
Festa: 28 de dezembro
Santos Inocentes
Mártires de Belém • século I
Os Santos Inocentes são os meninos de Belém e arredores, de dois anos para baixo, que o rei Herodes mandou matar para eliminar o Menino Jesus (Mt 2,16-18). A Igreja os venera como mártires desde os primeiros séculos, porque morreram no lugar de Cristo.
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O caminho de santificação
Não puderam falar, mas deram testemunho com a própria vida. A liturgia os chama de 'flores dos mártires'.
Sua festa leva a rezar por todas as crianças que sofrem violência, abandono ou morte antes de nascer.
O Evangelho não conta o nome de nenhum deles nem o de suas mães, e não diz quantos foram. Mesmo assim, a Igreja não os esqueceu. Eles lembram que cada criança tem valor diante de Deus, ainda que o mundo não registre o seu nome. Celebrar os Inocentes é também assumir o cuidado de quem não tem voz: crianças expostas à violência, à exploração e ao abandono.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- séc. I
A fuga para o Egito
Avisado em sonho, José leva Maria e o Menino para o Egito, antes da ordem de Herodes (Mt 2,13-15).
- séc. I
Belém
Herodes manda matar os meninos de Belém.
- 354
Ainda fora do calendário
O calendário romano de 354 não registra a festa dos Inocentes.
- séc. V
Festa no Ocidente
Entre o fim do século IV e o fim do V, a festa surge no Ocidente, logo depois do Natal. Ela já aparece no Sacramentário Leoniano, de cerca de 485.
03
O que diz o Evangelho
O episódio é narrado apenas por São Mateus, no capítulo 2.
A ordem de Herodes (Mt 2,16)
Ao perceber que os magos não voltariam, Herodes mandou matar, em Belém e arredores, todos os meninos de dois anos para baixo. A idade foi calculada a partir do tempo que ele havia perguntado aos magos.
A voz de Raquel (Mt 2,17-18)
Mateus lê o fato à luz do profeta Jeremias (Jr 31,15): ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamento, Raquel chorando os seus filhos e sem aceitar consolo. A dor das mães de Belém é, para o evangelista, parte da história da salvação.
O Menino salvo (Mt 2,13-15)
Antes da ordem de Herodes, um anjo avisou José em sonho, e a família partiu para o Egito. Santo Agostinho, citado pela Enciclopédia Católica, diz que os Inocentes morreram não apenas por Cristo, mas em seu lugar.
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Quantos foram?
A Escritura não diz. As tradições e os estudiosos dão respostas muito diferentes.
Os números antigos
A liturgia grega fala em 14 mil meninos, os sírios em 64 mil, e vários autores medievais em 144 mil, número simbólico ligado ao Apocalipse (Ap 14,3).
Os estudiosos modernos
Autores citados pela Enciclopédia Católica calculam bem menos: de 15 a 20, de 10 a 12 e até cerca de seis meninos.
O silêncio de outras fontes
O historiador Flávio Josefo, que escreveu muito sobre Herodes, não menciona o episódio. O relato vem de Mateus, e foi assim que a Igreja o recebeu e celebrou. O que ela honra é o testemunho dessas crianças, não um número.
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A festa dos Inocentes
Uma festa antiga
Nos primeiros séculos, a Igreja venerou os Inocentes como mártires. A celebração se firmou no Ocidente entre o fim do século IV e o fim do V.
Datas diferentes
Os latinos celebram os Inocentes em 28 de dezembro, os gregos em 29 e os sírios e caldeus em 27.
Relíquias em Roma
Segundo a Enciclopédia Católica, a tradição romana guarda relíquias atribuídas aos Inocentes, e parte delas foi levada pelo papa Sisto V à basílica de Santa Maria Maior.
Na oitava do Natal
A festa cai entre as memórias de Santo Estêvão (26 de dezembro) e de São João (27 de dezembro), na oitava do Natal: o nascimento de Jesus é celebrado junto com o testemunho dos que sofreram por Ele.
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