no lugar de quem corre perigo.

O Vatican News resume a vida em poucas linhas: ele se dedicou ao resgate e à conversão de escravos na França, na Espanha e em Argel, e ali foi martirizado pelos mouros em 1240. As fontes consultadas não oferecem escritos, sermões ou palavras de Serapião para além das que a ordem lhe atribui no momento do martírio.

02

Vida e reconhecimento, em ordem cronológica

  1. c. 1178–1179

    Nascimento

    O Vatican News diz que nasceu em Londres em 1179. Uma página dos mercedários fala em origem irlandesa, por volta de 1179; outra, em ilhas britânicas, por volta de 1178, e parentesco com a monarquia escocesa.

  2. séc. XII–XIII

    Soldado

    O Vatican News diz que, ainda criança, participou com o pai da Terceira Cruzada de Ricardo Coração de Leão. A ordem o apresenta como soldado a serviço de Ricardo e depois ao lado do duque da Áustria e do rei de Castela.

  3. 1222

    Mercedário

    Pede e recebe o hábito da Ordem das Mercês, depois de conhecer São Pedro Nolasco. Uma página da ordem situa o encontro em Daroca.

  4. 1229

    Resgate atribuído pela tradição

    Uma página da ordem inclui entre as redenções "tradicionais" que lhe são atribuídas a de 1229, feita com Raimundo Nonato, que teria libertado mais de cento e cinquenta cativos.

  5. 14 nov. 1240

    Martírio em Argel

    Fica como refém em Argel, o dinheiro do resgate não chega no prazo e é morto.

  6. 1560

    Liturgia da ordem

    Aparece no breviário do mestre-geral Miguel Puig, com antífona e oração próprias, segundo a página dos mercedários do Chile.

  7. 1728

    Culto confirmado

    Bento XIII confirma o culto imemorial. As duas páginas da ordem trazem datas diferentes para o decreto.

  8. 24 ago. 1743

    Martirológio

    Seu nome é incluído no Martirológio Romano, segundo a ordem.

03

Antes de ser mercedário

Os dados desta fase vêm da tradição da ordem e do Vatican News, e as fontes não coincidem.

Origem

O Vatican News diz que Serapião nasceu em Londres em 1179. Uma página dos mercedários do Chile o diz de origem irlandesa. Outra página da mesma ordem o chama de Serapião Scott, nascido nas ilhas britânicas por volta de 1178 e parente da monarquia escocesa. As três indicações não se harmonizam, e este perfil não escolhe entre elas.

A vida de soldado

Segundo a primeira página da ordem, serviu o rei Ricardo Coração de Leão, depois acompanhou Leopoldo VI, duque da Áustria, à Espanha para apoiar Afonso VIII de Castela contra os muçulmanos e decidiu ficar a serviço do rei castelhano. A segunda página fala em Terceira Cruzada, prisão nas mãos do duque da Áustria, libertação pelo filho dele, Leopoldo VII, e participação na batalha de 1212. Os dois relatos não são idênticos, e as fontes consultadas não permitem verificar os pormenores.

O encontro com Pedro Nolasco

A primeira página da ordem diz que, na Espanha, conheceu Pedro Nolasco e seus frades, que libertavam cristãos cativos, empenhando a própria vida. A segunda situa o encontro em Daroca, em 1222, depois de ter acompanhado Leonor de Castela a Aragão. Ambas concordam no ano de 1222 para o hábito.

04

O resgate de 1240 e o martírio

O refém

Na última redenção, em Argel, Serapião ficou como refém por alguns cativos em perigo de renegar a fé. Seu companheiro, Berenguer de Bañeres, voltou depressa a Barcelona para buscar o dinheiro. A ordem acrescenta que Pedro Nolasco, que estava em Montpellier, escreveu com urgência ao seu lugar-tenente Guilherme de Bas pedindo que os conventos recolhessem esmolas e as enviassem a Argel.

A morte

O dinheiro do resgate não chegou no prazo, e os mouros, frustrados, o mataram. A primeira página da ordem diz que foi pregado numa cruz em forma de aspa, como a de Santo André, e desmembrado. A segunda diz que foi crucificado em cruz semelhante e lhe atribui estas palavras: que a cruz era a imagem perfeita daquele em quem morreu Jesus e que por ela esperava subir à bem-aventurança. O Vatican News diz apenas que foi martirizado pelos mouros em 1240.

Sobre as palavras na cruz

A ordem apresenta essas palavras como "atribuídas" a ele. As fontes consultadas não indicam em que documento antigo estão registradas, e por isso o perfil as mantém como tradição da ordem.

05

Culto e reconhecimento

Na liturgia da ordem

Segundo uma página dos mercedários do Chile, Serapião aparece no breviário do mestre-geral Miguel Puig, de 1560, com antífona e oração próprias, e foi retirado do missal na reforma de 1576. A mesma página diz que a bênção do óleo em sua honra é antiga tradição da ordem, recolhida no ritual atual, e que ele é invocado contra dores nos ossos e nas articulações.

O decreto de 1728

O processo teve início em 1717, em Barcelona e Girona, segundo a segunda página da ordem. Bento XIII confirmou o culto imemorial em 1728. Uma página indica 20 de março de 1728 para o decreto, e a outra, 14 de julho de 1728. O perfil mantém apenas o ano, em que as duas coincidem.

O Martirológio

As duas páginas da ordem registram a inclusão de seu nome no Martirológio Romano em 24 de agosto de 1743, no pontificado de Bento XIV, embora ele seja chamado de beato. A memória é em 14 de novembro, dia da morte segundo a tradição.

06

O que as fontes deixam em aberto

O núcleo e os detalhes

O Vatican News e as páginas da ordem coincidem no núcleo: Serapião foi mercedário, ficou como refém em Argel e foi martirizado em 14 de novembro de 1240. Não coincidem na origem, no ano de nascimento, nem em parte da vida militar, e as fontes consultadas não permitem fixar esses pontos.

Fontes tardias

Todas as informações detalhadas vêm de páginas da própria ordem, que transmitem a tradição mercedária. O Vatican News é mais breve. As fontes consultadas não apresentam documento do século XIII que corrobore os pormenores.

07

Fontes consultadas

Ver todos os santos →