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Santos e beatos

Biografias escritas pelo Vigília da Fé e conferidas em fontes institucionais.

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Arte do Santo do dia, com cruz dourada sobre fundo azul

Festa: 23 de outubro

São João de Capistrano

Presbítero franciscano e pregador • 1386–1456

João nasceu em Capestrano, nos Abruzos, em 1386, segundo o Dicastério para as Causas dos Santos (a Enciclopédia Católica dá 1385). Estudou direito em Perúgia e foi governador da cidade. Preso durante uma guerra contra os Malatesta, passou a pensar mais seriamente na própria alma e, em 1416, entrou entre os franciscanos observantes. Foi discípulo de São Bernardino de Sena, pregou em quase toda a Europa e trabalhou pela reforma da Ordem. Já idoso, acompanhou a campanha que defendeu Belgrado dos turcos e morreu em Ilok, em 23 de outubro de 1456. Foi canonizado em 1690.

01

O caminho de santificação

A prisão mudou a vida de João. O Dicastério para as Causas dos Santos e o Vatican News contam que, ao ser preso quando os Malatesta ocuparam Perúgia, ele descobriu que o Senhor o chamava. A Enciclopédia Católica acrescenta que ele se casara pouco antes da guerra, que o casamento não tinha sido consumado e que obteve dispensa para entrar na vida religiosa. Segundo a mesma obra, ele decidiu entrar para os franciscanos depois de um sonho em que viu São Francisco.

Sua pregação foi a maneira de viver o que tinha encontrado. As pregações, sobretudo no Advento e na Quaresma, inflamavam o povo, obtinham conversões e renovavam espiritualmente as populações, diz o Dicastério. A Enciclopédia Católica afirma que as multidões eram tão grandes que ele muitas vezes pregava em praças públicas e que, em Brescia, teria falado a uma multidão de cento e vinte e seis mil pessoas. A fonte dá o número sem indicar de onde o tirou.

João também foi um reformador, e começou por dentro. Defendeu a regra franciscana na Observância, a ponto de ser chamado de “coluna da Observância”. Defendeu o amigo São Bernardino de Sena, acusado de heresia por causa da devoção ao Nome de Jesus. Foi encarregado de combater o fraticelismo e a usura. A guerra em que morreu foi uma defesa da cristandade diante dos turcos, e o que a Igreja guarda dele é o pregador, o reformador e o frade que acompanhou o povo no perigo.

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Vida e reconhecimento, em ordem cronológica

  1. 1386

    Nascimento

    Nasce em Capestrano, nos Abruzos, segundo o Dicastério para as Causas dos Santos. A Enciclopédia Católica indica 1385.

  2. 1412

    Governador de Perúgia

    Depois de estudar direito em Perúgia, é nomeado governador da cidade. Combate a corrupção e o suborno.

  3. 1416

    Prisão

    Na guerra de Perúgia contra os Malatesta, é enviado para propor a paz e acaba preso.

  4. 4 out. 1416

    Entrada na Ordem

    Entra na Ordem dos Frades Menores, depois de obter dispensa do casamento recente.

  5. 1420

    Primeiras pregações

    Ainda diácono, recebe licença para pregar. Acompanha São Bernardino de Sena em suas viagens.

  6. 1425

    Sacerdote

    Depois de receber o sacerdócio, começa a vida apostólica, que se prolonga até a morte.

  7. 1429

    Acusação de heresia

    É chamado a Roma com outros observantes, defende a causa dos companheiros e todos são absolvidos.

  8. 1451

    Núncio na Áustria

    Vai à Áustria como núncio apostólico (a Enciclopédia fala em pedido do imperador; o Dicastério, em encargo de Nicolau V), prega e combate a heresia dos hussitas.

  9. 1454

    Dieta de Frankfurt

    Participa da dieta que discute a cruzada contra os turcos, em socorro da Hungria.

  10. 1456

    Belgrado

    Acompanha a campanha em defesa de Belgrado. No regresso, doente, morre no convento de Ilok em 23 de outubro.

  11. 19 dez. 1650

    Beatificação

    Inocêncio X o beatifica, segundo o Dicastério para as Causas dos Santos.

  12. 16 out. 1690

    Canonização

    É canonizado por Alexandre VIII na Basílica Vaticana, segundo o mesmo Dicastério.

03

Do direito ao convento

Origem e estudos

O Dicastério para as Causas dos Santos e o Vatican News dizem que João era filho de um barão alemão e que logo se transferiu a Perúgia para estudar direito. A Enciclopédia Católica diz que o pai tinha vindo a Nápoles com a comitiva de Luís de Anjou, e por isso se supõe que fosse de sangue francês, embora alguns o considerem de origem alemã. Segundo a mesma obra, o pai morreu cedo e João foi educado pela mãe.

Governador de Perúgia

Em Perúgia, João se destacou sob o jurista Pedro de Ubaldis. Em 1412 foi nomeado governador da cidade pelo rei Ladislau de Nápoles, que então a governava em nome da Santa Sé. Como governador, combateu a corrupção e o suborno, diz a Enciclopédia.

A prisão e a decisão

Em 1416 houve guerra entre Perúgia e os Malatesta. João foi enviado como embaixador para propor a paz e foi lançado na prisão. Foi ali que passou a pensar mais seriamente na própria alma. Em 4 de outubro de 1416 entrou na Ordem Franciscana.

04

Pregador e reformador da Ordem

Discípulo de São Bernardino

Depois dos votos, João recebeu a teologia de São Bernardino de Sena e foi colega de estudos de São Tiago da Marca. Acompanhou o mestre nas pregações para estudar seu método. Como ele, divulgou a devoção ao Nome de Jesus, em torno da sigla IHS, e foi acusado de heresia por causa dela.

O processo de 1429

Em 1429, ele e outros observantes foram citados a Roma sob acusação de heresia. Os companheiros o escolheram para defender a causa, e uma comissão de cardeais os absolveu. A Enciclopédia Católica registra ainda que São Bernardino foi nomeado vigário-geral em 1438 graças a João.

A reforma da Ordem

O Dicastério para as Causas dos Santos diz que João se ocupou de pregar, de defender a ortodoxia católica e de reformar a Ordem a partir de dentro. Combateu o fraticelismo, a prática de espalhar doutrinas disfarçadas pela Regra Franciscana e declaradas heréticas pela Igreja, e foi encarregado de combater a usura. A Enciclopédia Católica conta que ele também simpatizou com a reforma de Santa Coleta entre as clarissas.

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A Europa central e Belgrado

Missões da Santa Sé

A Enciclopédia Católica lista várias missões que a Santa Sé lhe confiou: legado a Milão e à Borgonha em 1439, missão ao rei da França em 1446 e nunciatura na Áustria em 1451. Na Áustria percorreu todas as regiões do Império, pregando e combatendo os hussitas, e visitou também a Polônia, a pedido de Casimiro IV. Sobre quem o enviou à Áustria, as fontes divergem: a Enciclopédia fala em pedido do imperador, e o Dicastério e o Vatican News, em encargo do papa Nicolau V.

A defesa de Belgrado

Depois da queda de Constantinopla, em 1453, a ameaça turca pesava sobre a cristandade. João viajou pela Europa central recrutando homens e teve grande resposta entre os húngaros, os mais expostos. A Enciclopédia Católica diz que ele acompanhou o chefe húngaro Hunyadi durante a campanha, esteve na batalha de Belgrado e comandou a ala esquerda do exército cristão. O Dicastério e o Vatican News contam que ele partiu para Belgrado à frente de um exército de cinco mil homens, para romper o cerco da cidade pela frota fluvial de Maomé II.

A morte em Ilok

Na volta, exausto e com a peste, João morreu no convento de Ilok, hoje na Croácia, em 23 de outubro de 1456. O Martirológio Romano diz que ele morreu perto de Ujlak, às margens do Danúbio, no reino da Hungria.

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O reconhecimento pela Igreja

Beatificação e canonização

O Dicastério para as Causas dos Santos informa, na ficha do santo, que João foi beatificado em 19 de dezembro de 1650 por Inocêncio X e canonizado em 16 de outubro de 1690 por Alexandre VIII, na Basílica Vaticana.

Padroeiro dos capelães militares

Desde 1984, João de Capistrano é padroeiro dos capelães militares. O Dicastério e o Vatican News transcrevem a oração que esses capelães dirigem a ele, pedindo ajuda para cuidar dos soldados com amor e levar às tropas a fé e a integridade do testemunho.

A memória litúrgica

A memória é celebrada em 23 de outubro. O Martirológio Romano o recorda como sacerdote da Ordem dos Menores que defendeu a observância da regra e exerceu seu ministério em quase toda a Europa, em apoio da fé e da moral católicas, e que incentivou o povo com suas exortações e orações.

07

O que as fontes deixam incerto

O ano de nascimento e a origem do pai

O Dicastério para as Causas dos Santos indica 1386, e a Enciclopédia Católica, 1385. Para o pai, as duas fontes institucionais divergem: o Dicastério fala de um barão alemão, e a Enciclopédia, de um pai que se supõe francês, embora alguns digam alemão. Este perfil usa 1386.

A canonização

A ficha do Dicastério dá o ano de 1690 e o papa Alexandre VIII, mas o texto biográfico na mesma página diz Alexandre VII. A Enciclopédia Católica, por sua vez, fala em beatificação em 1694 e canonização em 1724. Este perfil segue a ficha do Dicastério, que traz as datas de cada ato, e registra que as fontes não esclarecem a diferença. A data de 1724 pode se referir à publicação da bula de canonização, mas as fontes consultadas não dizem isso.

O papel em Belgrado

O Dicastério e o Vatican News dizem que ele comandou à frente de cinco mil homens. A Enciclopédia Católica diz que ele acompanhou Hunyadi e comandou a ala esquerda do exército. As fontes consultadas não esclarecem a natureza exata do comando de um frade nessa campanha.

A data da batalha

As fontes consultadas não dão o dia da batalha de Belgrado nem dizem quantos dias separaram a vitória da morte de João.

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Fontes consultadas

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