
Festa: 20 de setembro
Santo André Kim Taegon e companheiros
Mártires da Coreia • Século XIX (canonizados em 1984)
André Kim Taegon, primeiro sacerdote coreano, e Paulo Chong Hasang, catequista leigo, estão entre os 103 mártires coreanos canonizados por São João Paulo II em Seul, em 6 de maio de 1984. A Igreja da Coreia nasceu sem missionários, fundada por leigos que conheceram a fé por livros vindos da China; sofreu perseguições ao longo do século XIX, e a memória de 20 de setembro recorda os 103 mártires, em sua maioria leigos, com alguns sacerdotes e bispos estrangeiros.
01
O caminho de santificação
João Paulo II lembrou na homilia da canonização que a verdade sobre Cristo chegou à Coreia por livros trazidos da China e que, em 1784, um coreano foi batizado em Pequim; dessa semente nasceu a primeira comunidade cristã. O papa a descreveu como fundada inteiramente por leigos, algo único na história da Igreja. A santidade desses mártires pertence primeiro a esse povo que transmitiu a fé de família em família, sem clero.
André Kim nasceu em 21 de agosto de 1821, em uma família cristã; o Vatican News diz que o pai fez da casa uma “igreja doméstica” e que onze membros da família derramaram o sangue pela fé ao longo de quatro gerações. Aos pouco mais de 15 anos foi enviado a Macau para se formar. Voltou à Coreia depois da ordenação e ajudou missionários a entrar clandestinamente. Preso e levado a Seul, foi executado por não renegar a fé, ainda antes dos 25 anos.
Paulo Chong Hasang foi catequista leigo e figura central da comunidade. O Vatican News informa que seus restos repousam na cripta da catedral de Myeong-dong desde 1900. As fontes consultadas não trazem mais detalhes sobre ele. Com André Kim ele dá nome à memória litúrgica, mas ambos representam um corpo mais amplo de testemunhas.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- 1784
Primeiro batismo
Um coreano é batizado em Pequim, e surge a primeira comunidade cristã, segundo João Paulo II.
- 21 ago. 1821
Nascimento de André Kim
Nasce em família cristã, segundo o Vatican News.
- 1836
Missionários franceses
Chegam à Coreia os primeiros missionários franceses, segundo a homilia de 1984.
- 1839–1846
Perseguições
A homilia cita ondas de perseguição em 1791, 1801, 1827, 1839, 1846 e 1866. André Kim é martirizado em 1846.
- 6 maio 1984
Canonização
João Paulo II canoniza 103 mártires em Seul.
03
Uma Igreja nascida de leigos
As origens
O Vatican News conta que, em 1782, letrados enviaram o jovem Ni-Tek-tso à China para se informar; dois anos depois ele voltou batizado como Pedro e batizou outros. Em outro relato, a mesma agência recorda os livros do jesuíta Matteo Ricci que circularam entre os letrados e o papel do leigo Lee Byeok na primeira comunidade. Em 1794, o padre chinês James Zhu encontrou cerca de 4.000 cristãos. Depois da morte do único sacerdote, em 1801, os fiéis ficaram décadas sem clero, até que bispos e padres chegaram a partir de 1837.
Perseguições
O Vatican News fala em três perseguições severas e em mais de 10.000 cristãos mortos. João Paulo II menciona “várias ondas de ferozes perseguições”. As fontes consultadas divergem nos detalhes (o Vatican News fala em “três” perseguições, o papa lista seis datas), e a Vigília da Fé registra as duas versões.
04
Os mártires de 1984
Os 103
Na canonização, o papa citou nominalmente mártires como Pedro Yu, de 13 anos, e Teresa Kwon, e lembrou “muitíssimos outros humildes mártires desconhecidos”. O Vatican News diz que entre os companheiros figuram três bispos, sete sacerdotes e dez fiéis estrangeiros. Afirmou que o sangue dos mártires é semente de cristãos e que eles são pais e mães na fé do povo coreano.
A palavra do papa
João Paulo II pediu que Cristo fosse cada vez mais conhecido na Coreia, sobretudo na Eucaristia, e que aquele dia fosse penhor de vida e de santidade para as gerações futuras. Lembrou que os missionários franceses chegaram em 1836, depois de anos de pedidos por sacerdotes, e que alguns deles estão entre os mártires. Segundo ele, em menos de um século a comunidade já contava dezenas de milhares de mártires; o Vatican News fala em mais de 10.000 cristãos mortos. A diferença de números fica registrada, porque as fontes consultadas não a explicam.
O que o texto antigo dizia
O texto antigo trazia beatificações em 1925 e 1968 e a memória “no Calendário Romano Geral”, e dava a data de 16 de setembro para o martírio de André Kim. Nenhum desses pontos foi confirmado nas fontes abertas e foram retirados. Como beatificação posterior, o Vatican News registra apenas a de 124 mártires por Francisco, em 16 de agosto de 2014.
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