
Festa: 20 de novembro
São Gelásio I
Papa • † 496
Gelásio foi papa de 492 a 496. Defendeu a fé e os direitos da Sé de Pedro diante das divisões do seu tempo, resistiu às pressões do imperador Anastácio e afirmou a distinção entre a autoridade dos bispos e o poder dos imperadores. Foi um papa de muitos escritos, de vida pobre e de grande caridade.
01
O caminho de santificação
Num período de crises, Gelásio procurou servir a unidade da Igreja com clareza e firmeza.
Seus contemporâneos lembraram sobretudo a pobreza pessoal e o cuidado com os necessitados de Roma.
Gelásio governou num tempo de conflitos com o Oriente e com o poder imperial, e respondeu com argumentos e com muitas cartas. Segundo a Enciclopédia Católica, foi o papa que mais escreveu nos cinco primeiros séculos. A firmeza não o endureceu diante dos pobres, e ele morreu sem bens. A combinação vale para qualquer pessoa que tenha alguma autoridade: ser claro sobre a verdade e generoso com as pessoas.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- séc. V
Origem
A origem é discutida: em uma carta ele se diz romano de nascimento, mas o Liber Pontificalis o chama de africano.
- 1 mar. 492
Eleição
É eleito papa.
- 494
Carta ao imperador
Escreve a Anastácio sobre a autoridade dos bispos e o poder real.
- 494
Sínodo em Roma
Um sínodo romano divulga um catálogo dos escritos autênticos dos Padres, dos apócrifos e dos livros proscritos.
- 496
Morte
Morre em Roma, depois de cerca de quatro anos e meio de pontificado.
03
Um papa diante do Oriente e do Império
O pontificado de Gelásio foi marcado pela divisão com Constantinopla.
O cisma de Acácio
Gelásio enfrentou os seguidores de Acácio, patriarca de Constantinopla, sem ceder nos direitos da Sé de Pedro. Segundo a Enciclopédia Católica, o conflito só terminou depois do seu tempo, no pontificado de Hormisdas (514–523).
A carta a Anastácio
Na carta ao imperador, ele afirma que o mundo é governado principalmente por dois poderes e que a autoridade dos sacerdotes pesa mais que a dos reis. A Enciclopédia Católica compara essa posição à dos grandes papas medievais.
A pretensão de Constantinopla
Gelásio combateu a ideia de que Constantinopla, a 'Nova Roma', devesse ter primazia por causa da importância civil da cidade, e defendeu também os direitos de Alexandria e de Antioquia.
04
Escritos e decisões
Cartas e tratados
Chegaram até nós 42 cartas, fragmentos de outras 49 e seis tratados. Três tratam do cisma de Acácio, um do pelagianismo, um dos erros de Nestório e Êutiques e um contra Andrômaco e os defensores das Lupercais.
Livros aprovados e rejeitados
Em 494, um sínodo romano divulgou uma lista de escritos autênticos dos Padres, de apócrifos e de livros proscritos. A Enciclopédia Católica observa que a lista do cânon das Escrituras que vem antes dela, durante muito tempo atribuída a Gelásio, parece mais provavelmente obra do papa Dâmaso.
A comunhão com o cálice
Gelásio decretou a comunhão sob as duas espécies como meio de reconhecer os maniqueus, que se recusavam a beber do cálice. Com o tempo, a comunhão só com o pão voltou a ser o costume.
Os bens da Igreja
A ele se atribui a divisão dos bens da Igreja em quatro partes: para os pobres, para a igreja e o culto, para o bispo e para o clero menor. A Enciclopédia lembra que ele mesmo fala dessa divisão como algo já decidido antes, de modo que o costume pode ser mais antigo.
Liturgia
Gelásio compôs hinos, prefácios e orações. O chamado Sacramentário Gelasiano é do século seguinte, e os estudiosos ainda discutem quanto dele vem do próprio papa.
O fim das Lupercais
Depois de uma longa disputa, aboliu em Roma a festa pagã das Lupercais. A carta ao senador Andrômaco expõe os principais argumentos dessa controvérsia.
05
Pobreza e caridade
Oração, penitência e estudo
Gelásio se destacou pela oração, pela penitência e pelo estudo, e era próximo dos monges.
Pai dos pobres
Foi tão generoso com os necessitados que morreu sem bens. Dionísio Exíguo o descreve com grande elogio em uma carta ao padre Juliano.
06
Culto e reconhecimento
Antiguidade cristã
Santo venerado
É venerado desde a antiguidade cristã, muito antes dos processos modernos de canonização.
O dia da festa
A data varia conforme a fonte: o Vatican News registra a sua festa em 20 de novembro, e a Enciclopédia Católica indica 21 de novembro, dia da sua sepultura. Alguns autores dão essa data como a da morte.
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