
Festa: 19 de setembro
São Januário
Bispo de Benevento, mártir e padroeiro de Nápoles • m. c. 305
Januário foi bispo de Benevento e morreu mártir na perseguição de Diocleciano, por volta de 305. O Vatican News o chama de amado padroeiro de Nápoles e lembra que é venerado desde o século V. A Enciclopédia Católica adverte, porém, que se sabe quase nada de sua vida e de seu martírio, e que as Atas conservadas são tardias e pouco confiáveis. O que a Igreja guarda com segurança é o núcleo: um bispo da Campânia, preso e decapitado em Pozzuoli com companheiros, cujo culto atravessou os séculos e cuja relíquia de sangue, guardada em Nápoles, é objeto de uma devoção particular.
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O caminho de santificação
Os martirológios antigos são a base mais firme que temos. O Martirológio Romano, segundo a Enciclopédia Católica, comemora em Pozzuoli, na Campânia, Januário, bispo de Benevento, junto com Festo, seu diácono, Desidério, leitor, Sósio, diácono da Igreja de Misena, Próculo, diácono de Pozzuoli, e Eutiques e Acúcio. Todos teriam sido presos, acorrentados e decapitados sob Diocleciano. Beda, por volta de 733, resumiu no seu Martirológio uma antiga paixão, as chamadas Atas de Bolonha.
A Enciclopédia diz que há várias coleções de Atas e que todas são extremamente tardias e pouco dignas de confiança. O Breviário traz uma narrativa mais longa, em que um funcionário da Campânia, Timóteo, condena os mártires, Januário sobrevive à fornalha e às feras, e Timóteo, atribuindo tudo a magia, manda decapitá-los. Há ainda o relato de que Timóteo ficou cego e foi curado pelo bispo, com a conversão de cerca de cinco mil pessoas. Como esses episódios dependem de textos tardios, este perfil os registra como tradição e não os afirma como fato.
O que se pode dizer sem exagero é que Januário era bispo e foi morto por sua fé com os companheiros. A sua memória, guardada em Benevento, Pozzuoli e Nápoles, não depende dos pormenores das Atas: o Vatican News registra apenas que a devoção existe desde o século V e que Nápoles o tem por padroeiro. Quanto à vida anterior ao martírio, as fontes consultadas não esclarecem nada.
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Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- c. 305
Martírio
O Vatican News e a Enciclopédia Católica situam a morte de Januário em 305, na perseguição de Diocleciano; a Enciclopédia afirma que quase nada mais se sabe com segurança.
- Pozzuoli
Lugar da morte
O Martirológio Romano, citado pela Enciclopédia, comemora o bispo e os companheiros em Pozzuoli. O Vatican News não indica o lugar.
- Século V
Culto
O Vatican News afirma que a devoção a São Januário existe desde o século V.
- c. 733
Beda
Beda inclui o martírio no seu Martirológio, com base nas Atas de Bolonha.
- 1389
Primeiro registro certo da liquefação
A Enciclopédia Católica diz que o primeiro registro seguro da liquefação do sangue é de 1389, e não de 1456, como antes se supunha.
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O que as fontes permitem afirmar
Esta seção baseia-se no Vatican News e na Enciclopédia Católica (verbete St. Januarius).
O núcleo histórico
As duas fontes concordam em que Januário foi bispo de Benevento e mártir por volta de 305. A Enciclopédia acrescenta o local, Pozzuoli, e os nomes dos companheiros conservados no Martirológio Romano. Quanto ao resto, a Enciclopédia usa a expressão de que se sabe quase nada de sua vida e de seu martírio.
As Atas e o Breviário
A Enciclopédia considera as Atas extremamente tardias e pouco confiáveis, e a narrativa do Breviário (fornalha, feras, cegueira e cura de Timóteo, conversões) depende delas. Por isso a data exata, a sequência das provas e os números de convertidos permanecem sem confirmação.
Divergência entre as fontes
O Vatican News fala do martírio sem indicar o lugar, e a Enciclopédia fala em Pozzuoli. O perfil adota Pozzuoli porque o Martirológio Romano a registra, mas deixa claro que o texto do Vatican News é mais sucinto.
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As relíquias e o culto em Nápoles
O corpo e as translações
Segundo a Enciclopédia, o corpo foi levado a Nápoles e sepultado em uma igreja da cidade. O Breviário descreve um percurso por Pozzuoli, Benevento e Monte Vergine, até chegar a Nápoles, onde as relíquias ficaram famosas. A Enciclopédia, ao tratar de Nápoles, informa que a cabeça e as ampolas de sangue são guardadas na Capela do Tesouro da catedral.
O sangue
O sangue está conservado em uma ampola de vidro. O Vatican News diz que o milagre da liquefação ocorre três vezes por ano, em maio, setembro e dezembro. A Enciclopédia informa que a relíquia é exposta dezoito vezes ao ano, em dias ligados a maio, ao dia 19 de setembro com sua oitava e ao dia 16 de dezembro, e que, na liquefação, o oficiante anuncia que o milagre se fez, canta-se o Te Deum e os fiéis beijam o relicário.
Cautela da própria Enciclopédia
A obra registra o primeiro testemunho certo em 1389 e diz que a substância é tida por sangue, mas jamais foi analisada de modo conclusivo. Um exame espectroscópico de 1902 mostrou as raias do sangue, o que, segundo a obra, só prova a presença de vestígios. A Enciclopédia lembra ainda que fenômenos semelhantes são atribuídos a relíquias de outros santos e que as explicações naturais propostas não são consensuais. Nada disso torna a liquefação objeto de definição de fé nas fontes consultadas; o que elas descrevem é uma devoção local.
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A festa de 19 de setembro
Memória do mártir
A Igreja recorda São Januário em 19 de setembro. Em Nápoles, ele é padroeiro, e a Enciclopédia diz que a liquefação raramente falha em maio e em setembro, enquanto em dezembro a substância permanece sólida com mais frequência.
Mulheres e fé popular
A Enciclopédia menciona as chamadas zie di San Gennaro, mulheres que ocupam lugar de destaque na oração durante a exposição da relíquia. É um traço da religiosidade local, que a Igreja acolhe quando conduz ao Cristo.
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