
Festa: 27 de dezembro
São João Evangelista
Apóstolo e evangelista • século I
João, filho de Zebedeu e irmão de Tiago, era pescador na Galileia quando Jesus o chamou. A Igreja o recorda como o discípulo que repousou a cabeça sobre o peito de Jesus na Última Ceia e esteve aos pés da cruz com a Virgem Maria. A tradição o liga a Éfeso, ao exílio em Patmos e ao quarto Evangelho, às cartas e ao Apocalipse, atribuição que os estudiosos discutem. Segundo a tradição, morreu em Éfeso, já muito idoso, sob Trajano.
01
O caminho de santificação
Na catequese de 5 de julho de 2006, Bento XVI recorda que João estava consertando as redes, com o irmão Tiago, quando Jesus os chamou. Com Pedro e Tiago, esteve nos momentos decisivos do ministério: a casa de Jairo, a Transfiguração e o Getsêmani. A mãe dos dois pediu lugares à direita e à esquerda de Jesus, que perguntou se estavam dispostos a beber do seu cálice. Depois da Páscoa, João aparece em Jerusalém como uma das ‘colunas’ da Igreja (Gl 2,9) e, com Pedro, diz ao Sinédrio que não podem deixar de falar do que viram e ouviram.
A Enciclopédia Católica conta que os irmãos eram chamados ‘filhos do trovão’ e que João foi antes discípulo de João Batista. O Papa o descreve como ‘discípulo predileto’, que repousou a cabeça no peito do Mestre na Última Ceia e esteve aos pés da cruz com a Mãe de Jesus; o Vatican News acrescenta que ele ficou depois ao lado da Virgem Maria, a quem Jesus o confiou. A mesma audiência reconhece que a tradição identifica o discípulo amado com João, mas que os estudiosos debatem a questão, e vê aí também o protótipo do discípulo, a quem o Senhor oferece uma amizade pessoal.
Segundo a tradição, João trabalhou longamente em Éfeso, onde nasceu o seu culto e onde, no século VI, Justiniano mandou erguer uma grande basílica em sua honra; morreu ali muito idoso, no tempo de Trajano. A Enciclopédia atribui seu exílio em Patmos ao reinado de Domiciano e coloca a morte por volta do ano 100. A audiência de 23 de agosto de 2006 trata do Apocalipse, escrito para comunidades perseguidas, cuja mensagem é a vitória do Cordeiro imolado e de pé, e que termina com a súplica ‘Vem, Senhor Jesus’ (Ap 22,20). Na catequese de 9 de agosto, Bento XVI resume a mensagem joanina: Deus é amor (1Jo 4,8.16), e o cristão responde a esse amor com o mandamento novo.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- séc. I
Chamado
Pescador na Galileia, é chamado por Jesus com o irmão Tiago, filhos de Zebedeu.
- Paixão
Cruz
Está aos pés da cruz com a Mãe de Jesus (cf. Jo 19,25-27).
- após a Páscoa
Jerusalém
Aparece em Jerusalém como uma das ‘colunas’ da Igreja (Gl 2,9).
- reinado de Domiciano
Patmos
Segundo a Enciclopédia Católica, é exilado em Patmos, onde recebe o Apocalipse.
- c. 100
Morte
Segundo a tradição, morre em Éfeso, muito idoso, no tempo de Trajano.
- séc. VI
Basílica de Éfeso
Justiniano manda construir uma grande basílica em sua honra.
03
O discípulo e o grupo dos Doze
Família e ofício
A Enciclopédia Católica diz que João era filho de Zebedeu e Salomé e irmão de Tiago Maior, e que os dois eram pescadores no mar da Galileia. Bento XVI recorda o chamado no momento em que consertavam as redes.
Os momentos decisivos
Com Pedro e Tiago, João aparece na cura da sogra de Pedro, na casa de Jairo, na Transfiguração e no Getsêmani. Segundo a Enciclopédia, foi também o primeiro a crer na Ressurreição, o que se apoia no relato de Jo 20.
O pedido da mãe
A mãe dos dois irmãos pediu lugares ao lado de Jesus no Reino. O Papa destaca a resposta: poderiam eles beber o cálice do Senhor? A pergunta revela o sentido do seguimento, que passa pela cruz.
04
Os escritos e a questão da autoria
A tradição
A Enciclopédia Católica considera o mesmo João autor do quarto Evangelho, das três cartas e do Apocalipse, e rejeita a distinção entre ele e um ‘presbítero João’, proposta por Eusébio. O Vatican News repete essa atribuição tradicional.
O que as audiências de Bento XVI deixam em aberto
Na audiência de 23 de agosto de 2006, o Papa nota que o quarto Evangelho e as cartas não trazem o nome de João e que já no século III havia debate sobre o autor do Apocalipse. Ele não dá uma conclusão sobre a autoria do quarto Evangelho. A divergência entre a atribuição segura da Enciclopédia e o tom prudente do Papa é aqui registrada, sem tomar partido.
05
Éfeso, Patmos e a morte
Éfeso
A catequese de 5 de julho de 2006 diz que, segundo a tradição, João atuou muito tempo em Éfeso e que ali nasceu o seu culto. O Vatican News lembra que ele foi o mais longevo dos Doze e o único que não morreu como mártir.
Patmos
O Apocalipse afirma que o vidente estava em Patmos ‘por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus’ (Ap 1,9). A Enciclopédia atribui o exílio a Domiciano e o retorno a Éfeso ao tempo de Trajano.
A tradição do óleo fervente
A Enciclopédia, citando Tertuliano, conta que João teria sido lançado em óleo fervente diante da Porta Latina, em Roma, sem sofrer dano. Como ele teria saído ileso, a tradição não o conta entre os mortos por martírio, em coerência com o Vatican News.
A festa
A festa de 27 de dezembro é celebrada logo depois do Natal. A Enciclopédia diz que, originalmente, o dia era dividido com Tiago.
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