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Santos e beatos

Biografias escritas pelo Vigília da Fé e conferidas em fontes institucionais.

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Arte do Santo do dia, com cruz dourada sobre fundo azul

Festa: 30 de outubro

São Marcelo, o Centurião

Soldado e mártir em Tânger • m. 298

Marcelo era centurião do exército romano e não é um personagem da Escritura. Segundo o Martirológio Romano, na festa do imperador, quando todos sacrificavam aos deuses, ele lançou diante das insígnias o cinto militar, as armas e a própria vida, declarou-se cristão e disse que só podia obedecer a Jesus Cristo. Foi julgado em Tânger, na Mauritânia, e decapitado, no ano de 298, como registra o santoral da arquidiocese de Barcelona. Há atas desse processo, que a arquidiocese de Madri descreve como atas com bastantes traços de historicidade, e a elas se juntaram detalhes de lenda. Este perfil distingue o que as atas e o Martirológio dizem do que é tradição posterior.

01

O caminho de santificação

A arquidiocese de Madri resume as atas: diante do governador Fortunato, Marcelo explicou sua atitude dizendo que era cristão e que não podia servir em nenhum outro exército senão no de Jesus Cristo, Filho de Deus onipotente. O Martirológio Romano diz o mesmo com outras palavras: ele afirmou que, como cristão, não podia mais manter o juramento militar e devia obedecer somente a Cristo.

O gesto custava tudo. Marcelo era centurião ordinário e tirou espontaneamente o cinto militar, atirou a espada e o bastão de centurião diante das tropas, como diz a carta de Fortunato transcrita pela arquidiocese de Madri. O resultado foi o processo: Marcelo foi enviado a Tânger e, ali, confirmou diante do vice-prefeito Agricolano a acusação lida contra ele. As atas não mostram violência de sua parte nem desprezo pelas pessoas; mostram um homem que depôs as insígnias e manteve o que tinha dito.

A mesma arquidiocese conclui de modo sóbrio: a Igreja vê em Marcelo um mártir. A história, diz o texto, é escueta, mesmo à distância de quase dezoito séculos, e a lenda, “não necessariamente falsa”, acrescenta detalhes que não são necessários para esclarecer o fato. O que fica documentado é a recusa de prestar a um poder humano a obediência devida somente a Cristo, e a fidelidade até a condenação.

02

Vida e reconhecimento, em ordem cronológica

  1. 298

    O gesto diante das tropas

    No dia em que se celebrava o aniversário dos imperadores, Marcelo tira o cinto militar e lança a espada e o bastão de centurião diante das tropas. As fontes consultadas não dão o dia do mês.

  2. 28 jul. 298

    Primeira audiência

    A arquidiocese de Madri situa neste dia o processo diante de Fortunato, que escreve a Agricolano e envia Marcelo a Tânger.

  3. 298

    Julgamento em Tânger

    Diante de Aurélio Agricolano, lê-se o ato de acusação, que Marcelo confirma e aceita, e ele é condenado à decapitação.

  4. 30 out. 298

    Martírio

    A arquidiocese de Madri dá esta data para o julgamento definitivo, e a arquidiocese de Barcelona registra a passagem de Marcelo, degolado, no santoral do dia, com o ano de 298.

  5. 30 out.

    Memória

    O Martirológio Romano inscreve a passagem (passio) de São Marcelo, centurião, em Tânger, em 30 de outubro.

03

O que dizem as atas

A arquidiocese de Madri resume as atas conservadas do processo, que descreve como atas com bastantes traços de historicidade. As citações abaixo são paráfrases da exposição dela.

A carta de Fortunato

Manílio Fortunato escreve ao seu superior, Aurélio Agricolano, que, no dia em que todo o mundo celebrava o aniversário dos imperadores, Marcelo, centurião ordinário, como se tivesse enlouquecido, tirou o cinto militar e lançou a espada e o bastão diante das tropas.

A defesa de Marcelo

Diante de Fortunato, Marcelo explica sua atitude dizendo que é cristão e que não pode militar em outro exército além do de Jesus Cristo, Filho de Deus onipotente. Fortunato, diante de um fato tão grave, decide notificar os imperadores e enviar Marcelo ao seu superior, o vice-prefeito Agricolano.

O julgamento em Tânger

Em Tânger e diante de Agricolano, lê-se a Marcelo o ato de acusação. Ele o confirma e aceita, e por isso é condenado à decapitação. A arquidiocese de Madri situa esse julgamento definitivo em 30 de outubro do mesmo ano.

04

O Martirológio Romano e a memória

O texto do Martirológio

Na versão da CEI, o Martirológio diz: em Tânger, na Mauritânia, hoje Marrocos, paixão de São Marcelo, centurião, que na festa do imperador, enquanto todos sacrificavam aos deuses, lançou o cinto militar, as armas e a própria vida diante das insígnias, professando ser cristão e não poder mais obedecer adequadamente ao juramento militar, mas somente a Jesus Cristo, e por isso sofreu o martírio por decapitação.

O santoral de Barcelona

A arquidiocese de Barcelona publica o mesmo texto na versão em espanhol e acrescenta o ano de 298. Diz que Marcelo foi degolado “imediatamente” depois do gesto, consumando assim o martírio.

Um mártir, e não mais que isso

A arquidiocese de Madri nota que a lenda acrescenta pormenores que não são necessários para o esclarecimento do fato, como a cena de um ato oficial e solene em que toda a tropa estava pronta para oferecer sacrifícios aos deuses pagãos e invocar sua proteção sobre o imperador. Para a Igreja, diz o texto, Marcelo é um mártir.

05

O que as fontes deixam incerto

Marcelo não é um personagem bíblico

O título “o Centurião” se refere à patente militar de Marcelo no fim do século III. Ele não aparece na Escritura, e este perfil não o liga aos centuriões que aparecem nos Evangelhos.

O dia do gesto

A arquidiocese de Madri dá 28 de julho de 298 para o processo diante de Fortunato, mas não diz em que dia ocorreu o gesto das insígnias; só fala do aniversário dos imperadores. As fontes consultadas não esclarecem a data.

Onde ocorreram os fatos

A arquidiocese de Madri diz que, segundo parece, Marcelo pertencia à Legião VII Gêmea e que o lugar dos fatos bem pode ter sido a cidade de León, na Espanha. A própria fonte apresenta isso como hipótese. O Martirológio Romano só fala de Tânger.

Detalhes de lenda

A arquidiocese de Madri atribui à lenda a precisão de que se tratava de um ato oficial e solene, com toda a tropa pronta para sacrificar aos deuses. Esse pormenor, porém, já está no texto do Martirológio Romano, que fala de uma festa do imperador em que todos sacrificavam. As fontes consultadas não permitem separar com certeza o que é ata antiga do que foi acrescentado depois.

06

Fontes consultadas

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