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Santos e beatos

Biografias escritas pelo Vigília da Fé e conferidas em fontes institucionais.

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Arte do Santo do dia, com cruz dourada sobre fundo azul

Festa: 8 de setembro

São Tomás de Vilanova

Agostiniano, pregador e arcebispo atento aos pobres • 1486–1555

Tomás de Vilanova foi professor em Alcalá, religioso agostiniano, pregador da corte de Carlos V e, por obediência, arcebispo de Valência de 1544 até a morte, em 1555. Recusou antes a sé de Granada e só aceitou Valência por ordem dos superiores. Em onze anos de episcopado visitou a diocese, reuniu um sínodo, fundou colégios, reconstruiu o hospital geral e organizou a assistência aos pobres, de modo que a Igreja o chama “pai dos pobres”. Foi beatificado em 1618 e canonizado em 1658.

01

O caminho de santificação

A Enciclopédia Católica descreve um homem que desde a infância viu a caridade praticada em casa: os pais repartiam esmolas com regularidade, e a mãe continuou a fazê-lo depois de viúva. Esse costume familiar explica em parte o tom de toda a sua vida. Tomás estudou em Alcalá, onde se tornou mestre em artes e licenciado em teologia, e chegou a assumir ali a cátedra de artes, lógica e filosofia. Recusou, porém, uma cátedra em Salamanca e, em 1516, entrou na Ordem de Santo Agostinho. A fé que professava não era para ele assunto só de escola.

Como religioso, foi prior em diversas cidades e duas vezes provincial. Sob o seu governo partiu para o México, em 1533, a primeira missão de frades agostinianos. O imperador Carlos V o nomeou pregador da corte e conselheiro, e manteve com ele extensa correspondência, embora Tomás raramente aparecesse nas cerimônias oficiais. O Vatican News resume o essencial: grande pregador, que viveu o ideal do Bom Pastor mais pelas obras do que pelas palavras e cuidou de todos, sobretudo dos pobres e dos jovens.

A sua obediência aparece com nitidez na escolha da sé. Ele recusou Granada, mas, nomeado para Valência em 5 de agosto de 1544, aceitou porque os superiores da ordem lho impuseram. A Enciclopédia Católica não apresenta essa aceitação como ambição, e sim como submissão. O cargo não alterou a sobriedade de seus hábitos: dedicava as horas livres à oração e ao estudo e mantinha uma vida simples no palácio episcopal.

02

Vida e reconhecimento, em ordem cronológica

  1. 1488 (ou 1486)

    Nascimento

    Nasce em Fuentellana, na Espanha. A Enciclopédia Católica dá 1488; o cabeçalho da Vigília da Fé registra 1486, e as fontes consultadas não resolvem a diferença.

  2. 1514

    Cátedra em Alcalá

    Torna-se professor de artes, lógica e filosofia na Universidade de Alcalá.

  3. 1516–1518

    Vida agostiniana

    Entra na Ordem de Santo Agostinho em 1516, faz os votos no ano seguinte e é ordenado sacerdote em 1518.

  4. 5 ago. 1544

    Nomeação

    É nomeado arcebispo de Valência, depois de recusar Granada.

  5. 1 jan. 1545

    Posse

    Toma posse da arquidiocese.

  6. 8 set. 1555

    Morte

    Morre em Valência, aos 67 anos, segundo a Enciclopédia Católica.

  7. 7 out. 1618

    Beatificação

    Paulo V o beatifica.

  8. 1 nov. 1658

    Canonização

    Alexandre VII o canoniza.

03

Do estudante ao religioso

Formação e vocação

Nascido em Fuentellana, entrou aos dezesseis anos na Universidade de Alcalá. A Enciclopédia Católica registra que obteve o grau de mestre em artes e a licenciatura em teologia e que, em 1514, assumiu a cátedra de artes, lógica e filosofia, tendo entre seus alunos Domingo de Soto. Recusou a cátedra de filosofia natural em Salamanca e ingressou nos agostinianos em 1516; emitiu os votos em 1517 e foi ordenado em 1518, celebrando a primeira Missa no Natal daquele ano.

Pregador e superior

Em Salamanca ensinou teologia escolástica e passou a pregar em várias cidades espanholas, entre elas Valência e Valladolid. Governou as províncias agostinianas da Andaluzia e de Castela, depois somente a de Castela. Em Valladolid, Carlos V o fez pregador da corte e conselheiro de Estado. As fontes consultadas não descrevem em detalhe esse período; limitam-se a mostrar um religioso estimado pelo imperador, que o queria perto de si.

04

O pastor de Valência

Visita, sínodo e reforma

A nomeação para Valência foi confirmada por Paulo III. Tomás foi sagrado em Valladolid por Juan Tavera, arcebispo de Toledo, e tomou posse em 1º de janeiro de 1545. Segundo a Enciclopédia Católica, realizou uma visita pastoral e proibiu os visitadores de aceitar presentes. Convocou um sínodo para combater abusos como a violência, o divórcio e o concubinato. Aboliu as prisões subterrâneas. Providenciou Missas em horário cedo para que os trabalhadores pudessem assistir.

Formação do clero e dos jovens

Fundou dois colégios: um para jovens eclesiásticos, o Colégio da Apresentação, que o Vatican News recorda como Seminário da Apresentação, e outro para estudantes pobres. Cuidou também da instrução dos chamados “novos cristãos”, cuja fé, em muitos casos, era apenas aparente. Esses passos mostram um pastor que ligava a reforma da diocese à formação de sacerdotes e à catequese.

Ausência de Trento

A Enciclopédia Católica nota que Tomás não esteve no Concílio de Trento e indica três explicações possíveis: a doença, que o impedia de viajar; a resistência de seu povo a deixá-lo partir; e a necessidade que o imperador tinha dele na Espanha. O artigo não escolhe uma delas.

05

A caridade organizada

A mesa e os agentes de esmolas

A casa do arcebispo oferecia refeições diárias, e a Enciclopédia fala de quatrocentas a quinhentas pessoas alimentadas. Em cada distrito ele mantinha agentes de esmolas encarregados de achar os que tinham vergonha de pedir. Fornecia ainda ferramentas a artesãos e agricultores, para que pudessem trabalhar. A ajuda, portanto, procurava devolver autonomia, e não apenas aliviar a fome do dia.

Hospital e crianças

Reconstruiu o hospital geral de Valência, destruído por um incêndio, e criou uma creche para crianças abandonadas e filhos de famílias pobres.

Morte e sepultura

Adoeceu em agosto de 1555, de angina, e morreu em 8 de setembro, depois de uma Missa celebrada em seu quarto. Suas últimas palavras foram “In manus tuas, Domine” (“Em tuas mãos, Senhor”). Foi sepultado na igreja do convento de Nossa Senhora do Socorro e, mais tarde, levado à catedral.

06

Beatificação e canonização

Os títulos do beato

Paulo V o beatificou em 7 de outubro de 1618, fixando a festa em 18 de setembro, e o honrou com os títulos de “dispensador de esmolas”, “pai dos pobres” e “modelo dos bispos”. Alexandre VII o canonizou em 1º de novembro de 1658. A Vigília da Fé mantém a memória em 8 de setembro, dia da morte e data do Vatican News.

Escritos

Deixou sobretudo sermões, ricos em orientação prática de teologia espiritual. A edição mais completa, segundo a Enciclopédia Católica, é a de Manila (1882–1884), em cinco tomos.

07

Fontes consultadas

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