
Festa: 30 de novembro
Santo André
Apóstolo, irmão de Pedro • século I
André era pescador, natural de Betsaida, na Galileia, e irmão de Simão Pedro. Segundo o Evangelho de João, era discípulo de João Batista e foi o primeiro a seguir Jesus, e por isso a liturgia bizantina o chama de Protóklitos, “o primeiro chamado”. Foi ele quem levou Pedro a Jesus. Dele os Evangelhos contam pouco, mas esse pouco mostra um homem que apresenta os outros ao Senhor. A tradição diz que morreu crucificado em Patras, na Acaia; sobre onde pregou e sobre a forma da cruz, as fontes divergem.
01
O caminho de santificação
O Evangelho de João conta que André, discípulo de João Batista, ouviu o Batista chamar Jesus de Cordeiro de Deus, seguiu-o e passou com ele aquele dia (Jo 1,35-40). Bento XVI vê nisso um homem que procurava, que partilhava a esperança de Israel e queria conhecer de perto o Senhor. O Vatican News lembra que o evangelista guardou até a hora do encontro, por volta das quatro da tarde. Depois André foi depressa dizer a Pedro que tinham encontrado o Messias e o levou a Jesus (Jo 1,41-42).
Nos Evangelhos, André aparece em três outras cenas. Na multiplicação dos pães, é ele quem indica o rapaz com cinco pães de cevada e dois peixes e observa que isso é pouco para tanta gente (Jo 6,8-9). Bento XVI nota o realismo dessa fala, de quem vê a insuficiência dos próprios recursos. Com Pedro, Tiago e João, ele pergunta a Jesus sobre os sinais do fim (Mc 13,3-4). E quando alguns gregos querem ver Jesus, Filipe e André os levam ao Senhor (Jo 12,20-22).
O Papa resume o que André ensina: seguir Jesus com prontidão (Mt 4,20; Mc 1,18), falar dele com entusiasmo a quem encontramos e cultivar com ele uma relação de verdadeira familiaridade, conscientes de que só nele se encontra o sentido último da vida e da morte. Os Evangelhos não dizem nada sobre os anos seguintes. O que a tradição conta da pregação e da morte de André é posterior à Escritura, e as seções abaixo separam esses planos.
02
Vida e reconhecimento, em ordem cronológica
- séc. I
Discípulo de João Batista
André segue Jesus depois do testemunho do Batista, perto do Jordão (Jo 1,35-40). Bento XVI o chama de primeiro dos apóstolos a ser chamado.
- séc. I
Leva Pedro a Jesus
Encontra o irmão e lhe diz que encontraram o Messias (Jo 1,41-42).
- séc. I
Chamado à beira do lago
Jesus chama Simão e André, pescadores, para serem pescadores de homens, e eles o seguem (Mt 4,18-20; Mc 1,16-18).
- séc. I
Entre os Doze
Aparece nas listas dos Doze (Mt 10,2-4; Mc 3,16-19; Lc 6,14-16; At 1,13), em segundo ou quarto lugar, segundo Bento XVI.
- séc. I
Antes da Paixão
Aponta o rapaz dos pães (Jo 6,8-9) e, com Filipe, leva os gregos a Jesus (Jo 12,20-22).
- séc. I
Depois de Pentecostes
Segundo o Martirológio Romano, prega o Evangelho na Acaia, na Grécia, de acordo com uma tradição que o texto introduz com “diz-se”.
- c. 60 (tradição)
Martírio em Patras
É crucificado em Patras. O Vatican News e a Enciclopédia Católica situam o martírio por volta do ano 60, no tempo de Nero.
- c. 357
Relíquias em Constantinopla
A Enciclopédia Católica diz que as relíquias foram levadas de Patras para a igreja dos Apóstolos, em Constantinopla.
- 1964
Devolução a Patras
Segundo Bento XVI, Paulo VI restitui ao metropolita de Patras as insignes relíquias até então guardadas na Basílica Vaticana.
- 30 nov.
Festa
As Igrejas latina e grega celebram a festa de Santo André em 30 de novembro, como registra a Enciclopédia Católica.
03
André nos Evangelhos
As referências abaixo indicam as passagens bíblicas; o texto é paráfrase e resume o que os Evangelhos dizem.
Um nome grego e uma família de pescadores
Bento XVI chama a atenção para o nome de André, que não é hebraico, mas grego, sinal de certa abertura cultural da família, na Galileia, onde a língua e a cultura gregas estavam presentes. A Enciclopédia Católica diz que ele era filho de Jonas ou de João, natural de Betsaida, e que ele e o irmão Simão eram pescadores que moravam na mesma casa em Cafarnaum (Mt 4,18; Mc 1,16.21.29; Jo 1,42.44).
O primeiro chamado
O Quarto Evangelho conta que André era discípulo de João Batista e que, ao ouvir o Batista apontar Jesus, foi atrás dele. A liturgia bizantina o honra por isso com o título de Protóklitos, o primeiro chamado, como lembra Bento XVI. Nos Evangelhos de Mateus e Marcos, Jesus chama André e Pedro depois, à beira do lago, e eles deixam as redes (Mt 4,18-20; Mc 1,16-18).
Entre os Doze
Nas listas dos apóstolos, André ocupa o segundo lugar em Mateus e Lucas e o quarto em Marcos e nos Atos, como nota Bento XVI. A Enciclopédia Católica diz que ele sempre está entre os quatro primeiros. A mesma obra nota que os Atos o nomeiam só na lista dos apóstolos e que as Epístolas e o Apocalipse não falam dele.
Três momentos com Jesus
Os Evangelhos guardam três iniciativas de André: a indicação do rapaz dos pães (Jo 6,8-9), a pergunta sobre os sinais do fim, feita com Pedro, Tiago e João no discurso de Jesus (Mc 13,3-4), e a intermediação dos gregos que queriam ver Jesus, junto com Filipe (Jo 12,20-22). Bento XVI observa que André e Filipe, os dois apóstolos de nomes gregos, servem de intérpretes para esse pequeno grupo.
04
O que a tradição conta depois de Pentecostes
Tudo o que segue é tradição posterior à Escritura. O Vatican News diz que o restante da vida de André é confiado a textos não canônicos e apócrifos.
Onde teria pregado
A Enciclopédia Católica reúne testemunhos diferentes: Eusébio de Cesareia indica a Cítia, São Gregório Nazianzeno, o Épiro, São Jerônimo, a Acaia, e Teodoreto, a Hélade. Nicéforo, apoiado em escritores antigos, fala da Capadócia, da Galácia e da Bitínia, depois de Bizâncio, onde teria feito Estáquis o primeiro bispo, e por fim da Trácia, da Macedônia, da Tessália e da Acaia. O Vatican News diz que escritores cristãos dos primeiros séculos o fazem evangelizar a Ásia Menor e as regiões do mar Negro, chegando ao Volga. Bento XVI recorda que tradições muito antigas o consideram apóstolo dos gregos.
A morte em Patras
A Enciclopédia Católica diz que em geral se aceita que André foi crucificado por ordem do governador romano Egeias, em Patras, na Acaia, e amarrado, e não pregado, à cruz, para prolongar o sofrimento. O Martirológio Romano, na versão da CEI, diz que depois de Pentecostes se diz que ele pregou na Acaia e sofreu a crucifixão em Patras.
A cruz em forma de X
Bento XVI conta que, segundo uma antiga narração do início do século VI, a Paixão de André, o apóstolo pediu uma cruz diferente da de Jesus, e foi a cruz decussada, que se chama cruz de Santo André. O Vatican News situa a morte por volta do ano 60 e cita a Legenda Áurea para as últimas palavras do apóstolo. A Enciclopédia Católica diz que essa forma de cruz é a que se atribui comumente a André, mas que a evidência a favor dessa ideia não é anterior ao século XIV.
05
Culto, relíquias e padroado
As relíquias
A Enciclopédia Católica (1907) conta que as relíquias de Santo André foram levadas de Patras a Constantinopla por volta de 357 e depositadas na igreja dos Apóstolos. No início do século XIII, com a tomada de Constantinopla pelos franceses, o cardeal Pedro de Cápua as levou para a Itália e as depositou na catedral de Amalfi, onde, diz a obra, ainda estava a maior parte delas. Bento XVI recorda que, em 1964, o papa Paulo VI restituiu ao bispo metropolita de Patras as insignes relíquias de Santo André, até então conservadas na Basílica Vaticana.
Padroeiro de Igrejas e povos
O Martirológio Romano, na versão da CEI, afirma que a Igreja de Constantinopla o venera como seu insigne patrono. Bento XVI vê na relação entre Pedro e André um sinal do vínculo especial entre as Igrejas de Roma e de Constantinopla, Igrejas irmãs. O Vatican News diz que ele é venerado como padroeiro da Romênia, da Ucrânia e da Rússia, e a Enciclopédia Católica, da Rússia e da Escócia.
A festa
A festa de 30 de novembro é celebrada tanto pela Igreja latina quanto pela grega, como diz a Enciclopédia Católica.
06
O que as fontes deixam incerto
Os lugares da pregação
As fontes citadas acima listam regiões diferentes, da Cítia ao Épiro e à Acaia, e a Enciclopédia Católica diz que não há certeza quanto à extensão e aos lugares de seu trabalho. Este perfil mantém só a Acaia, onde há convergência entre o Martirológio Romano, a Enciclopédia Católica e Bento XVI.
A forma da cruz
O Vatican News e Bento XVI falam da cruz em X como se fosse a de André; a Enciclopédia Católica diz que a prova dessa forma não é mais antiga que o século XIV. As fontes consultadas não resolvem a diferença.
Onde estão as relíquias
A informação da Enciclopédia (1907) sobre Amalfi e a de Bento XVI (2006) sobre a restituição a Patras em 1964 não são explicadas uma pela outra. As fontes consultadas não dizem quais partes ficaram em Amalfi.
Os últimos anos
O ano da morte, por volta de 60, e as palavras finais atribuídas a André vêm de tradição posterior e de textos não canônicos. A Escritura não registra nada disso.
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