
Festa: 25 de novembro
Santa Catarina de Alexandria
Virgem e mártir • início do século IV
Catarina é venerada como virgem e mártir de Alexandria. O Martirológio Romano a lembra, segundo a tradição, como mulher de agudo engenho, sabedoria e força de ânimo, e diz que seu corpo é objeto de piedosa veneração no mosteiro do monte Sinai. Os relatos de sua vida chegaram numa Paixão que a Enciclopédia Católica considera transformada por acréscimos fantasiosos: a Igreja guarda a memória da santa, mas os pormenores da narrativa não são históricos. Sua celebração em 25 de novembro é memória facultativa.
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O caminho de santificação
O texto do Martirológio Romano, publicado pela Conferência Episcopal Italiana, resume o que a Igreja afirma com segurança: Catarina é, segundo a tradição, virgem e mártir em Alexandria, dotada de inteligência viva, de sabedoria e de força de ânimo. Os episódios que enriquecem sua história, como os debates com sábios pagãos, são apresentados pela tradição, e a Enciclopédia Católica os trata com reserva.
A Paixão de Catarina, na forma que chegou até nós, conta que a jovem se apresentou ao imperador Maximino, que perseguia os cristãos, censurou sua crueldade e defendeu a fé em debate público com sábios convocados para fazê-la apostatar. Vários teriam se declarado cristãos e sido mortos. A Enciclopédia Católica resume o fecho do relato, condenação à roda e decapitação, e adverte logo em seguida que os textos originais foram "transformados e deformados por descrições fantásticas".
Mesmo assim, a Enciclopédia Católica afirma que não se lança sobre a existência da santa "nem a sombra de uma dúvida". A conclusão da crítica, segundo ela, é que, se os fatos principais do esboço forem aceitos, a maior parte dos pormenores e dos longos discursos postos em sua boca deve ser rejeitada como invenção. A santidade de Catarina fica, portanto, no testemunho de fé que a Igreja venera, e não nos detalhes lendários.
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Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- 305
Martírio, segundo a tradição
O Vatican News diz que, segundo a lenda, Catarina enfrentou Maximino, governador do Egito e da Síria, e que foi morta em 305. A Enciclopédia Católica fala em imperador Maximino e não dá o ano.
- Idade Média
Devoção
A Enciclopédia Católica diz que Catarina foi, por quase seis séculos, objeto de uma devoção muito popular, que cresceu depois das Cruzadas na Europa.
- início do século XV
Joana d'Arc
Segundo a Enciclopédia Católica, correu o boato de que Catarina e Santa Margarida teriam aparecido a Joana d'Arc e sido designadas por Deus como suas conselheiras.
- século XVIII
Declínio
A festa desaparece do Breviário de Paris, e a Enciclopédia Católica diz que desde então a devoção perdeu a antiga popularidade.
- hoje
Memória facultativa
O site oficial da Conferência Episcopal Italiana registra, em 25 de novembro, a memória facultativa de Santa Catarina de Alexandria, virgem e mártir.
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O que conta a Paixão de Catarina
O resumo a seguir vem da Enciclopédia Católica, que o apresenta como o conteúdo dos Atos de Santa Catarina e não como história comprovada.
A jovem e o imperador
Segundo os Atos, Catarina era de família nobre e instruída nas ciências. Aos dezoito anos apresentou-se ao imperador Maximino, que perseguia os cristãos, censurou sua crueldade e procurou mostrar a iniquidade do culto aos falsos deuses. O imperador, sem poder rivalizar com ela em saber, a deteve no palácio e convocou sábios para levá-la à apostasia.
Os debates e as conversões
Catarina teria vencido o debate, e vários adversários se declararam cristãos e foram mortos. Furioso, Maximino mandou açoitá-la e prendê-la. A imperatriz e Porfírio, chefe das tropas, teriam visitado a prisioneira, acreditado, sido batizados e martirizados em seguida.
A roda e a morte
Condenada à roda, a santa teria visto o instrumento destruído ao seu toque. O imperador a mandou então decapitar. Os Atos acrescentam que anjos levaram seu corpo ao monte Sinai, onde mais tarde se construíram uma igreja e um mosteiro em sua honra.
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O que a Igreja afirma e o que a crítica rejeita
O texto original
A Enciclopédia Católica diz que não possuímos os Atos em sua forma original, mas transformados e deformados por descrições fantásticas e prolixas, devidas à imaginação de narradores que se preocupavam menos com os fatos autênticos do que com o fascínio do maravilhoso. Os hagiógrafos contemporâneos consideram a autenticidade dos vários textos mais que duvidosa.
A existência da santa
A mesma fonte afirma que a dúvida sobre os textos não implica dúvida sobre a existência da santa. O Martirológio Romano, na versão da Conferência Episcopal Italiana, a recorda "segundo a tradição" como virgem e mártir em Alexandria.
A trasladação ao Sinai
A Enciclopédia Católica observa que todos os textos mencionam a trasladação milagrosa do corpo ao Sinai, mas que os roteiros dos antigos peregrinos que visitaram o Sinai não trazem a menor alusão a ela. O Vatican News diz que os restos mortais repousam em Gebel Katherin, no Sinai, e o Martirológio Romano fala em corpo venerado no mosteiro do monte Sinai. As fontes consultadas não esclarecem como e quando o corpo teria chegado lá.
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Devoção e padroados
Uma das santas mais invocadas da Idade Média
A Enciclopédia Católica diz que Catarina foi contada, com Santa Margarida e Santa Bárbara, entre os quatorze santos auxiliares, louvada por pregadores e cantada por poetas. Em muitos lugares sua festa era celebrada com grande solenidade, com suspensão do trabalho servil, e em várias dioceses da França foi dia santo de preceito até o início do século XVII.
Padroados
Pela roda de seu suplício, tornou-se padroeira de rodeiros e mecânicos. Como a tradição a mostra vencendo os sofistas, foi invocada por teólogos, apologistas, pregadores e filósofos, que lhe pediam luz antes de estudar, escrever ou pregar. A Enciclopédia Católica diz ainda que se tornou padroeira das moças e das estudantes, enquanto São Nicolau de Mira era tido como padroeiro dos rapazes e estudantes.
O declínio da devoção
Segundo a Enciclopédia Católica, o beneditino Dom Deforis, ao preparar uma edição das obras de Bossuet, declarou em grande parte falsa a tradição seguida pelo orador em seu panegírico da santa, e nessa mesma época a festa de Santa Catarina desapareceu do Breviário de Paris.
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O que as fontes deixam em aberto
Quem era Maximino e quando ela morreu
O Vatican News fala em Maximino como governador do Egito e da Síria e dá 305 como ano da morte. A Enciclopédia Católica o chama de imperador e não dá o ano. O campo "anos" deste perfil, "início do século IV", reflete essa imprecisão.
Presença no calendário geral
O site da Conferência Episcopal Italiana registra a memória facultativa atual. As fontes institucionais consultadas não esclarecem quando a celebração deixou o calendário romano geral e quando voltou, e por isso o perfil não afirma datas para essas mudanças.
Joana d'Arc
A Enciclopédia Católica fala em "boato" sobre as aparições a Joana d'Arc. O perfil registra a menção, sem afirmá-la como fato.
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