
Festa: 21 de novembro
Apresentação de Nossa Senhora
Nossa Senhora consagrada a Deus • Memória do Calendário Romano Geral
A memória de 21 de novembro recorda a tradição de que Nossa Senhora, ainda menina, foi levada ao Templo de Jerusalém pelos pais, Joaquim e Ana, para ser consagrada a Deus. O episódio não está na Escritura; vem de escritos apócrifos. A festa nasceu no Oriente, entrou no Ocidente a partir do século XIV, e a Igreja a conserva, como diz Paulo VI, pelo valor exemplar do seu conteúdo: a entrega total de Nossa Senhora a Deus.
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O caminho de santificação
A Escritura não conta que Nossa Senhora tenha sido apresentada no Templo. A Enciclopédia Católica explica que a narrativa vem de escritos apócrifos, como o Protoevangelho de Tiago, o Evangelho do Pseudo-Mateus e o Evangelho da Natividade de Maria, segundo os quais a menina, aos três anos, foi levada ao Templo em cumprimento de um voto, para ser educada. A Enciclopédia não trata esses textos como história segura, e este perfil também não os apresenta assim.
Se o fato não é verificável, por que a Igreja celebra a memória? Paulo VI, na exortação Marialis cultus (§ 8), enumera a Apresentação de Nossa Senhora entre as celebrações do Calendário Romano que continuam tradições veneráveis, radicadas sobretudo no Oriente. Reconhece que a festa tem origem em elementos apócrifos, mas afirma que ela propõe conteúdos de elevado valor exemplar. O que a Igreja celebra, portanto, não é um relato detalhado, e sim a verdade que ele exprime: Nossa Senhora pertenceu a Deus desde o começo, e a sua disponibilidade, que vemos na Anunciação (Lc 1,26-38), tem raízes numa vida inteira entregue.
Para o cristão de hoje, a memória é um convite a perguntar o que significa consagrar-se a Deus. Muitas comunidades religiosas aproveitam a data para renovar os seus votos, e as famílias podem fazer o mesmo de modo simples: apresentar a Deus os filhos, o trabalho e os planos do dia, como quem entra no Templo sem pressa e sem exigir explicações.
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Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- séc. VII–VIII
Cânon de Jorge
A Enciclopédia Católica cita um cânon (poema litúrgico) grego de um certo Jorge, datado do século VII ou VIII, publicado pelo cardeal Pitra.
- séc. XI
Documentos litúrgicos
A festa não consta do Menológio de Constantinopla do século VIII, mas aparece em documentos litúrgicos do século XI.
- 1166
Manuel Comneno
Uma constituição do imperador Manuel Comneno a trata como festa plenamente reconhecida, em que os tribunais não funcionavam.
- 1372
Avinhão
Filipe de Mézières, chanceler do rei de Chipre, introduz a festa no Ocidente e a celebra diante dos cardeais, no papado de Gregório XI.
- 1585
Sisto V
Em 1º de setembro, Sisto V restabelece a festa no Calendário Romano.
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Uma festa nascida no Oriente
O nome e a origem
A Enciclopédia Católica diz que a festa se originou no Oriente, provavelmente na Síria, e deixa a localização como incerta. O nome grego, tal como aparece no Menológio de Basílio II, é a Entrada da Toda Santa Mãe de Deus.
Os primeiros documentos
A Enciclopédia cita, como sinal antigo, um cânon grego de Jorge, do século VII ou VIII. O Menológio de Constantinopla do século VIII não traz a festa, mas ela está presente em documentos litúrgicos do século XI. Em 1166, uma lei do imperador Manuel Comneno já a tratava como festa plenamente reconhecida. As fontes consultadas não esclarecem o ano em que a festa começou a ser celebrada.
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A chegada ao Ocidente e ao Calendário Romano
Do Avinhão ao Calendário Romano
Segundo a Enciclopédia, Filipe de Mézières introduziu a festa no Ocidente quando estava em Avinhão, sob Gregório XI; ela foi celebrada diante dos cardeais em 1372, adotada na capela real de Paris em 1373, em Metz em 1418 e em Colônia em 1420. Pio II a concedeu, com vigília, ao duque da Saxônia em 1460. Sisto IV a incluiu no Breviário Romano, Pio V a retirou do calendário e Sisto V a restabeleceu em 1º de setembro de 1585. A Enciclopédia registra ainda que o cardeal Ximenes a fixou em 30 de setembro, em Toledo, em 1500, e que algumas dioceses alemãs a mantiveram em 26 de novembro, com o título de Illatio.
A memória hoje
No Calendário Romano atual, a Apresentação de Nossa Senhora é celebrada em 21 de novembro, como a Marialis cultus a indica. O Papa Paulo VI a situa entre as festas que conservam tradições do Oriente, com valor exemplar para a piedade mariana.
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O que as fontes deixam em aberto
A dedicação de 543 e o século II
O texto anterior do site ligava a origem da festa à dedicação de uma igreja em Jerusalém em 543 e datava o Protoevangelho de Tiago do século II. As fontes institucionais consultadas, a Enciclopédia Católica e a Marialis cultus, não confirmam essas datas, e por isso elas foram retiradas. Fica apenas o que está documentado: o caráter apócrifo da narrativa e a origem oriental da festa.
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