
Festa: Último domingo do Tempo Comum
Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo
Solenidade que encerra o ano litúrgico • Solenidade instituída em 1925
No último domingo do ano litúrgico, a Igreja proclama Cristo Rei do universo. A festa foi instituída por Pio XI na encíclica Quas primas, de 11 de dezembro de 1925, e passou à forma atual, como solenidade do último domingo do Tempo Comum, na reforma litúrgica de Paulo VI. Em 2026 cai em 22 de novembro, e o Evangelho do Ano A traz o juízo final de Mateus 25.
01
O caminho de santificação
O título de Rei tem raiz na Escritura, e Pio XI a percorre na encíclica: os Salmos, Isaías 9, Jeremias 23, Daniel 2 e 7, Zacarias 9, o anúncio do anjo a Nossa Senhora em Lucas 1, o envio dos apóstolos em Mateus 28, o diálogo com Pilatos em João 18 e o Apocalipse 19. Diante de Pilatos, Jesus não nega que é rei, mas diz que o seu reino não é deste mundo. O Catecismo da Igreja Católica, nos números 668 a 670, ensina que, pela Ascensão, Cristo participa em sua humanidade do poder e da autoridade de Deus: ele é Senhor do cosmo e da história, e o seu Reino já está presente em mistério na Igreja, que é germe e começo desse Reino na terra.
Pio XI explica o fundamento da realeza de Cristo em dois títulos: o direito natural, que vem da união da natureza humana com a divina na pessoa do Filho, e o direito adquirido, que vem da Redenção. Ele insiste que o reino é espiritual e se ocupa de coisas espirituais. Citando Leão XIII, afirma que o império de Cristo abrange todos os homens, e não só os católicos, e vale para pessoas, famílias e Estados. A Diocese de Araguaína resume essa ênfase do texto de 1925 como a de uma realeza social.
A solenidade termina o ano com um convite que a liturgia torna concreto. No Ano A, o Evangelho é o juízo final de Mateus 25: o Rei separa os povos segundo o que fizeram aos famintos, aos estrangeiros, aos doentes e aos presos, e se identifica com cada um deles. O Reino que a Igreja celebra, portanto, não é uma potência rival dos governos humanos; é a autoridade de quem se faz próximo de quem sofre.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- 1925
Ano Santo e Niceia
Pio XI encerra o Ano Santo de 1925, que coincide com o 16º centenário do Concílio de Niceia, instituindo a festa.
- 11 dez. 1925
Quas primas
Assina a encíclica que institui a festa de Cristo Rei, marcada para o último domingo de outubro, antes de Todos os Santos.
- 1969
Reforma de Paulo VI
A festa é elevada a solenidade e transferida para o último domingo do Tempo Comum, segundo a Diocese de Araguaína.
- 2016
Dia Mundial dos Pobres
Francisco institui o Dia Mundial dos Pobres no domingo anterior, como preparação para a solenidade, segundo a mesma diocese.
- 22 nov. 2026
Data em 2026
A solenidade cai em 22 de novembro, uma semana antes do primeiro domingo do Advento.
03
A instituição da festa em 1925
Os motivos de Pio XI
Na Quas primas, Pio XI diz que respondia a pedidos de cardeais, bispos e fiéis e que encerrava o Ano Santo de 1925 instituindo a festa. Via na festa um remédio para o laicismo que, a seu ver, enfraquecera a sociedade. Argumentou que as festas ensinam mais gente do que os documentos formais, porque os documentos falam uma vez, e as festas falam todos os anos. A encíclica lembra também que o Concílio de Niceia, cujo 16º centenário se completava, definiu a consubstancialidade do Filho com o Pai e acrescentou ao Credo as palavras “cujo reino não terá fim”.
O último domingo de outubro
Pio XI marcou a festa para o último domingo de outubro, o domingo anterior a Todos os Santos. Explicou que, naquela data, os mistérios da vida de Cristo já tinham sido celebrados, e a festa os coroava antes de celebrar a glória de todos os santos. O texto da encíclica não faz da festa uma celebração política: o Papa afirma expressamente que o reino de Cristo é espiritual.
04
A reforma de Paulo VI e a leitura de hoje
Solenidade do último domingo
A Diocese de Araguaína, em texto de 2025, afirma que, depois do Vaticano II, Paulo VI elevou a festa a solenidade e a transferiu para o 34º domingo do Tempo Comum, o último do calendário. Com isso se destacou a dimensão escatológica: Cristo como Alfa e Ômega da história do homem e do universo. O título atual é “Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo”. O texto diocesano diz também que a ênfase passou da realeza social para o reino espiritual.
Reino e serviço
A mesma diocese lembra que Francisco, em 2016, apresentou o Dia Mundial dos Pobres, no domingo anterior, como preparação para a festa, e que ele relaciona a realeza de Cristo com o serviço e com o Bom Pastor, e não com poder político.
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